segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O emplastro de inhame com gengibre (e argila)

Em um dos primeiros livros de Sonia Hirsch que li, receitava-se um emplastro de inhame com gengibre como o único remédio-tratamento existente para unhas encravadas.
Como eu sofro de uma única e miserável unha que encrava repetidamente desde minha mais tenra infância, tentei e me dei bem.
No dia seguinte, o dedo estava desinchado, molinho, sem latejar e foi só retirar o pedaço que crescia para dentro com a tesourinha de unha.
Fazer o tal emplastro como na receita tradicional não era simples: rala-se (a mão) o inhame cru com 10% da sua parte em gengibre igualmente cru ralado. Fica com consistência de cenoura-beterraba crua ralada, que não é exatamente algo de imediata aderência na pele. Então, eu precisava fazer uma trouxinha com gaze para aplicar no local e deixar por pelo menos 2 horas. O ideal são 4.

Os anos passaram, já instalada na vida online e com esse blog a pleno vapor, em grande parte graças à própria Sonia, uma esteticista chamada Cida Comoti apareceu com um blog chamado "Faz bem, é fácil e natural", hoje fora do ar, onde propalava maravilhas sobre esse emplastro justamente na área dela, estética.
Eu já havia lido sobre outras aplicações do emplastro de inhame com gengibre nos próprios livros da Sônia, já que o emplastro é do tipo "puxa tudo" e era igualmente indicado como técnica complementar de cura para furúnculos, cistos, verrugas, tumores, verminoses e até fungos. Enfim, tudo que tem que sair, mas as vezes entope.
Cida, que obviamente pensa como esteticista, resolveu aplicar nas costas de uma paciente com acne crônica, uma moça jovem que nunca havia usado um tomara que caia de tanta vergonha de espinhas imensas que mais pareciam pústulas e iam de um ombro a outro. O tratamento funcionou divinamente e Cida partiu para o uso do mesmo emplastro em outros clientes, conseguindo grande melhora em diversos problemas tradicionais de pele, como manchas de sol, melasmas, rosáceas, poros dilatados, excesso de "cravinhos pretos" e claro, acne crônica.

Relatou Cida em seu antigo blog que fazia a limpeza de pele tradicional, com suas esfoliações, vapores e extrações, mas que aplicava o emplastro e recomendava o mesmo aos clientes, que relatavam maravilhas com o passar do tempo.
E mais uma vez, os vícios de nossas profissões revelaram-se benéficos, Cida havia desenvolvido uma técnica de tornar o emplastro mais homogêneo e de rápida aplicação: batia tudo no liquidificador.
Adorei a ideia e parti para a prática. Na primeira vez, não consegui bater nada, afinal inhame e gengibre são 2 sólidos muito firmes, que ficaram sambando de um lado para o outro do meu liquidificador.
Juntei um pouco de água antes que o motor do liquidificador fundisse e, apesar de bem batido e homogêneo, ficou um pouco ralo, o que por sua vez, atrapalhava a aplicação. Eu colocava no rosto, deitava e escorria tudo, muitas vezes na minha vista, causando ardência e tornando o tal tratamento um caos.
Lembrei então de uma antiga recomendação de Sônia, que sugeria juntar um pouco de farinha para dar liga caso as raízes raladas ficassem dispersas.
Eu não tinha farinha em casa, mas tinha argila e uma luz acendeu na minha mente:
"Se eu já faço máscaras faciais de argila dissolvida em água (ou babosa) e preciso de qualquer coisa parecida com farinha que dê liga no emplastro de inhame, como seria se eu substituísse a farinha pela argila? Ora, é melhor do que pó de gesso e eu vou estar fazendo 2 tratamentos de beleza de uma única vez!"
Claro que deu certo, pareciam feitos um para o outro e desde então, nunca mais fiz uma máscara simples de argila nem fiquei desesperada com trouxinhas de gaze ou a vista ardendo. Mas quem estiver atravessando depurações mais sérias do que unhas encravadas e meras razões estéticas, deve aplicar o emplastro o mais puro possível, não é o momento de inventar moda. E nada substitui uma consulta ao seu médico, um emplastro é sempre um tratamento complementar.


As máscaras faciais de argila são populares pela mesma razão desse emplastro de inhame com gengibre, porque a argila é o principal composto da geoterapia no quesito desintoxicação: tratamento tradicional para verminose e infestação por fungos é ingerir em jejum um copo de água com 1 colher de sopa de argila decantada ao longo da noite. Se puxa de dentro para fora na sua barriga, faz o mesmo na sua pele. Não importa se o que você está querendo puxar é um tumor no seio, solitárias no intestino ou os cravinhos do seu rosto, todos os três tem que sair. E esse emplastro ajuda muito qualquer tratamento médico convencional. Pense que se vai entrar na faca para extrair o tal tumor, não seria muito melhor se o mesmo já estivesse mais superficial? Você no mínimo vai sofrer uma incisão menor e ter uma recuperação muito mais rápida.
Remédio antigo para mazelas diversas: Elixir de inhame depurativo, para limpar de dentro para fora e aliviar a barra do fígado, que filtra tudo. Observe que na moda dos sucos verdes, não demorou para juntarem um pedacinho de inhame cru à couve com maçã e afins. Na postagem sobre cosméticos verdes e dicas da vovó (linkada abaixo em mais informação), você vai poder ler melhor sobre a relação "só se deve passar na pele o que se pode colocar na boca", a pele é uma esponja e o maior órgão do corpo humano.


Nas fotos abaixo o passo a passo para uma vida mais simples:

Inhame e gengibre crus, você não vai precisar desse gengibre todo e a proporção correta aparece na foto seguinte. Faça uma linda jarra de água aromatizada com o gengibre que sobrar.



1 parte de gengibre para 10 de inhame, ou 1 parte de inhame e sua décima parte (10%) em gengibre. Tudo cru e picado para bater no liquidificador com o mínimo de água. O suficiente para o motor não fundir antes do creme ficar homogêneo. Como você pode ver, eu não descasco nada.





O emplastro de inhame com gengibre batido com água na parte superior da foto abaixo. Repare que mesmo na fotografia, dá para ver que mina um pouco de água e a consistência mais rala vai pedir uma trouxinha de gaze para ficar no lugar desejado sem vazamento.
Na parte inferior da foto, um creme firme engrossado com a argila branca que aparece no centro, em pó.
Eu gosto da proporção meio a meio, uma parte de emplastro já pronto para outra igual em argila em pó, que pode ser branca, verde, negra, vermelha... da cor que você quiser. Por coincidência, eu tinha da argila branca e o emplastro engrossado ficou com a mesma cor do emplastro ralo, mas o tipo de argila não faz uma diferença tão grande. Vale até obter argila a partir de um caco de tijolo ralado.




