sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Wakati: o frigorífico solar

Segundo o site do fabricante, http://wakati.org/, o Wakati não é um refrigerador ou mesmo frigorífico, mas uma caixa térmica alimentada a energia solar capaz de armazenar alimentos por 10 vezes mais tempo do que o convencional se os mesmos estivessem expostos à temperatura ambiente em regiões de clima seco.



Wakati: o frigorífico solar

Tecnicamente, o Wakati não é um frigorífico – porque não utiliza a refrigeração -, mas a função é igual: preservar os alimentos. Nos países em desenvolvimento, onde a eletricidade é escassa e cara, um meio que consiga preservar os alimentos por mais tempo pode ter um grande impacto nos rendimentos e modo de vida das populações mais desfavorecidas.


O Wakati é uma espécie de caixa esterilizada, alimentada a energia solar, que permite armazenar e ventilar os alimentos. Para que a preservação seja possível, o pequeno painel solar de três watts no topo da caixa permite alimentar um ventilador que gradualmente evapora um pequeno reservatório de água, criando um ambiente úmido e fresco dentro do Wakati.
Além de ventilar, o dispositivo não possui qualquer mecanismo de controlo da temperatura, daí que não seja uma solução de conservação alimentar a longo-prazo. Porém, o facto de permitir aumentar em alguns dias a conservação dos alimentos nestes países é um grande passo. Produtos que tenham um ou dois dias de validade em climas quentes podem ser preservados durante dez dias no Wakati. Assim, as famílias conseguem ter produtos em condições alimentares próprias durante mais dias e também os agricultores têm mais tempo para vender os seus produtos antes que estes fiquem impróprios para consumo.
Actualmente, já foram disponibilizados cerca de 100 sistemas Wakati em zonas do Haiti, Uganda e Afeganistão, escreve o TreeHugger.
O Wakati foi desenvolvido por Arne Pauwels, no âmbito de um projecto de mestrado na Universidade de Antuérpia, onde estuda desenvolvimento de produto. A concretização da tecnologia foi possível através de várias parcerias com empresas e organizações não-governamentais.

No TreeHugger: Wakati solar-powered food preserver keeps produce fresh longer in developing areas




Mais informação:
A Revolução dos Cocos 
Manual do Arquiteto Descalço

A casa sustentável é mais barata - parte 17 (fornos solares a R$17,00)
Biblioteca online básica sobre Permacultura, bioconstrução e agroecologia
Geladeira indiana em barro, sem gás nem eletricidade, por apenas R$ 135,00
A casa sustentável é mais barata - parte 15 (Aquecedor solar de baixo custo a R$35,00)
Sem obsolescência programada e com garantia de 25 anos, mas não se encontra em lugar nenhum
Cold Pot: O ar condicionado natural que refresca ambientes com o poder de evaporação da terracota

Cães também comem arroz de lentilhas e falafel

Faço comida árabe com muita frequência, aprendi a fazer kibe antes do nosso arroz com feijão. Minha mãe, que deve ter sido a primeira mulher da sua família a fazer faculdade e mestrado, nunca ensinou às filhas a cozinhar, até por trabalhar muito e não ter tempo. Mas a mãe das minhas amigas em geral eram mulheres mais à moda antiga, então adoravam enfiar o nariz nas panelas e cediam seu tempo na cozinha às meninas da casa. As minhas duas amigas mais chegadas na adolescência eram de origem estrangeira (italiana e libanesa) e como eu dormia muito na casa de ambas, acabei começando a cozinhar na casa dos outros e só fui aprender a fazer feijão com arroz muitos anos depois, por uma receita copiada da internet combinada às dicas dos livrinhos da alimentação natural de Sonia Hirsch.

A culinária árabe, como a mediterrânea em geral, é prática, barata e adaptável ao nosso clima, cada vez mais quente. Mas nem sempre o que preparo, traz o resultado desejado.
Fiz um arroz integral com lentilhas e cenoura que ficou empapado e, na dúvida se cães podem consumir feijões, consultei o guia de dieta cozida para cães do Cachorro Verde.
Como estava liberado, reguei com azeite, juntei alho cru picadinho e as três se refestelaram.

Meses depois, já morando no apartamento novo, resolvi fazer um falafel usando feijões brancos no lugar do grão de bico da receita tradicional. Falafel é um bolinho que pode ser feito com qualquer feijão e não leva nenhum outro ingrediente. Em feijão fradinho é a nossa receita de acarajé, que depois acaba frito no dendê. Nos restaurantes, o falafel é encontrado em bolinhas fritas em óleo de soja. Aqui em casa, prefiro formar hambúrgueres e grelhar num fio de azeite, depois de temperado com muito alho, cheiro verde e cominho.
Ainda não havia tentado em feijão branco, que é um dos meus feijões favoritos. Não suportei o resultado e, já ciente de que todos os feijões são liberados para cães, servi e as três adoraram.
A massa fica linda, branquinha, mas o sabor não fez a minha cabeça.
Aqui no blog, encontram-se postagens exclusivas para falafel, arroz de lentilhas e comidas preparadas em panelas elétricas, os links estão no final da postagem.

Seguem as fotos das comidas e das meninas aproveitando minhas experiências que não dão certo:





Olímpia de coleira anti pulgas e carrapatos (que não adianta nada) comendo sua porção na cozinha da casa antiga.



