sábado, 5 de março de 2016

Os incríveis produtos biodegradáveis, não testados e low-no poo da Tulipa Produtos Naturais



Adriana Volpi é uma antiga leitora e compradora do "Festa Vegetariana" que, como muitas leitoras, demonstrou interesse em cosméticos naturais e segundo ela, conversamos muito na época. Eu não lembro dessas conversas, o que me mata de remorso.
Os anos foram passando e na pressa do dia a dia, via Adriana comentar uma coisa ou outra na página do blog no facebook. Às vezes, aparecia entusiasmada por estar fabricando cosméticos naturais e eu procurava dar atenção, mas sem muita importância, achei que fazia suas máscaras em argila como todo mundo.
Há um ano, escreveu empolgadíssima com sua linha de cosméticos e me mostrou alguns produtos por email, prontificando-se a enviar amostras quando estivesse tudo pronto.
Mais uma vez, o tempo passou e eu nem prestando atenção... Até que ela apareceu com uma página no facebook e um catálogo de seus produtos totalmente formulados e embasados em veganismo e low poo, a Tulipa Produtos Naturais.

Foi a minha vez de escrever empolgada para ela e Adriana, na maior naturalidade, "Ué, mas eu comecei com a Tulipa depois da nossa conversa, não lembra? Já estudava cosmetologia natural há 15 anos, mas nossa conversa me estimulou."
Não, não lembro dessa bendita conversa. Infelizmente.
Perguntou o que eu queria desse imenso catálogo e eu escolhi parcimoniosamente apenas 2 produtos, em tamanho de amostrinha, para não explorar quem está começando. Respondeu que estavam em "cura", curando, mas que enviaria em breve.
O tempo passou e eu comprando produtos de outras leitoras, também fabricantes de low e no poo, vegano e biodegradável.

Um dia, recebo email da Adriana dizendo que enviou um pouco de cada, porque minha opinião seria importante. Mais uma vez, não botei muita fé e fiquei esperando a entrega pelos correios, que chegou a extraviar.
Então, quando finalmente, os produtos da Tulipa chegaram aqui em casa, eu abro uma caixa grande e pesada e me deparo com o exagero da foto!
Respondi imediatamente numa conversa cheia de frases como "Tá maluca?", "Que vergonha, é muita coisa!", "Ferrou, vou passar o final de semana me besuntando no box..." e da parte dela muitos "KKKKKK".
Rindo de mim e com toda razão.


O que Adriana enviou (e eu adorei):

Máscara capilar de romã: com sete óleos essenciais, manteiga de cupuaçu e de karite, óleo extravirgem de abacate e hidrolatos de alecrim, gerânio e romã, também pode ser usada como leave in.
Não uso condicionador há anos, usei como leave in nas pontas. Achei mais hidratante do que a de ceramidas abaixo, mas pode ser impressão minha, apliquei numa fase de cabelo palha e ficou muito sedoso.

Máscara capilar de ceramidas: que ela chama de "cimento capilar" para blindar o fizz, com gerânio, cedro, tomilho, melaleuca, hibisco e óleo de cártamo, também pode ser usada como leave in.
Como não uso condicionador, virou leave in para as pontas. O cheiro de rosas é delicioso, achei mais leve do que a de romã acima, mas também deixou meu cabelo muito sedoso, nem pude aplicar na raiz para não ficar melado.

Condicionador capilar de 3 manteigas: com óleo de semente de uva, pequi, buriti e rosa mosqueta, também pode ser usado como leave in.
Na minha opinião, pareceu no meu cabelo a mais densa das três. Mesmo diluída em água na proporção meio a meio, meu cabelo ficou melado usando como leave in e olha que meu cabelo é meio seco e muito fino, cheio de volume. É tão forte que só consegui usar antes da natação, deve ser o sonho de quem tem um cabelo elétrico, poroso ou destruído por alisamentos e descoloração. Imagino também que seja ótimo para fazer escova e chapinha, aplicar na sauna ou na praia.
Adriana garante que esses cremes podem ser aplicados da raiz para as pontas, que trata o couro cabeludo sem melar.