Aplicada uniformemente e com ótima consistência firme no meu rosto, que assisti à Cerimônia do Oscar 2015 com as perninhas para cima deixando a máscara agir. Como tudo que é de argila, a máscara-emplastro seca e fica parecendo uma parede de adobe em pau a pique. Se ainda encontrar alguma área úmida, espere e deixe agir, mas geralmente não leva mais de 2 horas. 
Para usos medicinais, como unhas encravadas, cistos e tumores, você pode isolar a área com gaze e deixar agir por uma noite toda. Deve também deixar o seu emplastro o mais puro possível, já que a ideia da argila é só engrossar e facilitar em termos estéticos. O tratamento medicinal pede mais do inhame com gengibre e tem que permanecer no local por 4 horas e, se for o caso, ser substituído por novo emplastro sucessivamente.
Não vale a pena tentar driblar - é a sua saúde, não uma questão de vaidade e praticidade.




Pele uniforme e sem manchas aos 39 anos. Sem histórico de botox, peelings profundos, preenchimentos ou quaisquer outras intervenções comuns em mulheres da minha idade. O único produto recomendado pela minha dermatologista do plano de saúde, mas com PhD pela Universidade de Cornell em NY, foi o protetor solar fator 50 de marca que não testa em animais.
Por via das dúvidas, eu lavo bem o rosto com sabonete neutro da Phebo Granado, aplico antes de dormir um antissinais em rolo da Nivea só para a região dos olhos e, quando removo a maquiagem, uso uma manteiga de cacau orgânica lá do sertão com algodãozinho molhado. As vezes, faço uma esfoliaçãozinha caseira de sal grosso com azeite porque tenho a pele mais para oleosa antes desse emplastro, mas quem não tiver, pode ir direto para o emplastro. Estando mais abonada, compro umas coisinhas quase iguais as que faço em casa e citei acima, só que da Lush. Pela farra, coisa de menina. Mas a dermato não passou nada além do protetor 50 da Dermage, nem recomendou botox ou preenchimento, quanto mais uma repuxada em lifting. Se é do tipo que sente muita falta de base e pó compacto, pode comprar seu pó-base com proteção solar, é uma opção para quem mora em lugares mais secos e frios. Mas eu adoro deixar minha pele respirar livremente.





Em algum livro da Sônia ("Só para mulheres" se não estou enganada), ela ensina uma espécie de massagem-ginástica facial antirrugas, para os pés de galinha mesmo. Consistia em esfregar as mãos uma contra a outra, para energizar. Depois, com o indicador, espalhar o creme na região das pálpebras de dentro para fora umas 30 vezes apertando o ponto externo, que não tinha um lugar certo, mais ou menos onde acaba o delineador (a área da repuxada do cirurgião plástico). Tinha que fazer na pálpebra superior e inferior, 30 cada em cada olho. Na primeira vez, demora, depois você passa a fazer com agilidade. Eu adotei uma época e, coincidência ou não, notei que era mais paquerada. Parece que os olhos arregalam e seu olhar chama realmente mais atenção.

Fiz propositalmente uma maquiagem muito carregada depois do emplastro para mostrar que uma pele bem tratada (de forma simples, fácil e natural como defende Cida) não demanda fortunas, tampouco exige dúzias de produtos como tônicos bifásicos, fluidos, seruns e primers. Você pode aos 40 anos sair de cara lavada, basta estar com a pele em dia.
Se acompanha esse blog, sabe que eu já trabalhei em plataformas offshore e canteiro de obras, passei férias em reservas indígenas, pratico natação, mergulho esporadicamente e não me privo de praia por causa de nada, principalmente por um padrão de beleza inatingível.
Acredito sim que um banho de mar faz milagres, na pele e cabelos principalmente. Ainda vão descobrir as propriedades do iodo na saúde humana e deve ser por isso que os japoneses consomem tantas algas marinhas.



Abaixo, fotos mais antigas, em um salão de beleza, recebendo a única maquiagem profissional que contratei até hoje, foi para um casamento muito formal e não achei válido. Foram horas de quilos de produtos em pó no meu rosto seguindo supostos traços que mudariam ângulos e afinariam determinadas áreas, 3 cores de sombra aplicada a batidinhas e um batom que não fez minha cabeça. Nunca mais voltei a fazer maquiagem profissional. Comparando essas fotos, gosto mais da minha pele limpa e nem vejo que tanta química tenha sequer reduzido as minhas olheiras, que dirá rejuvenescer.
Quando a ocasião pede, faço o emplastro antes de sair de casa e lavo com água gelada para chegar arrasando com o que considero o mais importante: uma pele viçosa e com brilho natural, sem aquela cara fake de porcelana.




Em situações especiais, faça um olho bonito (no seu gosto), escolha seu baton favorito e leve um pó compacto na bolsa só por via das dúvidas, afinal todo mundo sua. E, dependendo do caso, talvez você não precise nem de blush.

Primer aqui em casa é uma coisa produzida pela Suvinil que eu aplico nas paredes antes da pintura, para esconder os retoques da massa corrida. No meu rosto, além dessa vez esquisita, nunca mais passou primer nenhum.

Na primeira foto, pós emplastro caseiro e naquela iluminação impiedosa do banheiro, estou usando: máscara (rímel) preta, lápis delineador preto, lápis de sobrancelha preto e baton laranja, que comparado ao que uso no dia a dia é quase um delírio teatral. Só isso. Para ficar com esse carão quase carnavalesco, não tem corretivo, nem sombra ou qualquer iluminador, base líquida, pancake, blush, lápis de contorno de boca, etc. E estamos falando de uma maquiagem declaradamente pesada, mas feita em menos de 5 minutos.
Tive o cuidado (pelo prazer da provocação) de não aplicar nada que camufle, esconda, corrija, ilumine - restringi-me justamente aos olhos e boca, sem mexer na pele, mesmo que a das pálpebras.
Maquiagem carregada, mas de cara lavada, porque nada é mais bonito do que a pele naturalmente bonita. Repare na primeira foto que o cabelo ainda está molhado da chuveirada para retirar a máscara-emplastro.

Cá entre nós, eu até gosto de sombra, só não sinto que faça parte do meu mundo, parece que vai esfarelar no meio da festa... Corretivo eu só uso de vez em nunca, quando acordo com cara de segunda-feira, mas prefiro usar à noite porque acho que fica over durante o dia. Se a pele estiver boa, vai refletir mais luz e fazer as olheiras diminuírem. E eu tenho olheira, não nasci linda nem tenho mais 17 aninhos.