Margarida e Pipa também com suas coleiras, comendo juntas.




Meses depois, na cozinha do apartamento novo e com uma nova panela elétrica quadrada.
Como eu não gostei da massa quando fiz o meu hamburguer individual em falafel de feijão branco, então para os cães, resolvi assar inteiro e servir fatiado. Funcionou bem.




Já assado e fatiado, se for fazer também, espere esfriar para servir aos animais.




Margarida tem que ser servida antes, para não atacar a porção das duas menores. Observa, fareja e come.









Pipa e Olímpia farejando para ver se vale a pena.




Pipa repetindo e Olímpia lambendo os beiços.




 O rabo da Olímpia abanando de felicidade pela terceira porção.

  



Pipa em pé, para pegar antes de todos sua terceira porção. Olímpia embaixo, com uma pata a menos não fica de pé, mas de olho, atenta, esperando para ganhar também.








As receitas:
2 anos sem forno e fogão
Falafel, Kibe e Abará de acarajé
Imagem do dia: o azeite extra virgem orgânico está mais barato do que o convencional



Mais informação
Fábricas de filhotes
Cães também bebem garapa
Cães também comem coco e abacate
Cachorros também comem pés e ovinhas de galinha
Dica sustentável e veterinária do dia: canela e joelho de boi 
Mais uma dica sustentável e veterinária: pescoço de galinha

domingo, 25 de janeiro de 2015

A mineração de ouro a céu aberto é a mineração dos ossos no maior envenenamento em massa do Brasil

80% do ouro extraído é para o mercado de jóias. Não existe mineração sustentável, seja em petróleo, ouro, diamantes ou mesmo areia. O próprio processo de perfuração, além de invasivo e erosivo, polui quimicamente todas as fontes de água, lençóis freáticos, rios e mananciais do entorno.
A mineração, junto com a pecuária, é notória em deixar outro rastro destrutivo: a devastação social das áreas onde instala-se. Os trabalhadores são sempre subempregados, a economia local acaba sucateada e não raro há registros de trabalho escravo e prostituição infantil nos incontáveis estabelecimentos clandestinos que instalam-se nessas regiões. 
O mundo é o que você compra sempre. Não compre, não financie essa covardia.





Paracatu – o maior envenenamento em massa do Brasil


Algo estranho está acontecendo em Paracatu, cidade mineira de pessoas humildes e hospitaleiras. Cresce anormalmente o número de casos de câncer. Médicos e cientistas já detectaram a causa do problema: o arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto


Paracatu é uma cidade mineira de pessoas humildes e hospitaleiras. Nos últimos anos, algo estranho está acontecendo com a saúde dessa população. Cresce anormalmente o número de casos de câncer no município, especialmente entre a população mais jovem. Em Paracatu, o número de pacientes com câncer, em relação à população em geral é muito maior que em outras regiões do estado, do país ou do mundo. Como as condições de atendimento à saúde na cidade são precárias e a maioria da população é pobre, os pacientes buscam tratamento em hospitais filantrópicos em outras cidades de Minas Gerais, Distrito Federal e São Paulo, como o Hospital de Câncer de Barretos.
Para médicos e cientistas, a causa do problema é o arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto na cidade. A solução do problema é paralisar a liberação deste veneno para o ambiente e diagnosticar e tratar as pessoas expostas ao arsênio. A EPA, agência de proteção ambiental do governo norte-americano calculou que as perdas e danos causados pelo arsênio variam entre US$1.5 milhão e US$6 milhões por cada vida humana. Desde 1987, os mais de 80 mil habitantes de Paracatu estão diariamente expostos à intoxicação crônica pelo arsênio liberado pela mineradora canadenseKinross Gold Corporation. Este é o maior envenenamento em massa de que se tem notícia na história do Brasil.
Os custos estimados com diagnóstico, tratamento e indenização das vítimas alcançam bilhões de dólares. Os impactos para a saúde das pessoas e a economia são desastrosos. Desde 2009, uma Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução pede que o poder público ofereça exames clínicos e laboratoriais a toda a população de Paracatu e obriga a mineradora a pagar todos os custos com diagnóstico e tratamento de todos os habitantes da cidade. Esta Ação Civil Pública encontra-se paralisada no fórum de Paracatu.
Pedimos aos nossos Promotores Públicos que desengavetem a Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução e ao Prefeito da cidade de Paracatu e seus auxiliares que tomem as medidas de proteção às milhares de vidas humanas de Paracatu. Como o arsênio de Paracatu está se dispersando pelo ambiente através da atmosfera e da água, pode-se afirmar que a contaminação de Paracatu é um problema de saúde pública local, regional, nacional e internacional.
SAIBA MAIS SOBRE O ENVENENAMENTO EM MASSA DE PARACATU:
Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução por Dano Ambiental e à Saúde Pública Decorrente de Carga Contínua sobre o Meio Ambiente com Pedido de Cautela Liminar, proposta pela Fundação Acangau contra a Kinross Gold Corporation e Prefeitura Municipal de Paracatu 
Arsênio liberado pela Kinross em Paracatu já está bioaccessível, revela estudo. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/arsenio-liberado-pela-k…s\ )
Professor da USP diz que incidência de câncer em Paracatu está acima da média. (http://paracatu.net/…/4148-professor-da-usp-diz-que-inciden… )
Incidência de câncer em Paracatu é altíssima, afirma médico especialista. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/incidencia-de-cancer-em… )
Le taux de cancer à Paracatu est très élevé. (http://www.brasileirosparaomundo.blogspot.de/…/le-taux-de-c… )
Envenenamento lento pelo ‘pó da herança’ descoberto em Heidelberg. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/envenamento-lento-pelo-… )
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Promotor de Justiça de Paracatu: Paulo Campos Chaves
Promotora de Justiça de Paracatu: Mariana Duarte Leão
Promotorias de Justiça de Paracatu
Av. Olegário Maciel 193, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tels.: (038) 3671-5719 / -6170 / -5313/ -6584/ -5543
Fax: (038) 3671-1761 / -4033 / (038) 3672-1599
Procurador-Geral de Justiça de Minas Gerais: Carlos André Mariani Bittencourt
Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Av. Álvares Cabral, 1690, CEP 30.170-001 Belo Horizonte MG
Tel.: (031) 3330-8100/-8263. Fax: (031) 3330-6362
Secretárias:
Rosângela Borges, Tel. (031) 3330-8001, rborges@mp.mg.gov.br
Cynthia Lopes, Tel. (031) 3330-8007, gabpgj@mp.mg.gov.br
Chefe de Gabinete : Roberto Heleno de Castro Júnior (Promotor de Justiça)
Secretária: Renata Villela, Tel. (031) 3330-8220, renata@mp.mg.gov.br
Secretário-Geral : Élida de Freitas Rezende (Promotora de Justiça)
Assessora: Christiane Puliti, Tel. (031) 3330-8319, puliti@mp.mg.gov.br
Secretária: Maristela, Tel. (031) 3330-8319
Procurador Onésio Soares Amaral
Procuradoria da República em Minas Gerais
Av. Brasil, 1877, CEP 30140-002 Belo Horizonte MG
Tel.: (031) 2123-9000
PRM Uberaba
Av. Gabriela Castro Cunha nº 340, CEP 38.066-000 Uberaba MG
Tel.: (034) 3319-7900
prmura@prmg.mpf.gov.br
Prefeito de Paracatu: Olavo Remígio Condé
Vice-prefeito de Paracatu: José Altino Silva
Av. Olegário Maciel, 166, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3679-0905
gabinete@paracatu.mg.gov.br
Secretário de Saúde de Paracatu: Agostinho Martins de Oliveira
Av. Romualdo Ulhoa Tomba 157, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3671-3555
Defensor Público do Município de Paracatu: Rodolfo Ramos Caldeira
Av. Olegário Maciel 166, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3679-0905