Tônico capilar em bambu: com juá, cravo, canela, alecrim e tomilho. Para aplicar por algumas horas antes da lavagem, fazendo massagem no couro cabeludo. Recomendado para queda e demais problemas do couro cabeludo.
Não deve, mas eu apliquei antes de dormir e só lavei pela manhã. Esquentou a cabeça! Mas a higienização do couro cabeludo foi incomparável.

Água de limpeza capilar em juá: com copaíba, substitui o uso de xampu em definitivo, recomendada para queda e problemas do couro cabeludo.
Muito boa para quem não emplastra o cabelo de cremes e pomadas. Eu gostei de usar naqueles dias em que não queremos nem saber de outros produtos no cabelo. Faz uma dobradinha interessante com o soro capilar citado mais abaixo, ambos têm natureza mais fluida. É uma experiência interessante, você molha o cabelo com um líquido incolor e inodoro e sente que o cabelo foi desinfetado como com anti resíduos de salão.

CoWash no-poo: para quem entrou de cabeça no no-poo, tratamento condicionante em óleo de coco saponificado e óleos essenciais.
Eu gostei muito para "lavar" o cabelo depois da praia.

Soro Capilar: um finalizador anti fizz com proteínas do arroz e aloe vera, para aplicar no cabelo seco ao longo do dia.
Eu usei no cabelo úmido e gostei muito também, deixou um brilho excepcional sem pesar nem melar.

Sabonete de Castela a 85% de azeite de oliva: o mais nobre de todos os sabonetes, desenvolvido para a Família Real de Castela durante a Idade Média, também serve como xampu sólido.
Bom para todo dia, não resseca nada, maravilhoso para ajudar a remover a maquiagem no banho e lavar sempre o rosto.

Sabonete de lama negra: esfoliante com carvão vegetal e gergelim negro, também serve como xampu sólido.
Adorei me esfregar com ele depois de suar o dia todo, faz uma esfoliação suave. Para quem tem cabelo oleoso, pode ser uma boa também.

Desodorante em creme: vegano em óleo de côco, óleo de copaíba, manteiga de cacau, hidrocarbonato de sódio, óxido de magnésio (suave suplementação de magnésio para nosso organismo), calamina mineral (inibidor bacteriano e proteção UVA e UVB, hipoalergênico) alúmen de potássio (mineral), água destilada, óleos essenciais de lavanda dentata, lavanda francesa, lavandin, melaleuca, patchouli e gerânio. 
Pode ser usado nas axilas e pés. Usei em dia de calor com camisa de tecido sintético e não senti necessidade de reaplicar, tem alumínio mas foi o primeiro desodorante natural que funcionou comigo. Cheiro delicioso, que não fica na roupa.

Água Micelar facial: com FPS 25, um tônico para ser usado por baixo da maquiagem sem enxágue, formulado com hidrolatos de lavanda e gerânio, águas termais, pepino camomila e chá verde.
Nunca havia usado loções tônicas faciais nem águas termais, gostei muito.
Usei em dias de muito calor sem nenhum outro produto e meu rosto não suou nem apresentou pontos avermelhados comuns em exposição moderada ao sol, senti a pele muito macia o dia todo. Adorei também por baixo de qualquer creme facial.
Delícias de verão: chegar da praia, tomar um banho frio com o sabão de Castela, se secar e aplicar essa água no rosto.