Os produtos daqui de casa são todos de marcas que não testam em animais e podem ser encontrados em preços acessíveis: os lápis de olhos da Quem disse Berenice, baton na cor orange de efeito mate da Contém 1gr e a máscara (rímel) preto da Elke Maravilha à venda nos supermercados pelo preço de um pacote de biscoitos (e porque todos amamos Elke escancaradamente). E se é maquiador, deve ter notado que eu não entendo nada da técnica, quebro um galho e sigo em frente, sem neura. Só tomo o cuidado de não aparecer no jornaleiro com essa sobrancelha marcada, é claro.



Como sempre: não sou da área médica e, mesmo que quisesse, não poderia nem em sonhos substituir seus profissionais. Esse blog, que é amador e nunca me rendeu um centavo, só relata minhas experiências pessoais, mais feitas de erros do que de acertos. E, na minha modesta opinião, para uma pele bonita nada substitui dormir pelo menos 7hrs e beber no mínimo 2 litros de água diariamente. Banho frio e passar longe de lácteos, açúcar e carboidratos refinados. Estando em condições normais de saúde, misshoshiro, água de coco, azeite do bom, muitas frutas e carnes só com parcimônia.
Exercícios leves para manter a circulação em dia, ou pesados se você curtir, também fazem toda diferença. Sempre o que te der prazer, para odiar uma aula de spinning, eu fico com um passeio de pedalinho na lagoa seguido de uma noite na gafieira. Mas eu não faço a menor questão de parecer que tenho 20 anos, não tive crise aos 30 e provavelmente não vou ter aos 40.


Outras opções: Ciclovivo: 5 solucões naturais para manchas e queimaduras de sol




Mais informação:
Outras curas
Sonia Hirsch
A Lush é um luxo
Pharmácia Granado
Vá pegar uma praia!
Fazendo baton em casa
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas da vovó
Como funciona a indústria de cosméticos: toxidade e poluição irregulares
PasBas, plantas, flores e especiarias: você pode fazer seu cosmético em casa

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

CEDAE: Está vazando água há 4 dias no Hospital Universitário Gafrée Guinle!

Na quinta-feira passada, dia 05 de fevereiro às 18:30, passei pela porta do Hospital Universitário Gafrée Guinle, um hospital público que abriga a Escola de Medicina da UNI-RIO (Universidade Federal) e é centro de referência em tratamento de soropositivos com farmácia social e farta distribuição dos medicamentos que compõe o coquetel aos pacientes cadastrados, e vazava água em ritmo de hidrante destravado para mangueira dos bombeiros. Já passava do horário comercial e alguns funcionários sem qualificação, como vigilantes terceirizados, tentavam conter o vazamento de boa vontade mas sem qualquer sucesso.

Do meu celular, liguei para o 0800 do site da "Nova CEDAE" e o serviço não atendia à celulares. Liguei para a Polícia em ligação gravada que me mandou ligar para o Serviço de Auxílio às listas (102) e me informar sobre o mesmo 0800 da CEDAE, que não atende celular.

Entrei no site da CEDAE pelo meu serviço de internet do celular e mesmo com recursos limitados, abri um chamado pelo meu CPF pessoal dando todas as indicações de um estabelecimento mais do que conhecido pelos cariocas. Como estava na porta do Hospital (público e sede de Escola de Medicina de Universidade Federal), tive o cuidado de completar o campo endereço com todos os dados, o que não é exatamente difícil. Recebi um email com o código do chamado, OSW613061, e fui para casa.

No dia seguinte, sexta-feira (06/02), ocupada e distante dali, recebi novo email da CEDAE dizendo que meu chamado havia sido cancelado e que eu deveria abrir outro especificando o problema e informando endereço e ponto de referência.
Obedientemente, abri novo chamado cumprindo todas as exigências, afinal o endereço do Gafrée está na internet e a essa altura eu já sabia de cor, Rua Mariz e Barros 775. Reclamação: OSW613063.
Era então sexta à tarde e eu imaginava na minha inocência que pelo menos a Direção do Hospital deveria ter tomado suas providências. Ao final do dia, cheguei a receber novo email resposta da CEDAE informando que minha reclamação gerara uma Ordem de Serviço referente a minha solicitação e que A CEDAE estava entrando em contato com o setor responsável para agilizar a solução do problema. O.S.: 502.36627-3

Ontem à noite, domingo (08/02), depois do Fantástico, na hora do Big Brother, quando aproveito que uma nação de idiotas está assistindo televisão e as ruas estão invariavelmente vazias, levei meus cães para passear e passando sem planejar pelos portões do Grafrée, ouço aquele inconfundível barulho de cachoeira.
A água continuava vazando como uma bomba hidráulica!

Ninguém fez absolutamente nada, o que me leva à conclusão de que não existe equipe de emergência da CEDAE para vazamentos de água durante finais de semana no Rio de Janeiro e que a Diretoria do Gafrée, que teve um dia útil e muito mais contato e influência do que eu sozinha como cidadã, tampouco tomara qualquer medida para pelo menos fechar aquele registro.

Mais uma vez, cumprindo meu papel de trouxa que reusa as águas cinzas da máquina de lavar, desliga o chuveiro para se ensaboar - escovar os dentes e só lava louça economizando ao máximo, abri um terceiro chamado no site da "Nova CEDAE" descrevendo o absurdo dessa situação e lembrando como quem não quer nada, que estamos atravessando um problema de abastecimento de água potável sem precedentes na história da humanidade. Reclamação: OSW613083

Então, eu aproveito os meus leitores, as redes sociais e a raiva que todos nós estamos dessa palhaçada dessa crise hídrica, que todo mundo já estava careca de saber que viria, para pôr a boca no mundo e estimular meus conterrâneos a encherem o saco das autoridades que nós custeamos com nosso suado dinheirinho de contribuinte.
Francamente, que vexame.



As fotos que fiz na quinta à tarde e facebuquei na sexta de manhã devidamente acompanhadas do número do primeiro chamado - tudo nos conformes, mas só 2 pessoas curtiram. Fosse receita de sorvete orgânico e uma multidão teria compartilhado. Sem água, não vai dar nem para as frutas, que dirá os sorvetes...







Fotos tiradas hoje com jornal O Globo evidenciando a data, repare no jato de água ao fundo. Saí bem cedinho, ainda estava escuro, e aproveitei para registrar. 









E para onde está indo esse aguaceiro (potável)? Ora, para os bueiros, é claro!
E dos bueiros, para a estação de tratamento de esgoto, junto com todas as nossas fezes, que depois de tratadas, serão irremediavelmente despejadas no mar e salinizadas para todo sempre. 
Entendeu agora como a água doce do mundo acaba e a salgada continua?