Por Sergio U. Dani, de Bremen, junho de 2014
Há muitos anos sabemos que o arsênio é uma substância causadora de câncer e outras doenças. Aliás, o arsênio é um dos agentes cancerígenos mais potentes e persistentes. O arsênio é absorvido via
oral ou respiratória e literalmente gruda nos ossos e mata de câncer e uma série de outras doenças.
Há anos estamos divulgando essa informação em Paracatu, na esperança que o povo e as autoridades tomem providências contra o genocídio de que são vítimas, cometido pela corporação transnacional canadense Kinross Gold Corporation.
Muitos dos que “não acreditavam” que poderiam ser afetados pelo arsênio agora dão-se conta de que talvez, quem sabe? Você não precisa “acreditar” quando eu digo que o arsênio é tóxico. Eu não sou pajé ou sacerdote de uma religião qualquer. Eu sou médico e cientista, e se digo que o arsênio é tóxico, é porque estou baseado em estudos realizados por mim em minha clínica e meu laboratório, e por centenas de outros colegas médicos, cientistas e pesquisadores. Da mesma forma, você não precisa “acreditar” que não será mais uma vítima do arsênio. O arsênio não escolhe vítimas.
Suspeita-se que diversas pessoas que trabalharam na mina de ouro da Kinross em Paracatu já sejam vítimas do envenenamento pelo arsênio. Comenta-se que desde trabalhadores braçais até gerentes e diretores sejam vítimas. O arsênio não escolhe vítima.
Evidências indicam que toda a população de Paracatu seja vítima, desde a criança ao adulto e ao mais idoso, do mais pobre ao mais rico, do mendigo ao empresário, do analfabeto ao mais titulado, do pedreiro ao doutor, do mais ignorante ao mais qualificado, do vereador ao locutor de rádio, do bancário ao professor, do presidiário ao juiz que o condenou, do sacerdote crédulo ao promotor de justiça incrédulo. Acredite se quiser: o arsênio não escolhe vítima.
As águas de Paracatu – especialmente o Córrego Rico, o Córrego Santo Antônio, o Ribeirão Santa Rita, o Ribeirão São Pedro a jusante da barra do Ribeirão Santa Rita e o Rio Paracatu a jusante desses cursos d’água – estão gravemente contaminadas com o arsênio liberado pela mina de ouro da Kinross. A contaminação das águas por arsênio está muito acima dos valores permitidos pela legislação brasileira.
Em um ponto no Córrego Rico, o arsênio no sedimento do leito do córrego atingiu a concentração de 1.116 ppm, o que corresponde a uma concentração 190 vezes maior que a estipulada pela Resolução 344/2004 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e 744 vezes maior que a concentração média natural verificada nos rios e córregos da região.
O arsênio viaja longas distâncias de carona na água. Quando a água seca ou evapora, o arsênio vira pó de novo, e também pode virar gás. Estudos científicos mostram que concentrações de arsênio acima de 7 ppm no solo (como se fossem 7 graozinhos de arsênio no meio de um milhão de grãos de poeira, ou 7 graozinhos de arroz em um saco de 15 kg de arroz) já afetam a saúde humana. Quanto maior é a concentração, maior é o número de pessoas afetadas.
A poeira que se respira em Paracatu tem concentrações de arsênio até 140 vezes mais altas que a concentração acima da qual o veneno começa a causar danos à saúde humana quando é respirado.
Uma pessoa exposta ao arsênio sem querer ou sem saber, dificilmente percebe os efeitos do envenenamento crônico. A população de 80 mil pessoas da cidade de Paracatu está exposta diretamente ao risco de intoxicação, principalmente via inalação da poeira e gases emanados da mina e depósitos de rejeitos.
Outras populações estão expostas indiretamente e à distância, na medida em que o arsênio de Paracatu, dissolvido na água, está sendo persistentemente transportado pela bacia do Rio São Francisco onde entra na cadeia alimentar e, liberado para a atmosfera na forma de poeira e gás, está sendo transportado pelos ventos para outras regiões do país e do mundo.
A gravidade do cenário é de tal monta que supera a arguição de legalidade da atividade de mineração autorizada, visto que os índices oficiais de exposição tolerável não foram calculados para períodos de longa exposição diária e várias vias de ingestão, inalação, absorção e resorção concentradas num mesmo ambiente: solo, atmosfera, água, alimentos, e o próprio compartimento humano.
Hoje já existem testes laboratoriais e clínicos capazes de indicar o seu envenenamento pelo arsênio da genocida Kinross. O genocídio culposo não gera processo criminal, mas gera a obrigação de indenizar as perdas e os danos. Em caso de dúvida, nossa equipe de médicos e advogados coloca-se à disposição para esclarecimentos.