Creme facial-corporal de rosas e lanolina: com água de rosas, manteiga de cupuaçu, gerânio e pau rosa. Rico em vitamina C, recomendado para peles normais a secas.
Cheiro de rosas delicioso, adorei aplicar no rosto depois da praia, uma delícia para dormir mesmo no calor. Tão bom, que não tive coragem de "desperdiçar" no corpo, mas é ideal para massagem a dois.
A pele absorve na mesma hora, apliquei uma camada grossa antes de ir para um samba de quadra de escola no pé do morro em tarde de verão, suei de pingar e nem sinal do creme, que eu fiquei esperando escorrer. Só não deve ser usado durante o dia, por causa da vitamina C.

Vinagre em gel de maçã e alecrim: um produto tão diferente, com usos recomendados da fixação da tintura nos cabelos à massagens locais em quem sofre de reumatismo e até desodorante para axilas, que estou deixando o link, porque não consegui sintetizar tudo.
Eu usei como máscara semanal removedora de resíduos e tratamento pós tintura, muito bom, o brilho e a sedosidade foram de destacar. Mas imagino que seja uma boa também para quem sua muito nos pés ou tem problemas de cravos e espinhas nas costas.
Detalhe, a textura em gel foi obtida a partir da adição de goma gar e o vinagre é de produção orgânica.



Estou evitando dizer do que gostei mais por ser tudo muito bom, lindo e cheiroso. Mas principalmente, para que ninguém deixe de experimentar nada, porque outra pessoa escreveu em certo blog que prefere um determinado produto em detrimento do que você pensou inicialmente em levar. Prove de tudo!
Se é para consumir, que seja assim, comprando vegano, biodegradável e produzido artesanalmente direto de quem vende. Já encomendei do que mais gostei e também do que ainda quero conhecer e, assim que chegarem, devolvo as embalagens para que ela reaproveite.





Mais informação:
Outras curas
Fazendo baton em casa
Como funcionam testes em animais
Desodorantes veganos sem alumínio
O emplastro de inhame com gengibre (e argila)
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas da vovó
Como funciona a indústria de cosméticos: toxidade e poluição irregulares
06 substâncias perigosas e 09 de origem animal que usamos inocentemente no dia a dia

#KillTheKCup - Precisamos falar sobre o Nespresso



O problema não é exatamente o Nespresso, mas todo café vendido em cápsulas, como o Lavazza, Pilão, o Três (da Três Corações) e os demais genéricos, que são fabricados à moda do hypado Nespresso.
Esses cafés em cápsulas são uma praga, não dá para definir de outra forma. No lugar de um único e imenso saco de café, são vendidas por tabela milhares de cápsulas em plástico e alumínio, que não reciclam. Pior, os cafés nem são orgânicos, como as versões lácteas tampouco apresentam qualquer compromisso ambiental ou certificado de procedência.Como não há nada tão ruim que não possa piorar, agora, deram para vender chás em cápsulas, que obviamente só funcionam na máquina específica.Ora, chá é uma erva seca que não precisa ser gourmetizada, para fazer chá basta água fervendo e um pouco da ervinha escolhida. Os mais novidadeiros misturam sabores (eu gosto de misturar hortelã com camomila), pingam limão, juntam um cravinho (pau de canela, raspas da laranja, gengibre, cardamomo...), um pouco de leite fresco e estamos muito bem ajeitados.
Antes do advento dos saquinhos de chá, que pelo menos se biodegradam, as pessoas coavam o chá (comprado em quantidade sem muitas embalagens) em coadores metalizados reaproveitáveis. Havia até modelos em prata individuais para os mais chiques e as casas de chá também mantinham bules com coador embutido. Um charme, via-se a água mudar de cor ao contato da erva e o encontro das pessoas para um chá ou café era considerado quase um ritual.
O inventor dessas cápsulas, declarou-se publicamente arrependido de seu invento, já que a mineração do alumínio é um poluidora como todas as outras. E o metal utilizado nas cápsulas, que é necessário para produzir coisas mais importantes do que embalagem descartável, não pode ser reciclado e vai acabar extinto no ritmo atual.
A cidade alemã de Hamburgo proibiu recentemente a comercialização de cafés e bebidas em cápsulas em prédios públicos, afinal as já existentes podem dar a volta ao globo 12 vezes se enfileiradas.