PARA FAZER DA CEDAE REALMENTE UMA NOVA CEDAE: http://www.cedae.com.br/ - CLIQUE EM "VAZAMENTO DE ÁGUA E PREENCHA TODOS OS CAMPOS, EXCETO: "INFORMAÇÕES DO LOCAL DA OCORRÊNCIA", VOCÊ NÃO É OBRIGADO A SABER A MATRÍCULA DE NINGUÉM, ABERTURAS DE RECLAMAÇÕES EM LOGRADOUROS PÚBLICOS SÃO DIREITO DE QUALQUER CIDADÃO.
COLOQUE SEU CPF, TELEFONE E EMAIL PESSOAL, MAS ESPECIFIQUE O ENDEREÇO DO LOCAL ONDE É O VAZAMENTO E DEIXE ISSO BEM CLARO NO CAMPO FINAL DE OBSERVAÇÕES GERAIS.

PARA CONTACTAR A DIRETORIA DO GAFRÉE: hugg@unirio.br (Diretor do Hospital Dr. Fernando Ferry)





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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Cuscuz Amado




Por causa de uma cirurgia, pude dar um tempinho na dieta anti-câncer e, pensando no que me refestelar, vejo Kênia do Alguma Coisa em Comum, postando umas fotos de cuscuz à paulista no blog dela. Estava morta de saudades e daí, para encomendar um cuscuzinho de sardinha, foi um pulo.
Aqui na Tijuca, existe o único restaurante especializado em cuscuz à paulista do Rio, o Cuscuz Amado, servem cuscuz à paulista de massa de milho em tudo o que é sabor, até camarão. Eu gosto muito justamente dos de sardinha, camarão, frango defumado e carne seca, dos demais, nunca provei.

Existe cuscuz de tudo, nós brasileiros fazemos tradicionalmente em farinha de milho, o popular "Flocão" tão barato nos supermercados e claro, as nossas maravilhosas e incontáveis farinhas regionais. Os mais consagrados são o cuscuz de tapioca de mandioca, semolina do trigo e farinha-fécula de arroz.
Em tapioca e semolina já fiz e as fotos vêm abaixo, não pede a panela de vapor cuscuzeira, basta juntar o líquido escolhido, em temperatura ambiente para os de coco e aquecido para o de semolina. Em arroz, é preciso de cuscuzeira para o cozimento no vapor.
Cuscuz é basicamente a farinha grossa de um grão hidratada e temperada para ser servida em fatias ou colheradas, o que vai determinar esse ponto é a quantidade de água e, quanto mais enriquecido de complementos, mais gostoso. O cuscuz de arroz integral pode ser feito a partir da moagem dos grãos crus do arroz batidos no liquidificador, depois é só cozinhar no vapor com sal, temperos e o que mais você quiser.

Há alguns anos, antes de ter esse blog, eu fazia muito cuscuz de milho com a farinha Flocão do supermecado na cuscuzeira de alumínio de acordo com a receita do cuscuz nordestino da Feira de São Cristóvão - simples, soltinho como o marroquino de semolina e temperado apenas com sal e pouca manteiga de garrafa. Anos depois, já com as panelas de teflon e alumínio aposentadas, procurei muito por opções em ágata, barro e até ferro, sempre sem sucesso. Fiquei então sem cuscuzeira e consequentemente sem meu amado cuscuz de milho...











Kênia havia preparado os dela sem a cuscuzeira, o que eu não sabia ser possível para as farinhas de milho. Usou como base uma receita de Neide Rigo, paulistana do blog Come-se, e cozinhou tudo na panela, enformando depois em pirex. Por evitar cuscuzeira no vapor, Neide chamou seu cuscuz de enformado - o que faz até muito mais sentido.

Nas palavras da Kênia, autora das duas fotos e delícias que ilustram o início dessa postagem:
"Inovei e inventei, porque não sei seguir receita à risca. O da primeira foto levou sardinhas, tomatinhos, abóbora hokaido em cubinhos e cúrcuma. O da segunda foi com sardinhas, páprica picante e bastante azeitona preta. Hoje ainda fiz mais um, que foi incrementado com pimenta biquinho, ovos caipiras e camarões..."


A receita da paulistana Neide Rigo, que inspirou a mineira Kênia, com o link do Come-se:

Enformado de farinha de milho com abóbora e sardinhas 
2 colheres (sopa) de azeite 
2 dentes de alho 
Meia cebola picada 
1 colher (sopa) de páprica defumada ou colorau 
1 1/2 colher (chá) de sal 
3 tomates maduros picados 
1 pedaço de 500 g de abóbora quase madura, com pele, picada em cubos de 1 centímetro
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes picada
3 xícaras de água 
10 azeitonas verdes sem caroços
2 latas de sardinha escorridas
1/2 xícara de cheiro-verde picado 
2 xícaras de farinha de milho (aquele de flocos)
2 ovos cozidos cortados em rodelas
Numa panela aqueça o azeite e doure nele o alho e a cebola. Junte a páprica ou colorau e o sal e misture bem. Acrescente o tomate picado, a abóbora e a pimenta e mexa. Junte 2 xícaras de água, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos. Veja se a abóbora está cozida - deve estar ainda firme, sem se desmanchar. Junte, então, metade das azeitonas, metade da sardinha quebrada em pedaços e o cheiro-verde. Misture e junte a farinha de milho, revolvendo devagar e acrescentando mais água quente, se for preciso,  para que toda a farinha fique bem úmida. Prove o sal e corrija, se achar necessário. Tire do fogo.   Unte uma forma de anel com azeite, espalhe no fundo as rodelas do ovo cozido, azeitonas e a sardinha restante - se quiser, também umas rodelas de pimenta. Coloque às colheradas a massa quente do cuscuz e pressione para grudar na decoração. Alise a superfície e espere amornar para desenformar. Se quiser, deixe na geladeira para servir frio com salada. O meu, servi quentinho com couve refogada e não sobrou para a foto das fatias cortadas. 
Rende: 6 porções







Só que Kênia, que é de Minas, vinha ao Rio na semana seguinte e como eu já havia visto outra receita dela em farinha de milho típica do interior de Minas (bem grossa, com pinta de Corn Flakes) um Crumble de banana com amoras inspirado justamente numa receita minha, o Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará

Perguntei então como quem não quer nada se não seria a mesma farinha...
Era, para minha alegria e felicidade. 
Não conseguimos nos encontrar e Kênia deixou essa farinha de milho incrível, que eu já vinha paquerando há tanto tempo, na portaria de uma conhecida. Fui buscar e as receitas seguem abaixo:


Cuscuz Paulista em farinha de milho mineira da fecularia artesanal de Rio Claro com sardinhas, ovos caipiras cozidos e azeitonas verdes recheadas de pimentão vermelho. Fiz seguindo a receita da Neide, como Kênia, mas aumentei a proporção de água em 50% a mais. Assim: 2 xícaras de farinha e 3 de água, em refogado de cebola no azeite. Arrependi-me em não colocar cheiro verde fresco picadinho, faz toda diferença.
Foto minha do meu cuscuz na sala daqui de casa, com minha toalha de mesa em renda nordestina.