Barragem de rejeito da Rio Paracatu Mineração

Por Sergio Ulhoa Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 26 de março de 2011
A radiação do reator nuclear avariado de Fukushima, Japão, chegou à Europa ontem viajando milhares de quilômetros com o vento. Foi um acidente limitado no tempo e a quantidade de radiação não afeta a saúde dos europeus, informam os cientistas daqui. O arsênio liberado diariamente pela transnacional canadense genocida Kinross Gold na cidade de Paracatu, noroeste de Minas Gerais pode ser carregado pelo vento para as regiões mais ricas do Brasil, onde continuará sua saga genocida durante séculos ou milênios. Ao contrário da radiação acidental e passageira de Fukushima, a poluição de Paracatu é diária, persistente, autorizada e legalizada por governantes corruptos e técnicos ignorantes.
O arsênio é liberado da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil e também a mais venenosa do mundo. Para cada grama de ouro retirado das rochas da mina de Paracatu, a mineradora genocida solta mais de um kilograma de arsênio para a atmosfera, os solos e as águas. Isso mesmo: para cada parte de ouro, são duas mil e quinhentas partes de arsênio puro que, traduzido em letalidade significa que cada grama de ouro extraído desagrega arsênio suficiente para matar 17.500 pessoas.
Como a Kinross promote liberar um milhão de toneladas de arsênio nos próximos 30 anos de mineração de ouro autorizada e legalizada em Paracatu, a massa total e letal de arsênio liberado terá potencial para matar ou adoecer cronicamente sete trilhões (7.000.000.000.000) de seres humanos. As autoridades corruptas de Minas Gerais e do Brasil que receberam “pagamentos facilitadores” da mineradora canadense para autorizar o genocídio com “emprego e renda” batem palmas. Na cidade de Paracatu, crianças já estão morrendo antes de nascer e jovens e adultos estão adoecendo e morrendo antes da hora [1].
Como o arsênio se dispersa tanto pela água quanto na forma de poeira e gás, está sendo levado pelo vento para centenas ou milhares de quilômetros de distância da mina de Paracatu. A figura deste artigo, retirada do site do CPTEC-INPE [2] ilustra essa possibilidade: os ventos que passaram por Paracatu ontem dirijiram-se para o triângulo mineiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.
Mesmo depois de encerrada a mineração de ouro, o arsênio liberado pela genocida canadense garantirá uma poluição persistente durante séculos ou milênios, soprando todo dia em cima das regiões mais ricas e produtivas do Brasil e América do Sul.
Referências:
[1] Resultados de levantamento preliminar que a mineradora e seus consultores de aluguel conduziram apontam para aumentou do número de abortos espontâneos e câncer após o início da mineração a céu aberto em Paracatu:
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/abortos-espontaneos-em-paracatu.html
e
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/cresce-o-numero-de-casos-de-cancer-em.html.
http://almacks.blogspot.com/2011/03/vento-pode-levar-o-arsenio-de-paracatu.html. Enviada por Zuleica Nycz.