Ao mesmo tempo em que temos esse excesso de comida industrializada e embalada sendo vendida, encontramos um grande movimento a favor da retomada de tradições gastronômicas para que as mesmas não se percam. O chá e café são as bebidas mais tradicionais de quase todos os povos, justamente porque garantem que a água seja fervida. Muitos estabelecimentos oferecem café coado em coador de pano servido em minixícaras de ágata, expressos com torragem dos grãos na hora, ervas para chá a granel expostas em vidros e variadas formas já consagradas de servir uma bebida caseira, tradicional, sofisticada (gourmetizada) e totalmente sustentável. 



Como adoro chá e café e faço litros semanais sem cápsulas e máquinas modernas, deixo ao final da postagem muitas receitas caseiras, orgânicas, sem açúcar e o mais livre de embalagem possível, incluindo muitos cafés gourmetizados com ingredientes corretos, como favas de baunilha orgânicas. Fazer em casa não é só mais sustentável, como sai muito mais barato.
Mas você deve estar pensando, "Eu compro tantos potinhos plásticos de iogurte grego com tampinha de alumínio e não reciclo nada". Exatamente, ninguém precisa de potinhos de nada, você pode fazer em casa iogurte orgânico de fermentação natural, a mesma receita que os gregos realmente usam desde a antiguidade. Estou deixando essa receita também, para você ficar livre de potinhos seja lá do que for. Comida não precisa de composição de ingredientes, comida não é remédio para vir com bula.
E nem pense em sugerir cortininhas-bijuterias da reciclagem artesanal com essas cápsulas famigeradas, odiamos reciclagem artesanal por aqui. É medonho e insustentável.