Aquela farinha maravilhosa rendeu um segundo cuscuz, de abóbora com linguiça calabresa defumada e um toque de açafrão para colorir e dar um cheiro diferente. Bom também, mas eu gosto mesmo é do tradicional de sardinha ou frango defumado, sempre com azeitona e palmito, servido gelado como salada.
É uma comida ótima para ser servida à francesa, picada em cubos com palitinhos, de comer com a mão como tira-gosto.



Vegetarianos podem fazer lindos cuscuzes inteiramente veganos com: brócolis, couve flor, grão de bico, ervilha, feijão fradinho, abóbora, cenoura, aspargos, palmito, cogumelos, abobrinha, berinjela, tomate, pimentão, jiló, azeitonas, cebola, cheiro verde, castanhas, passas...


Para beber: 
Gazpacho Andaluz, a salada líquida espanhola que o resto do mundo teima em chamar de sopa fria...
Parece que foram feitos um para o outro.





O mostruário de cuscuz da loja tijucana Cuscuz Amado e o cuscuz de sardinha à vácuo para viagem já na cozinha daqui de casa:







Cuscuz de semolina à marroquina (salgado, originalmente com carne de carneiro) e Cuscuz de tapioca em leite de coco (doce, para servir de sobremesa) - ambos dispensam cuscuzeira no vapor e as receitas estão linkadas:





Farinha da roça não é luxo nem excentricidade, o milho do nosso Flocão industrializado servido na Feira de São Cristóvão e por todo Brasil, é o segundo cultivo transgênico, só perde para a soja.
E vida longa à comida troupeira de carregar no farnel em lombo de burro pelo interior do nosso país.




Mais informação:
Não contém glúten
2 anos sem forno e fogão
Cuscuz de Tapioca com Coco
Cuscuz de semolina à marroquina 
Panela velha é que faz comida boa
Comprando orgânico, local e justo na Tijuca
Hortaliças em extinção por causa das “tentações vindas da cidade”.
A tapioca de coco com banana e canela em doce de leite de tahine com melado de cana

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Cães também comem arroz de lentilhas e falafel

Faço comida árabe com muita frequência, aprendi a fazer kibe antes do nosso arroz com feijão. Minha mãe, que deve ter sido a primeira mulher da sua família a fazer faculdade e mestrado, nunca ensinou às filhas a cozinhar, até por trabalhar muito e não ter tempo. Mas a mãe das minhas amigas em geral eram mulheres mais à moda antiga, então adoravam enfiar o nariz nas panelas e cediam seu tempo na cozinha às meninas da casa. As minhas duas amigas mais chegadas na adolescência eram de origem estrangeira (italiana e libanesa) e como eu dormia muito na casa de ambas, acabei começando a cozinhar na casa dos outros e só fui aprender a fazer feijão com arroz muitos anos depois, por uma receita copiada da internet combinada às dicas dos livrinhos da alimentação natural de Sonia Hirsch.

A culinária árabe, como a mediterrânea em geral, é prática, barata e adaptável ao nosso clima, cada vez mais quente. Mas nem sempre o que preparo, traz o resultado desejado.
Fiz um arroz integral com lentilhas e cenoura que ficou empapado e, na dúvida se cães podem consumir feijões, consultei o guia de dieta cozida para cães do Cachorro Verde.
Como estava liberado, reguei com azeite, juntei alho cru picadinho e as três se refestelaram.

Meses depois, já morando no apartamento novo, resolvi fazer um falafel usando feijões brancos no lugar do grão de bico da receita tradicional. Falafel é um bolinho que pode ser feito com qualquer feijão e não leva nenhum outro ingrediente. Em feijão fradinho é a nossa receita de acarajé, que depois acaba frito no dendê. Nos restaurantes, o falafel é encontrado em bolinhas fritas em óleo de soja. Aqui em casa, prefiro formar hambúrgueres e grelhar num fio de azeite, depois de temperado com muito alho, cheiro verde e cominho.
Ainda não havia tentado em feijão branco, que é um dos meus feijões favoritos. Não suportei o resultado e, já ciente de que todos os feijões são liberados para cães, servi e as três adoraram.
A massa fica linda, branquinha, mas o sabor não fez a minha cabeça.
Aqui no blog, encontram-se postagens exclusivas para falafel, arroz de lentilhas e comidas preparadas em panelas elétricas, os links estão no final da postagem.

Seguem as fotos das comidas e das meninas aproveitando minhas experiências que não dão certo:





Olímpia de coleira anti pulgas e carrapatos (que não adianta nada) comendo sua porção na cozinha da casa antiga.



Margarida e Pipa também com suas coleiras, comendo juntas.




Meses depois, na cozinha do apartamento novo e com uma nova panela elétrica quadrada.
Como eu não gostei da massa quando fiz o meu hamburguer individual em falafel de feijão branco, então para os cães, resolvi assar inteiro e servir fatiado. Funcionou bem.




Já assado e fatiado, se for fazer também, espere esfriar para servir aos animais.




Margarida tem que ser servida antes, para não atacar a porção das duas menores. Observa, fareja e come.









Pipa e Olímpia farejando para ver se vale a pena.




Pipa repetindo e Olímpia lambendo os beiços.




 O rabo da Olímpia abanando de felicidade pela terceira porção.

  



Pipa em pé, para pegar antes de todos sua terceira porção. Olímpia embaixo, com uma pata a menos não fica de pé, mas de olho, atenta, esperando para ganhar também.








As receitas:
2 anos sem forno e fogão
Falafel, Kibe e Abará de acarajé
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domingo, 25 de janeiro de 2015

A mineração de ouro a céu aberto é a mineração dos ossos no maior envenenamento em massa do Brasil

80% do ouro extraído é para o mercado de jóias. Não existe mineração sustentável, seja em petróleo, ouro, diamantes ou mesmo areia. O próprio processo de perfuração, além de invasivo e erosivo, polui quimicamente todas as fontes de água, lençóis freáticos, rios e mananciais do entorno.
A mineração, junto com a pecuária, é notória em deixar outro rastro destrutivo: a devastação social das áreas onde instala-se. Os trabalhadores são sempre subempregados, a economia local acaba sucateada e não raro há registros de trabalho escravo e prostituição infantil nos incontáveis estabelecimentos clandestinos que instalam-se nessas regiões. 
O mundo é o que você compra sempre. Não compre, não financie essa covardia.