A mineração dos ossos

Um dos venenos mais antigos, potentes e persistentes, o arsênio – associado ao ouro e liberado na extração desse metal precioso em rocha dura – acumula-se nos ossos e causa grave intoxicação. Danos não são instantâneos, nem evidentes.
A maior mina de ouro do Brasil está situada em Paracatu, na região noroeste de Minas Gerais, assentada sobre os escombros de um asteroide que colidiu com a Terra há bilhões de anos, trazendo do espaço um tesouro venenoso: grãozinhos de ouro incrustados em arsenopirita, o principal minério de arsênio. Este artigo aponta os efeitos retardados dessa colisão ‘lucrativa’ e relata o descaso, no Brasil e no mundo, em relação ao problema.
O arsênio é um elemento químico do grupo dos ‘metaloides’ ou ‘semimetais’ – os que apresentam algumas das propriedades físicas de um metal. O arsênio também é considerado um elemento ferrofílico, por ter a propriedade de se associar ao ferro e às rochas. Além dos asteroides, as erupções vulcânicas são importantes fontes naturais de emissão desse elemento para a biosfera.
Para os seres vivos, o arsênio é um veneno. Ele atua como substituto instável do fósforo em ampla gama de processos bioquímicos e nutricionais, impedindo o funcionamento normal do organismo e causando danos à saúde

Para os seres vivos, o arsênio é um veneno. Ele atua como substituto instável do fósforo em ampla gama de processos bioquímicos e nutricionais, provocando os chamados ‘ciclos metabólicos fúteis’, ou ineficazes, que impedem o funcionamento normal do organismo e causam danos à saúde. A existência de genes de resistência ao arsênio nos genomas de quase todos os organismos é um indício forte da toxicidade desse veneno e de sua presença nos ambientes terrestres nas épocas das extinções em massa, causadas por colisões de asteroides e/ou por intensa atividade vulcânica: os organismos que sobreviveram foram os que tinham genes de resistência ao arsênio. 
Não há dose segura para o arsênio, e não existe diferença de toxicidade entre sua ingestão e sua inalação. Há, entretanto, diferenças entre suas formas orgânicas e inorgânicas e entre os efeitos agudos e crônicos. As formas inorgânicas são em geral mais tóxicas que as orgânicas, embora umas possam se transformar nas outras.
Um dos compostos inorgânicos comuns do elemento, o trióxido de arsênio, é um veneno inodoro e insípido, conhecido desde a Antiguidade e usado como o ‘pó da herança’ por alguns herdeiros impacientes. Apenas um grama desse veneno é suficiente para matar, em poucas horas, até sete pessoas adultas. Estudos científicos revelam que a exposição, ao longo de anos, a quantidades bem menores – poucas partes por bilhão (ppb), ou seja, poucos microgramas por quilo (μg/kg) – causa um catálogo de doenças e debilidades crônicas, de lesões de pele a doenças hematológicas, imunológicas, metabólicas, respiratórias, cardiovasculares, gastrointestinais, hepáticas, renais e neurológicas. Isso inclui várias formas de câncer: o arsênio está no topo da lista dos agentes carcinogênicos.

A arsenopirita é geralmente associada ao ouro (pontos dourados). Na mina de Paracatu, a concentração média de ouro é de 0,4 g por tonelada; já a de arsênio é de mais de 1 kg por tonelada. (foto: cedida por Ross Large/ Universidade da Tasmânia)
Os envenenamentos agudos por arsênio são casos isolados, caracterizados pela inibição da respiração celular, seguida de morte. O uso desse elemento para cometer assassinatos é uma prática popularizada em romances e filmes, como a comédia macabra Este mundo é um hospício (Arsenic and old lace, no título original, de 1944), de Frank Capra. A intoxicação crônica é menos conhecida, embora comum; ela afeta, no mundo, centenas de milhões de pessoas, expostas às quantidades crescentes de arsênio liberadas continuamente no ambiente por certas atividades humanas, entre elas a mineração de ouro e a queima de combustíveis fósseis e o uso de águas subterrâneas contaminadas.
O arsênio liberado em atividades humanas é chamado de ‘antropogênico’. Quantidades anormalmente altas de arsênio na água, em alimentos e em material disperso na atmosfera (poeira e gás) quase sempre indicam contaminação antropogênica. Em várias partes do mundo têm sido constatadas intoxicações crônicas de populações humanas, mas em geral os casos são negligenciados, em razão do longo período de latência (tempo entre a exposição ao veneno e a manifestação das doenças) e por conta de conveniências políticas e econômico-financeiras.