Cidade alemã torna-se a primeira no mundo a proibir cápsulas de café
... a cidade alemã de Hamburgo tornou-se a primeira no mundo a proibir a venda e a utilização de cápsulas de café individuais em todos os prédios administrados pelo governo. Essas porções geram consumo de recursos e descarte de resíduos desnecessários. As cápsulas não podem ser recicladas facilmente porque são, muitas vezes, feitas de uma mistura de plástico e alumínio. São 6 gramas de café em 3 gramas de embalagem. Nós, em Hamburgo, pensamos que isso não deve ser comprado com o dinheiro dos contribuintes, relatou Jan Dube, do Departamento de Meio Ambiente e Energia de Hamburgo.
O movimento, que é apenas uma parte da tentativa de tornar a cidade mais sustentável e amiga do ambiente, vem em resposta à recente explosão dessas cápsulas nos últimos anos. As vendas de cafés individuais triplicaram na Europa Ocidental e nos EUA desde 2011, e em 2013, máquinas para tais cápsulas foram vendidas na Europa Ocidental pela primeira vez.
Em 2014, os principais fabricantes venderam cerca de 9,8 bilhões de pacotes de cápsulas, e apenas 5% das pessoas faziam a reciclagem (o que também provavelmente não adiantou muito, por conta da dificuldade do processo). Embora a principal empresa produtora, Keurig, tenha se comprometido a criar uma versão totalmente reciclável do produto em 2020, os próximos 4 anos podem causar um dano terrível ao ambiente, dizem os especialistas. “Não importa o que eles digam sobre a reciclagem, essas coisas nunca serão recicláveis. Eu às vezes me sinto mal por ter criado isso”, disse John Sylvan, fundador da Keurig e inventor da cápsula de café, em entrevista ao The Atlantic.
Atualmente, cerca de 13% das pessoas na Alemanha consomem essas cápsulas diariamente. Nos EUA, a percentagem de pessoas com uma máquina de café encapsulado aumentou de 15% para 25% entre 2014 e 2015. O que é realmente preocupante é saber que as pessoas continuam usando mesmo conscientes sobre seus malefícios. De acordo com uma pesquisa recente, 1 em cada 10 britânicos disse acreditar que as “cápsulas de café sejam muito ruins para o Meio Ambiente”, mas, ao mesmo tempo, 22% dessas pessoas alegaram possuir uma máquina.
Assim como canudos, guardanapos, talheres, copos e outras coisas descartáveis, as cápsulas de café entraram na lista de uso diário de muita gente. Entretanto, parece que ninguém reflete muito sobre uma questão simples: para onde todas essas cápsulas descartadas vão?
Só em 2013, 8 milhões de cápsulas descartáveis foram produzidas e o número de cápsulas descartadas já era suficiente para dar a volta ao mundo 11 vezes. Com versões mais baratas de máquinas e cápsulas lançadas nos últimos dois anos, além do incentivo fiscal anunciado pelo governo brasileiro esse ano, o número de pessoas consumindo e descartando cápsulas de café aumentou ainda mais no Brasil.
O grande problema, além do uso de matérias primas, é que as cápsulas de café são recicláveis na teoria, mas na prática é trabalhoso demais e não vale a pena o investimento. As cápsulas descartáveis são feitas de plástico, alumínio e um tipo de material orgânico. A reciclagem exigiria a separação desses materiais, isso sem falar que, no Brasil, apenas 3% do lixo reciclável é realmente reciclado.
As primeiras cápsulas descartáveis foram as K-Cups e seu criador, John Sylvan, se arrependeu de criá-las devido ao imenso impacto gerado por sua criação. “Não importa o que digam, as cápsulas nunca serão recicláveis”, afirmou ele ao jornal The Atlantic.
No Brasil, nós não temos as K-Cups, mas a Nestlé conta com as cápsulas de três camadas, que só são recicláveis na teoria, e a Nespresso alega que suas cápsulas são feitas 100% de alumínio, o que facilitaria a reciclagem. O problema é que a própria empresa conta com pouquíssimos pontos de coleta de cápsulas no país (apenas 12), dificultando até para as pessoas que têm interesse em fazer essa devolução.
Isso quer dizer que a cada café, estamos poluindo ainda mais o meio ambiente. Milhares de cápsulas descartáveis vão parar em aterros sanitários ou lixões, garantindo não só uma extração de papel, plástico e alumínio insana para produção e embalagem, como também emissão de CO2 e gás metano durante o apodrecimento das cápsulas a céu aberto.

Uma campanha da internet chamada #KillTheKCup mostra os danos causados pela produção e descarte dessas cápsulas e convoca as pessoas a entrarem nesse movimento. O vídeo apocalíptico com pouco mais de 2 minutos de duração mostra as cápsulas literalmente assolando a terra. Vale assistir e pensar duas vezes antes de tomar aquele cafezinho em cápsula. Opte pelas opções coadas ou prensadas e ajude a salvar o planeta das cápsulas descartáveis.



Kill The K Cup from Charles Wahl on Vimeo.



A primeira imagem, das cápsulas de Nespresso, são do artigo YOU’RE DESTROYING THE ENVIRONMENT WITH YOUR K-CUP COFFEE AND NESPRESSO PODS 
As três imagens seguintes registram 3 tradições em beber café: mineira (site do Centro de Comércio de Café do Estado de Minas), italiana (sem créditos) e árabe (site francês Papilles & Pupilles)
A quarta imagem, uma coleção de bules de chá chineses antigos específicos para a cerimônia do chá, é de um banco de imagens (depositphotos.com)
última é antiga aqui no blog, da cozinha daqui de casa e já estava na postagem dos cafés da manhã de inverno. O coador de papel reciclado se biodegrada em dias, principalmente se enterrado em vasos ou na composteira, use café orgânico que a ausência de agrotóxicos acelera o processo. O que é lixo na casa dos outros, na minha é adubo.