Paracatu – o maior envenenamento em massa do Brasil


Algo estranho está acontecendo em Paracatu, cidade mineira de pessoas humildes e hospitaleiras. Cresce anormalmente o número de casos de câncer. Médicos e cientistas já detectaram a causa do problema: o arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto


Paracatu é uma cidade mineira de pessoas humildes e hospitaleiras. Nos últimos anos, algo estranho está acontecendo com a saúde dessa população. Cresce anormalmente o número de casos de câncer no município, especialmente entre a população mais jovem. Em Paracatu, o número de pacientes com câncer, em relação à população em geral é muito maior que em outras regiões do estado, do país ou do mundo. Como as condições de atendimento à saúde na cidade são precárias e a maioria da população é pobre, os pacientes buscam tratamento em hospitais filantrópicos em outras cidades de Minas Gerais, Distrito Federal e São Paulo, como o Hospital de Câncer de Barretos.
Para médicos e cientistas, a causa do problema é o arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto na cidade. A solução do problema é paralisar a liberação deste veneno para o ambiente e diagnosticar e tratar as pessoas expostas ao arsênio. A EPA, agência de proteção ambiental do governo norte-americano calculou que as perdas e danos causados pelo arsênio variam entre US$1.5 milhão e US$6 milhões por cada vida humana. Desde 1987, os mais de 80 mil habitantes de Paracatu estão diariamente expostos à intoxicação crônica pelo arsênio liberado pela mineradora canadenseKinross Gold Corporation. Este é o maior envenenamento em massa de que se tem notícia na história do Brasil.
Os custos estimados com diagnóstico, tratamento e indenização das vítimas alcançam bilhões de dólares. Os impactos para a saúde das pessoas e a economia são desastrosos. Desde 2009, uma Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução pede que o poder público ofereça exames clínicos e laboratoriais a toda a população de Paracatu e obriga a mineradora a pagar todos os custos com diagnóstico e tratamento de todos os habitantes da cidade. Esta Ação Civil Pública encontra-se paralisada no fórum de Paracatu.
Pedimos aos nossos Promotores Públicos que desengavetem a Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução e ao Prefeito da cidade de Paracatu e seus auxiliares que tomem as medidas de proteção às milhares de vidas humanas de Paracatu. Como o arsênio de Paracatu está se dispersando pelo ambiente através da atmosfera e da água, pode-se afirmar que a contaminação de Paracatu é um problema de saúde pública local, regional, nacional e internacional.
SAIBA MAIS SOBRE O ENVENENAMENTO EM MASSA DE PARACATU:
Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução por Dano Ambiental e à Saúde Pública Decorrente de Carga Contínua sobre o Meio Ambiente com Pedido de Cautela Liminar, proposta pela Fundação Acangau contra a Kinross Gold Corporation e Prefeitura Municipal de Paracatu 
Arsênio liberado pela Kinross em Paracatu já está bioaccessível, revela estudo. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/arsenio-liberado-pela-k…s\ )
Professor da USP diz que incidência de câncer em Paracatu está acima da média. (http://paracatu.net/…/4148-professor-da-usp-diz-que-inciden… )
Incidência de câncer em Paracatu é altíssima, afirma médico especialista. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/incidencia-de-cancer-em… )
Le taux de cancer à Paracatu est très élevé. (http://www.brasileirosparaomundo.blogspot.de/…/le-taux-de-c… )
Envenenamento lento pelo ‘pó da herança’ descoberto em Heidelberg. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/envenamento-lento-pelo-… )
______________________________________________________
Promotor de Justiça de Paracatu: Paulo Campos Chaves
Promotora de Justiça de Paracatu: Mariana Duarte Leão
Promotorias de Justiça de Paracatu
Av. Olegário Maciel 193, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tels.: (038) 3671-5719 / -6170 / -5313/ -6584/ -5543
Fax: (038) 3671-1761 / -4033 / (038) 3672-1599
Procurador-Geral de Justiça de Minas Gerais: Carlos André Mariani Bittencourt
Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Av. Álvares Cabral, 1690, CEP 30.170-001 Belo Horizonte MG
Tel.: (031) 3330-8100/-8263. Fax: (031) 3330-6362
Secretárias:
Rosângela Borges, Tel. (031) 3330-8001, rborges@mp.mg.gov.br
Cynthia Lopes, Tel. (031) 3330-8007, gabpgj@mp.mg.gov.br
Chefe de Gabinete : Roberto Heleno de Castro Júnior (Promotor de Justiça)
Secretária: Renata Villela, Tel. (031) 3330-8220, renata@mp.mg.gov.br
Secretário-Geral : Élida de Freitas Rezende (Promotora de Justiça)
Assessora: Christiane Puliti, Tel. (031) 3330-8319, puliti@mp.mg.gov.br
Secretária: Maristela, Tel. (031) 3330-8319
Procurador Onésio Soares Amaral
Procuradoria da República em Minas Gerais
Av. Brasil, 1877, CEP 30140-002 Belo Horizonte MG
Tel.: (031) 2123-9000
PRM Uberaba
Av. Gabriela Castro Cunha nº 340, CEP 38.066-000 Uberaba MG
Tel.: (034) 3319-7900
prmura@prmg.mpf.gov.br
Prefeito de Paracatu: Olavo Remígio Condé
Vice-prefeito de Paracatu: José Altino Silva
Av. Olegário Maciel, 166, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3679-0905
gabinete@paracatu.mg.gov.br
Secretário de Saúde de Paracatu: Agostinho Martins de Oliveira
Av. Romualdo Ulhoa Tomba 157, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3671-3555
Defensor Público do Município de Paracatu: Rodolfo Ramos Caldeira
Av. Olegário Maciel 166, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3679-0905