Questão mundial 

Há séculos, o arsênio tem sido usado como veneno e como droga. Há mais de 2,4 mil anos, esse elemento faz parte da farmacopeia tradicional chinesa. O conhecimento científico dos seus efeitos sobre a saúde humana foi impulsionado, a partir do século 18, pelos casos de intoxicação de operários da indústria extrativa. Entre os estudos sobre os efeitos do arsenato sobre as enzimas, destacam-se os trabalhos pioneiros dos enzimologistas mais notáveis do século 20, entre os quais o alemão Otto Warburg (1883-1970), o norte-americano Frank Weistheimer (1912-2007) e o irlandês Henry B. F. Dixon (1928-2008).
Na Alemanha, entre 1920 e 1942, os chamados danos tardios do arsênio foram notados após muitos anos de exposição ao veneno e mesmo anos depois que esta terminou
Na Alemanha, a intoxicação crônica de milhares de pessoas por arsênio, entre 1920 e 1942, nas regiões do Kaiserstuhl e vale do rio Moselle, foi descrita detalhadamente em estudos científicos e relatórios oficiais. A intoxicação foi causada pelo uso de inseticidas à base de arsênio em plantações de uva dessas áreas vinícolas tradicionais do sudoeste do país. Os chamados danos tardios do arsênio foram notados após muitos anos de exposição ao veneno e mesmo anos depois que esta terminou.
O período de latência variou de três a 50 anos (média: 26 anos), dependendo principalmente da quantidade de arsênio absorvida. Em 2013, atuando como médico na Alemanha, examinei dois pacientes idosos sobreviventes dessa intoxicação em massa. O uso de inseticidas contendo arsênio só foi proibido na Alemanha após o surgimento de inseticidas sem esse elemento. Hoje, os sindicatos de viticultores alemães reconhecem a intoxicação crônica e as vítimas têm direito a indenizações.
O arsênio também é a causa do maior envenenamento em massa da história da humanidade: a atual epidemia de arsenicose em Bangladesh e na região de Bengala Ocidental (Índia) afeta milhões de pessoas e mata centenas de milhares por ano de diversos tipos de câncer e outras doenças. Essa tragédia tem sido documentada em numerosos estudos científicos e relatórios oficiais, publicados a partir da década de 1990. O gatilho foi a perfuração indiscriminada de cerca de 12 milhões de poços tubulares de água em subsolo contendo depósitos minerais de arsênio.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Extração insustentável e ilegal de areia, base da construção civil

Base da construção civil, areia é um dos recursos mais valiosos e explorados do mundo

ONU e cientistas alertam para uso insustentável e corrida ilegal por mercados internacionais




Lagoas artificiais. Vista aérea de areais de Seropédica. Extração de areia provoca a exposição de lençol freático - Custódio Coimbra / Custodio coimbra


RIO - A areia de dunas, praias, rios ou várzeas parece inesgotável, mas é um dos recursos mais explorados do mundo e um dos mais valiosos da vida moderna, já que é hoje a fonte principal da construção civil. Para dar conta do rápido crescimento urbano e de tantas outras aplicações, a mineração de areia vem numa velocidade maior do que sua capacidade de renovação, resultando em profundos impactos ambientais ao redor do globo e numa corrida ilegal pelos grãos que valem ouro em pelo menos 70 países, entre eles o Brasil. A situação ainda é ignorada pela maioria dos gestores, mas já chama a atenção de cientistas e da ONU.




Seropédica (RJ). Numa das dezenas de areais da cidade, uma draga flutuante extrai material: processo causa exposição do lençol freático e, segundo especialista, impacta a Bacia do Rio Guandu, que abastece o Grande Rio - Custódio Coimbra / custodio coimbra



São 40 bilhões de toneladas de areia e cascalho que desparecem do ambiente natural por ano, segundo estimativas conservadoras de um relatório publicado este ano pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O Brasil, junto de outros quatro países (China, Índia, EUA e Turquia), está entre os principais produtores de cimento do mundo (70%) e, consequentemente, entre os grandes mineradores de areia, já que 80% dela vão parar em obras.


Para se ter ideia, um quilômetro de rodovia requer 30 mil toneladas de areia; uma casa, 200 toneladas. Uma quantidade tão grande de material não poderia ser removida sem impactos, entre eles: praias devastadas, perda da biodiversidade e redução dos níveis e da qualidade de lençóis freáticos.

— Qualquer mineração é impactante — resume Decio Tubbs, professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e diretor do Comitê de Bacias do Rio Guandu (principal fonte de água do Grande Rio). — O que se pode fazer é buscar reduzir esse impacto, coibindo as extrações ilegais, incentivando a reciclagem e fazendo o manejo da área, durante e após a exploração.


CRATERAS ‘LUNARES’ EM AREAIS EM SEROPÉDICA
Parece um problema distante, mas uma área de 50 quilômetros quadrados é ocupada por cerca de 80 minas no distrito areeiro de Seropédica-Itaguaí, na região metropolitana fluminense. Ali, o aspecto é inóspito: estradas empoeiradas cortam as “crateras lunares” que têm em média 20 metros de profundidade e centenas de largura. À medida que a areia vai sendo retirada por dragas flutuantes e disposta em caminhões, o lençol freático (o Aquífero Piranema) surge do solo e forma grandes lagoas com uma cor geralmente azul turquesa, às vezes mais esbranquiçada ou esverdeada.

O geólogo Eduardo Duarte Marques, do Serviço Geológico do Brasil e com tese de doutorado sobre os areais, explica que a coloração inusitada é resultado dos processos geoquímicos que ocorrem durante a extração de areia, especialmente pela contaminação com sulfato de alumínio. As águas, portanto, são ácidas. Ainda segundo o pesquisador, a ação humana sobre o aquífero interfere na manutenção da Bacia do Rio Guandu, principal fonte de abastecimento do Grande Rio, embora esse impacto ainda não esteja quantificado.

— Não há como recuperar em 100% uma cava de extração de areia — lamenta Marques, lembrando que, em 2001 e 2003, foram assinados dois termos de ajustamento de conduta (TACs) entre sindicato, gestores e órgãos ambientais, visando a recuperar a região degradada. — Muitas ideias têm sido discutidas, tais como a instalação de locais para piscicultura, culturas hidropônicas, balneários temáticos e até para a recarga do aquífero, que pode ser alternativa ao Guandu em caso de escassez de água.