As receitas:
Kefir e iogurte
Delícias geladas
Delícias quentinhas
Slow Tea: chás e especiarias orgânicos
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Você compra demais ou "De onde vem o lixo produzido no mundo?"

domingo, 3 de janeiro de 2016

O reflorestamento no Pão de Açúcar



Não lembro mais como cheguei nele, mas acredito que todo carioca já tenha pelo menos ouvido falar de Domingos Sávio Teixeira, responsável pelos mutirões de reflorestamento no Pão de Açúcar.
Nascido no Mato Grosso do Sul e criado em Rondônia, Sávio foi eleito um Carioca Nota 10 pelo trabalho sério que conduz reflorestando a encosta do cartão postal carioca há 13 anos. O trabalho começou solitário e por conta própria, com a decisão do próprio Sávio em adotar uma área para reflorestamento.
O grupo foi crescendo, amigos indicaram amigos, desconhecidos gostaram, o Rotary e o CERJ sempre prestigiavam e até a seleção feminina de vôlei universitário de Nashville fez questão de reflorestar quando em visita ao Rio. Enfim, reflorestar com o Sávio virou de lei, e eu embarquei nessa, é claro.
Falto mais do que vou, é verdade, mas fiz questão de divulgar porque é um trabalho muito merecido.

Como estava antes, foto dos anos 80, retiradas do blog do Sávio que mostra a área tomada por capim:




Como ficou depois de muita gente subir e descer essas encostas carregando mudinha, foto de 2013:




O que atrapalha um programa de reflorestamento: Incêndios Florestais (normalmente causados por balões), espécies não nativas invasoras, falta de apoio, a ignorância das pessoas e claro, trilheiros despreparados que pisam nas mudinhas recém plantadas, a poluição, o aquecimento global e a crise hídrica.

Veja nas fotos abaixo, retiradas do blog do Sávio, como ficam as áreas após os incêndios:






Sávio recebendo o Prêmio Parceiro do Meio Ambiente pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, na reportagem da Veja Rio como Carioca Nota 10, resgatando balas de canhões que eram atiradas no local, a entrada da baía, e mais uma foto do blog do Projeto, mostrando uma área de difícil acesso para reflorestar.








Minha experiência no último mutirão:






Todos adoramos jaqueiras, espécie não nativa brasileira que alastra como uma praga e expulsa nativas menores. Enquanto um grupo cata as sementes de jaca caídas, para evitar que brotem, outra jaca recém caída, descansa bem ao lado, cheia de sementinhas.




Outra espécie não nativa que também é um pesadelo na Floresta da Tijuca, a popular "comigo ninguém pode".




Uma figueira majestosa, que dá frutos:














A muda de pitangueira protegida para vingar.






De cima, só dá para ver a casinha dele, mas por debaixo da concha, o tamanho e as antenas desse caramujo impressionam.



Mesmo que trilhas e reflorestar não sejam a sua, a pista Claudio Coutinho é o passeio imperdível no Rio, pela beleza e segurança.






Boa sinalização na trilha e pista de corrida mais conhecida do Rio, a pegada da Transcarioca e um ponto de descarte de pilhas e baterias.








Quem for trilhar e reflorestar, faz como essa moça, sobe uma trilha simples e sinalizada na mata que circunda a trilha com toda segurança para pessoas de todas as idades, inclusive crianças.




Na saída da pista Claudio Coutinho, a boa, um lanchonete árabe nova, onde antes funcionava uma lanchonete ruim com joelhos e coxinhas brutos. A Urca é um bairro nobre, sua orla ficou famosa pela murada onde bebe-se cerveja a preços altos. Como eu nunca curti essa badalação toda, acabava deixando para lanchar perto de casa depois dos passeios. Agora, a lanchonete árabe, barateira e afastada da badalação, virou o point de quem lancha com corda de escalada no colo e precisa comer bem e barato.