Por Sergio U. Dani, de Bremen, junho de 2014
Há muitos anos sabemos que o arsênio é uma substância causadora de câncer e outras doenças. Aliás, o arsênio é um dos agentes cancerígenos mais potentes e persistentes. O arsênio é absorvido via
oral ou respiratória e literalmente gruda nos ossos e mata de câncer e uma série de outras doenças.
Há anos estamos divulgando essa informação em Paracatu, na esperança que o povo e as autoridades tomem providências contra o genocídio de que são vítimas, cometido pela corporação transnacional canadense Kinross Gold Corporation.
Muitos dos que “não acreditavam” que poderiam ser afetados pelo arsênio agora dão-se conta de que talvez, quem sabe? Você não precisa “acreditar” quando eu digo que o arsênio é tóxico. Eu não sou pajé ou sacerdote de uma religião qualquer. Eu sou médico e cientista, e se digo que o arsênio é tóxico, é porque estou baseado em estudos realizados por mim em minha clínica e meu laboratório, e por centenas de outros colegas médicos, cientistas e pesquisadores. Da mesma forma, você não precisa “acreditar” que não será mais uma vítima do arsênio. O arsênio não escolhe vítimas.
Suspeita-se que diversas pessoas que trabalharam na mina de ouro da Kinross em Paracatu já sejam vítimas do envenenamento pelo arsênio. Comenta-se que desde trabalhadores braçais até gerentes e diretores sejam vítimas. O arsênio não escolhe vítima.
Evidências indicam que toda a população de Paracatu seja vítima, desde a criança ao adulto e ao mais idoso, do mais pobre ao mais rico, do mendigo ao empresário, do analfabeto ao mais titulado, do pedreiro ao doutor, do mais ignorante ao mais qualificado, do vereador ao locutor de rádio, do bancário ao professor, do presidiário ao juiz que o condenou, do sacerdote crédulo ao promotor de justiça incrédulo. Acredite se quiser: o arsênio não escolhe vítima.
As águas de Paracatu – especialmente o Córrego Rico, o Córrego Santo Antônio, o Ribeirão Santa Rita, o Ribeirão São Pedro a jusante da barra do Ribeirão Santa Rita e o Rio Paracatu a jusante desses cursos d’água – estão gravemente contaminadas com o arsênio liberado pela mina de ouro da Kinross. A contaminação das águas por arsênio está muito acima dos valores permitidos pela legislação brasileira.
Em um ponto no Córrego Rico, o arsênio no sedimento do leito do córrego atingiu a concentração de 1.116 ppm, o que corresponde a uma concentração 190 vezes maior que a estipulada pela Resolução 344/2004 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e 744 vezes maior que a concentração média natural verificada nos rios e córregos da região.
O arsênio viaja longas distâncias de carona na água. Quando a água seca ou evapora, o arsênio vira pó de novo, e também pode virar gás. Estudos científicos mostram que concentrações de arsênio acima de 7 ppm no solo (como se fossem 7 graozinhos de arsênio no meio de um milhão de grãos de poeira, ou 7 graozinhos de arroz em um saco de 15 kg de arroz) já afetam a saúde humana. Quanto maior é a concentração, maior é o número de pessoas afetadas.
A poeira que se respira em Paracatu tem concentrações de arsênio até 140 vezes mais altas que a concentração acima da qual o veneno começa a causar danos à saúde humana quando é respirado.
Uma pessoa exposta ao arsênio sem querer ou sem saber, dificilmente percebe os efeitos do envenenamento crônico. A população de 80 mil pessoas da cidade de Paracatu está exposta diretamente ao risco de intoxicação, principalmente via inalação da poeira e gases emanados da mina e depósitos de rejeitos.
Outras populações estão expostas indiretamente e à distância, na medida em que o arsênio de Paracatu, dissolvido na água, está sendo persistentemente transportado pela bacia do Rio São Francisco onde entra na cadeia alimentar e, liberado para a atmosfera na forma de poeira e gás, está sendo transportado pelos ventos para outras regiões do país e do mundo.
A gravidade do cenário é de tal monta que supera a arguição de legalidade da atividade de mineração autorizada, visto que os índices oficiais de exposição tolerável não foram calculados para períodos de longa exposição diária e várias vias de ingestão, inalação, absorção e resorção concentradas num mesmo ambiente: solo, atmosfera, água, alimentos, e o próprio compartimento humano.
Hoje já existem testes laboratoriais e clínicos capazes de indicar o seu envenenamento pelo arsênio da genocida Kinross. O genocídio culposo não gera processo criminal, mas gera a obrigação de indenizar as perdas e os danos. Em caso de dúvida, nossa equipe de médicos e advogados coloca-se à disposição para esclarecimentos.

Barragem de rejeito da Rio Paracatu Mineração

Por Sergio Ulhoa Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 26 de março de 2011
A radiação do reator nuclear avariado de Fukushima, Japão, chegou à Europa ontem viajando milhares de quilômetros com o vento. Foi um acidente limitado no tempo e a quantidade de radiação não afeta a saúde dos europeus, informam os cientistas daqui. O arsênio liberado diariamente pela transnacional canadense genocida Kinross Gold na cidade de Paracatu, noroeste de Minas Gerais pode ser carregado pelo vento para as regiões mais ricas do Brasil, onde continuará sua saga genocida durante séculos ou milênios. Ao contrário da radiação acidental e passageira de Fukushima, a poluição de Paracatu é diária, persistente, autorizada e legalizada por governantes corruptos e técnicos ignorantes.
O arsênio é liberado da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil e também a mais venenosa do mundo. Para cada grama de ouro retirado das rochas da mina de Paracatu, a mineradora genocida solta mais de um kilograma de arsênio para a atmosfera, os solos e as águas. Isso mesmo: para cada parte de ouro, são duas mil e quinhentas partes de arsênio puro que, traduzido em letalidade significa que cada grama de ouro extraído desagrega arsênio suficiente para matar 17.500 pessoas.
Como a Kinross promote liberar um milhão de toneladas de arsênio nos próximos 30 anos de mineração de ouro autorizada e legalizada em Paracatu, a massa total e letal de arsênio liberado terá potencial para matar ou adoecer cronicamente sete trilhões (7.000.000.000.000) de seres humanos. As autoridades corruptas de Minas Gerais e do Brasil que receberam “pagamentos facilitadores” da mineradora canadense para autorizar o genocídio com “emprego e renda” batem palmas. Na cidade de Paracatu, crianças já estão morrendo antes de nascer e jovens e adultos estão adoecendo e morrendo antes da hora [1].
Como o arsênio se dispersa tanto pela água quanto na forma de poeira e gás, está sendo levado pelo vento para centenas ou milhares de quilômetros de distância da mina de Paracatu. A figura deste artigo, retirada do site do CPTEC-INPE [2] ilustra essa possibilidade: os ventos que passaram por Paracatu ontem dirijiram-se para o triângulo mineiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.
Mesmo depois de encerrada a mineração de ouro, o arsênio liberado pela genocida canadense garantirá uma poluição persistente durante séculos ou milênios, soprando todo dia em cima das regiões mais ricas e produtivas do Brasil e América do Sul.
Referências:
[1] Resultados de levantamento preliminar que a mineradora e seus consultores de aluguel conduziram apontam para aumentou do número de abortos espontâneos e câncer após o início da mineração a céu aberto em Paracatu:
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/abortos-espontaneos-em-paracatu.html
e
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/cresce-o-numero-de-casos-de-cancer-em.html.
http://almacks.blogspot.com/2011/03/vento-pode-levar-o-arsenio-de-paracatu.html. Enviada por Zuleica Nycz.