Apesar da abundância das lagoas artificiais, moradores da localidade sofrem com a falta d’água. Aliás, não são muitos os que resistem à região pouco desenvolvida, sem posto de saúde, mercado, saneamento ou iluminação pública. Casas abandonadas são facilmente encontradas. Completando 50 anos, uma moradora que pede para não ser identificada lembra que, em sua infância, laranjais davam outras cores à paisagem. Ali já vigorou uma forte economia agrícola, gradativamente substituída pelos areais a partir da década de 1950, quando o controle ambiental ainda era reduzido e a mineração provocava ainda mais impacto.

— O povo daqui é totalmente esquecido, isto aqui está destruído — diz.
Na casa de Eliane Paixão, de 39 anos, vivem seis crianças, que, nas férias, brincam na beira da estrada junto ao frequente trânsito de caminhões, que provocam nuvens de poeira. Esse é, por sinal, o único meio de transporte. Para chegar ao posto de saúde mais próximo, só caminhando por uma hora ou pedindo carona.

— Não é muito fácil, mas prefiro ficar aqui, moro desde que nasci, e a casa é nossa — conta.
O Sindicado de Mineradores de Areia do Estado não foi encontrado durante a semana para comentar as ações na área, que atualmente responde por 70% da areia usada na Região Metropolitana e é uma importante fonte econômica. Duque de Caixas e Cabo Frio são outros grandes produtores do estado. Embora a maioria esteja licenciada, não são raras as ações para coibir a extração ilegal de areia. Desde 2009, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) realizou 157 operações, algumas no próprio distrito areeiro. Na verdade, há ações em todo o Brasil.

Enquanto as areias dos desertos não são consideradas ideias para a construção civil, a disponibilidade de material em leitos de rios, várzeas e pedreiras caiu significativamente nas últimas décadas, reorientando a mineração para a costa marinha, segundo o relatório da ONU.


ÁSIA E ÁFRICA SOFREM COM EXTRAÇÃO ILEGAL
A Índia tem uma das situações mais preocupantes, pois a máfia da areia é a organização criminosa mais articulada do país. Pelo menos 300 pessoas foram assassinadas em disputas territoriais nos últimos cinco anos — e esse é só o total publicado em jornais locais. A remoção de mais de 12 milhões de toneladas do lago Vembanad vem reduzindo sua superfície, em média, dez centímetros por ano. A larga escala de extração e a violência levaram o governo a promover um encontro com representantes dos estados para definir ações.


Marrocos. Extração ilegal com burro e caminhonete - Andrew Cooper / Divulgação



No Marrocos, metade da areia (15 milhões de toneladas ao ano) vem da mineração ilegal, o que transformou uma grande praia num cenário rochoso entre Safi e Essaouira, área turística do país.
Organizações criminosas também roubam areia de praias da Indonésia, Camboja e Malásia e levam o material para Cingapura, no que ficou conhecido como o “fornecimento da meia-noite”, em alusão ao horário da extração. Cingapura vive um rápido crescimento e precisou trazer de fora 517 milhões de toneladas de areia nos últimos 20 anos, tornando-se o maior importador, com consumo de 5,4 toneladas por habitante. A prática levou ao desaparecimento de pelo menos 24 ilhas indonésias. As estatísticas sequer incluem a mineração ilegal.

Um dos fortes críticos desse cenário é o professor da Universidade de Ulster (Reino Unido) Andrew Cooper, coautor do recém-lançado livro “The Last Beach”. Desde que flagrou uma extração ilegal numa praia na África do Sul, há 20 anos, o pesquisador vem percorrendo praias ao redor do mundo, do Caribe ao Ártico. Ele diz que o problema tem se intensificado e alerta:
— Perder uma praia não significa apenas perder uma área recreativa. Todo o ecossistema é destruído, o que prejudica a pesca comercial e leva à perda da defesa natural da costa contra tempestades. No intuito de fazer dinheiro rápido, a atividade está destruindo a sobrevivência das comunidades.


Portugal. Em Ria de Aveiro, grande área explorada - Ria de Aveiro Portugal / Fotos de divulgação/Andrew Cooper


Na Europa, os esforços regulatórios são maiores, mas isso não impede que grandes areais existam em países como Portugal. O problema é maior, diz a ONU, em nações em desenvolvimento. Nelas, a areia da praia é vista como “livre” e “acessível”, acrescenta Cooper, cobrando um tratado internacional para banir a extração do litoral.

A ONU tem tratado o tema com mais atenção: acrescentou-o à lista de “questões emergentes” e incluiu a discussão na COP 20, embora ainda sem destaque. O órgão recomenda ainda a redução do consumo de areia, otimizando e reciclando materiais; instituindo impostos e incentivando a criação de alternativas de materiais; e reduzindo o impacto local, com mais estudos ambientais.