Por que reflorestar? Porque está um calor infernal, já é um bom começo. Porque a manutenção de árvores aumenta a precipitação de chuvas e ajuda a manter o volume dos rios, principalmente em áreas de matas ciliares. Porque embeleza, atrai a fauna nativa - geralmente expulsa com queimadas e degradação, porque ainda nem mapeamos todas as nossas espécies nativas da flora brasileira e com isso, não temos a menor ideia do potencial dessas plantas. Porque as não nativas invadem indiscriminadamente, expulsando as mesmas nativas ainda não estudadas. Porque tem que ser feito.


Blog Oficial do Projeto de Recuperação Ambiental no Pão de Açúcar: Paodeacucarverde.blogspot.com.br/

Página Oficial do Projeto no Facebook: Projetopaodeacucarverde




Mais informação:
Na Jureia: o SNUC
O mito do reflorestamento de eucalipto
Turismo sustentável: 10 pecados naturais
O mito das emissões de carbono neutralizadas
Manifesto em defesa das Unidades de Conservação
“Se foto bonita divulga, por que os parques dificultam?”
Como funciona um programa de compensação ambiental

sábado, 2 de janeiro de 2016

Mais delícias geladas

Uma postagem antiga e muito popular é a "Delícias geladas" com bebidas caseiras para essa época do ano em que morremos de sede o dia todo, cheia de chás gelados, suco da folha do capim limão, refrescos com inhame cru e invenções minhas em kefir e carambola, delícias para todos os gostos.

Toda bebida pronta é crime de hidropirataria, um único litro de cerveja-refrigerante consome no mínimo 30 de água para ser fabricado. Onde hoje existe uma fábrica de bebidas, amanhã haverá solos desertificados, fontes de água secas, instalações industriais abandonadas, economia local sucateada e um quadro de abandono social devastador. Não exagero, já existem documentários premiados acerca, leia e assista a partir de links nas postagens "Flow, por amor à água", "Nestlé mata fontes de São Lourenço, a PureLife é uma água química", "Por Deus, pela pátria e pela Coca-Cola", "Hidropirataria nas águas de São Lourenço", "Cachaçaria certificada como orgânica seca lagoa de reserva indígena", "Empresa japonesa instalada no Aquífero Guarani exporta água mineral engarrafada", "A história da água engarrafada", "Ouro Azul: A guerra mundial pela água".
A hidropirataria, na minha opinião, é o grande crime ambiental do século XXI, ninguém rastreia e seus resultados, além de levar décadas para aparecer, muitas vezes são irreversíveis.

Convém lembrar que todo processo industrial polui e demanda transporte para entrega ao consumidor, transporte feito emitindo CO2, já que nossa rede ferroviária é praticamente nula. O Brasil é o único país do mundo que transporta minério de ferro em caçamba de caminhão, não vistoriado com um motorista exausto numa estrada toda esburacada.

O processo industrial por detrás do consumo de bebidas prontas está matando a gente e o planeta. Alguns supermercados vendem sucos de frutas naturais feitos no mesmo dia e até água de coco a litro. As garrafas são plásticas, mas podem estimular um programa de retorno de engradados, como as fábricas de refrigerante faziam antigamente.

A prateleira da minha cozinha é forrada de potes cheios de ervas secas para chá, compradas a granel por 1/3 do valor da erva empacotada do supermercado. Mate, camomila, lavanda (para colocar nos bolos e panquecas integrais), erva cidreira (ou capim limão)...

Aqui no Rio, bebe-se muito mate gelado batido com alguma fruta, à moda das vitaminas, em morango e abacaxi com hortelã são as versões mais populares
Você pode fazer muitos chás gelados ou não em substituição às bebidas prontas, além de sair muito mais em conta, basta ferver água (da torneira), apagar o fogo e juntar a erva escolhida deixando tampado para fazer a infusão. O próprio hábito de beber chá já é uma justificativa para manter uma horta caseira.