A mineração dos ossos

Um dos venenos mais antigos, potentes e persistentes, o arsênio – associado ao ouro e liberado na extração desse metal precioso em rocha dura – acumula-se nos ossos e causa grave intoxicação. Danos não são instantâneos, nem evidentes.
A maior mina de ouro do Brasil está situada em Paracatu, na região noroeste de Minas Gerais, assentada sobre os escombros de um asteroide que colidiu com a Terra há bilhões de anos, trazendo do espaço um tesouro venenoso: grãozinhos de ouro incrustados em arsenopirita, o principal minério de arsênio. Este artigo aponta os efeitos retardados dessa colisão ‘lucrativa’ e relata o descaso, no Brasil e no mundo, em relação ao problema.
O arsênio é um elemento químico do grupo dos ‘metaloides’ ou ‘semimetais’ – os que apresentam algumas das propriedades físicas de um metal. O arsênio também é considerado um elemento ferrofílico, por ter a propriedade de se associar ao ferro e às rochas. Além dos asteroides, as erupções vulcânicas são importantes fontes naturais de emissão desse elemento para a biosfera.
Para os seres vivos, o arsênio é um veneno. Ele atua como substituto instável do fósforo em ampla gama de processos bioquímicos e nutricionais, impedindo o funcionamento normal do organismo e causando danos à saúde

Para os seres vivos, o arsênio é um veneno. Ele atua como substituto instável do fósforo em ampla gama de processos bioquímicos e nutricionais, provocando os chamados ‘ciclos metabólicos fúteis’, ou ineficazes, que impedem o funcionamento normal do organismo e causam danos à saúde. A existência de genes de resistência ao arsênio nos genomas de quase todos os organismos é um indício forte da toxicidade desse veneno e de sua presença nos ambientes terrestres nas épocas das extinções em massa, causadas por colisões de asteroides e/ou por intensa atividade vulcânica: os organismos que sobreviveram foram os que tinham genes de resistência ao arsênio. 
Não há dose segura para o arsênio, e não existe diferença de toxicidade entre sua ingestão e sua inalação. Há, entretanto, diferenças entre suas formas orgânicas e inorgânicas e entre os efeitos agudos e crônicos. As formas inorgânicas são em geral mais tóxicas que as orgânicas, embora umas possam se transformar nas outras.
Um dos compostos inorgânicos comuns do elemento, o trióxido de arsênio, é um veneno inodoro e insípido, conhecido desde a Antiguidade e usado como o ‘pó da herança’ por alguns herdeiros impacientes. Apenas um grama desse veneno é suficiente para matar, em poucas horas, até sete pessoas adultas. Estudos científicos revelam que a exposição, ao longo de anos, a quantidades bem menores – poucas partes por bilhão (ppb), ou seja, poucos microgramas por quilo (μg/kg) – causa um catálogo de doenças e debilidades crônicas, de lesões de pele a doenças hematológicas, imunológicas, metabólicas, respiratórias, cardiovasculares, gastrointestinais, hepáticas, renais e neurológicas. Isso inclui várias formas de câncer: o arsênio está no topo da lista dos agentes carcinogênicos.

A arsenopirita é geralmente associada ao ouro (pontos dourados). Na mina de Paracatu, a concentração média de ouro é de 0,4 g por tonelada; já a de arsênio é de mais de 1 kg por tonelada. (foto: cedida por Ross Large/ Universidade da Tasmânia)
Os envenenamentos agudos por arsênio são casos isolados, caracterizados pela inibição da respiração celular, seguida de morte. O uso desse elemento para cometer assassinatos é uma prática popularizada em romances e filmes, como a comédia macabra Este mundo é um hospício (Arsenic and old lace, no título original, de 1944), de Frank Capra. A intoxicação crônica é menos conhecida, embora comum; ela afeta, no mundo, centenas de milhões de pessoas, expostas às quantidades crescentes de arsênio liberadas continuamente no ambiente por certas atividades humanas, entre elas a mineração de ouro e a queima de combustíveis fósseis e o uso de águas subterrâneas contaminadas.
O arsênio liberado em atividades humanas é chamado de ‘antropogênico’. Quantidades anormalmente altas de arsênio na água, em alimentos e em material disperso na atmosfera (poeira e gás) quase sempre indicam contaminação antropogênica. Em várias partes do mundo têm sido constatadas intoxicações crônicas de populações humanas, mas em geral os casos são negligenciados, em razão do longo período de latência (tempo entre a exposição ao veneno e a manifestação das doenças) e por conta de conveniências políticas e econômico-financeiras.

Questão mundial 

Há séculos, o arsênio tem sido usado como veneno e como droga. Há mais de 2,4 mil anos, esse elemento faz parte da farmacopeia tradicional chinesa. O conhecimento científico dos seus efeitos sobre a saúde humana foi impulsionado, a partir do século 18, pelos casos de intoxicação de operários da indústria extrativa. Entre os estudos sobre os efeitos do arsenato sobre as enzimas, destacam-se os trabalhos pioneiros dos enzimologistas mais notáveis do século 20, entre os quais o alemão Otto Warburg (1883-1970), o norte-americano Frank Weistheimer (1912-2007) e o irlandês Henry B. F. Dixon (1928-2008).
Na Alemanha, entre 1920 e 1942, os chamados danos tardios do arsênio foram notados após muitos anos de exposição ao veneno e mesmo anos depois que esta terminou
Na Alemanha, a intoxicação crônica de milhares de pessoas por arsênio, entre 1920 e 1942, nas regiões do Kaiserstuhl e vale do rio Moselle, foi descrita detalhadamente em estudos científicos e relatórios oficiais. A intoxicação foi causada pelo uso de inseticidas à base de arsênio em plantações de uva dessas áreas vinícolas tradicionais do sudoeste do país. Os chamados danos tardios do arsênio foram notados após muitos anos de exposição ao veneno e mesmo anos depois que esta terminou.
O período de latência variou de três a 50 anos (média: 26 anos), dependendo principalmente da quantidade de arsênio absorvida. Em 2013, atuando como médico na Alemanha, examinei dois pacientes idosos sobreviventes dessa intoxicação em massa. O uso de inseticidas contendo arsênio só foi proibido na Alemanha após o surgimento de inseticidas sem esse elemento. Hoje, os sindicatos de viticultores alemães reconhecem a intoxicação crônica e as vítimas têm direito a indenizações.
O arsênio também é a causa do maior envenenamento em massa da história da humanidade: a atual epidemia de arsenicose em Bangladesh e na região de Bengala Ocidental (Índia) afeta milhões de pessoas e mata centenas de milhares por ano de diversos tipos de câncer e outras doenças. Essa tragédia tem sido documentada em numerosos estudos científicos e relatórios oficiais, publicados a partir da década de 1990. O gatilho foi a perfuração indiscriminada de cerca de 12 milhões de poços tubulares de água em subsolo contendo depósitos minerais de arsênio.