RJ, extração ilegal de areia: A propina que move areais


Administrador de empresa diz que dava dinheiro a fiscais para acelerar licença – Uma investigação da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente revelou a rotina criminosa de uma das atividades mais lesivas à natureza quando não são respeitados os limites de sua exploração. Ela envolveu 17 areais da Reta do Piranema, nos municípios de Seropédica e Itaguaí, na Bacia do Guandu, que abastece 80% do Grande Rio. Em todos os casos, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e da Feema constataram contaminação do lençol freático por óleo mineral e esgoto não tratado. Por Daniel Engelbrecht, Elenilce Bottari, Paulo Marqueiro e Tulio Brandão, do jornal O Globo, 22/03/2008.
Em pelo menos um dos casos, o do Areal Gilpatric, o crime extrapolou a esfera ambiental.
A anotação “prefeitura 500”, registrada na contabilidade da empresa, chamou a atenção do delegado Luiz Marcelo Xavier, titular da Delegacia de Meio Ambiente. Em seu depoimento, Reginaldo Lúcio Gonzales, administrador e filho de um dos proprietários do areal, disse que “face aos entraves burocráticos de emissão de documentação por parte da prefeitura de Seropédica, alguns funcionários solicitaram tal quantia para acelerar o procedimento de emissão da documentação”.
— Há pelo menos um caso confesso de corrupção. Agora vamos apurar quem seriam os fiscais envolvidos — afirma o delegado Luiz Marcelo.
Todas as empresas estão respondendo por crimes previstos nos artigos 54 (causar poluição que possa resultar em danos à saúde) e 55 (executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem licença) da Lei de Crimes Ambientais.
— Um dos problemas é que os laudos são complexos e demorados, contribuindo para a prescrição do crime — sustenta Luiz Marcelo.
Entre os processos sobre extração ilegal de recursos minerais julgados ano passado, na Justiça Estadual, 18% tiveram como desfecho a prescrição.
TACs não são cumpridos
Em seu relatório, Luiz Marcelo denuncia ainda a manipulação de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) pelos acusados: “Os areais vêm funcionando de forma criminosa, causando danos irreparáveis ao meio ambiente e não cumprindo os Termos de Ajustamento de Conduta, que, ao que tudo indica, servem somente para, seguidamente, dar falsa legalidade à atividade de extração mineral”, assinala um trecho do relatório.
Os laudos revelaram que a exploração provocou a formação de lagos artificiais, com exposição do lençol freático, corte indevido do terreno com inclinação acima do permitido (a lei estabelece 45 graus, mas havia cortes de até 90 graus) e supressão de vegetação, com conseqüente assoreamento.
— Esses areais ilegais afetam diretamente o sistema Guandu — diz a presidente da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), Marilene Ramos. — Eles provocam aumento da turbidez da água e assoreamento. Além disso, os infratores fazem o jateamento das margens, o que causa desbarrancamento e altera o perfil dos rios.
A Constituição federal estabelece que os recursos minerais são bens da União e que é dever de todas as esferas protegê-los.
Apesar de ser a dona da atividade, a União foi ignorada por pelo menos dez areais, cujas licenças do Departamento Nacional de Produção Mineral estavam vencidas. Duas das 17 empresas investigadas não tinham sequer licença de operação.
Cerca de dez por cento de todos os processos julgados ano passado na Justiça estadual, com base na Lei de Crimes Ambientais, foram motivados por extração ilegal de recursos minerais, sendo o quarto crime mais freqüente no estado, depois dos delitos contra a fauna.
A pena prevista é de seis meses a um ano de detenção e multa.
Mas, em muitos casos, os processos são extintos mediante acordo na Justiça. Foi o que aconteceu, em janeiro de 2006, com o caminhoneiro José Miguel Tisse de Souza, acusado de extração ilegal de recursos minerais em Campos, no Norte Fluminense. Ele se livrou do processo comprometendose a confeccionar 600 cartilhas educativas.
No dia 5 de março, a Delegacia de Meio Ambiente interditou novamente os 17 areais sob investigação em Seropédica e Itaguaí. Eles só poderão voltar a funcionar quando apresentarem à Justiça um plano de recuperação dos danos causados ao meio ambiente. Durante a blitz, cerca de 30 pessoas foram indiciadas por poluição e extração ilegal de areia.
Na última quarta-feira, proprietários e funcionários dos areais fizeram um protesto contra a interdição. A manifestação seguiu a mesma linha de desrespeito à lei. Eles despejaram seis toneladas de areia na ponte sobre o Rio Guandu e na Reta do Piranema, que liga Seropédica a Itaguaí, bloqueando as vias. A confusão deu um nó no trânsito, provocando engarrafamento de cinco quilômetros nos dois sentidos da BR-465 (antiga Rio-São Paulo).
A prefeitura de Seropédica teve de usar três escavadeiras para limpar as pistas.


Na Bahia: 
Extração ilegal de areia ameaça o equilíbrio de rio na RMS
MPF denuncia quatro por extração ilegal de areia no valor de R$4,6 milhões em Camaçari (BA)

Em Alagoas: 
Extração ilegal de areia pode render até detenção

No Maranhão:
Operação flagra extração ilegal de areia no Rio Tocantins

Em Tocantins:
Extração ilegal de areia em Reserva Ecológica



Jurisprudência:
Extração Ilegal de Areia
Extração de areia sem autorização
Extração ilegal de areia pode render até 5 anos de prisão. Dezenas de pessoas já foram denunciadas este ano em Belo Horizonte e irão responder por crime contra a ordem econômica e por crime ambiental



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