Para quem prefere fruta e seus refrescos: Polpa de maracujá congelada, da própria fruta, basta retirar as sementes e congelar, você faz suco, chá com sucolassi e até mousse em qualquer época do ano. Normalmente, o feirante vende sacos de 1kg a preço simbólico no finalzinho da feira, antes de encerrar, ele aproveita os maracujás "feinhos" que não tiveram saída. Polpas de fruta em geral, congeladas, não são a melhor opção, mas pelo menos demandaram muito menos energia, água e embalagem do que uma garrafa de suco. Algumas marcas, já vendem polpas de frutas orgânicas
Casca de abacaxi congelada, a que sobrou e ia para o lixo, basta congelar picada em pedaços. Rende suco, chás (em canela ou hortelã-poejo) e até uma calda de sorvete, se fervido o suco coado com rapadura. 

O grande apelo da alimentação natural, na minha opinião, é a capacidade de adaptação, a partir de uma fruta-vegetal, você pode preparar bebidas e pratos com as consistências e texturas as mais variadas. Como todo mundo, tenho as minhas manias, então abaixo, trago o que tenho curtido fazer aqui em casa. 










A obsessão do chá de hibisco. Flores secas compradas a granel, feito na infusão para ficar nessa cor linda de vinho tinto. Não adoço nem junto gengibre, bebo puro e gelado, bem forte. Bebo não, me encharco porque adoro de paixão.



A leveza da água aromatizada de abacaxi com hortelã ou de melancia com melão e gengibre, para aqueles dias em que dá vontade de tomar jarras do suco, mas ninguém quer ficar empanzinado depois de comer arroz com feijão. Para todas as receitas dessas águas chiques, levinhas e sustentáveis, vá na postagem "Águas aromatizadas".
A casca do abacaxi vira o incrível chá de casca de abacaxi com canela (e gengibre, opcional).












Refresco de compota. Esse já apareceu em goiaba aqui no blog, está na postagem "2 anos sem forno e fogão", mas o feitio vem agora. Basta fazer uma compota-geleia simples de qualquer fruta seca ou fresca das polpudas, cozinhando a mesma em água sem qualquer adoçante-açúcar até amolecer. Vira uma compota-geleia, há quem bata no liquidificador e quem deixe os frutos inteiros. Eu sou da turma que deixa inteiro e mastiga os pedacinhos. Então, para fazer o refresco, basta juntar uma colher de sopa dessa compota a um copo de água fria. Na foto abaixo, está em ameixa seca, a versão mais esquisita. Para bebidas mais populares, use: damasco e abacaxi secos, goiaba, manga, maçã e caqui frescos...
Não estranhe, rrefrigerante é feito a base de água, gás e um xarope-extrato. A geleia caseira sem açúcar funciona como esse xarope. Para gaseificar, use kefir.
E os cães também gostam, porque é bem docinho!

Nessa postagem, "2 anos sem forno e fogão"você encontra mais bebidas caseiras, como os refrescos de uva fresca, refrigerante de cajuína orgânica, smoothie de frutas vermelhas em água de coco, limonadas de xepa com limão galego orgânico e as folhas verdes que normalmente vão para o lixo (como a da beterraba), refresco de mamão vermelho com maracujá, de cenoura com beterraba e gengibre...












Refresco de gelatina de caqui em água de coco. Essa história começa em uma das primeiras postagens do blog, sobre gelatinas caseiras. A gelatina industrial é uma porcaria, então eu faço caseira com agar agar, uma alga marinha em pó bem barata nos empórios japoneses ou lojinhas de produtos naturais. No link das gelatinas caseiras, você encontra muitas receitas, a partir de sucos e dessas compotas de frutas sem açúcar. Então eu faço um jarrão de refresco de caqui batido na água de coco e levo a ferver com as algas em pó na metade da proporção indicada, para ficar mais mole mesmo. Junto umas raspinhas de casca de laranja e deixo na geladeira como um refresco de gelatina. Bom demais. Essa foto é dos caquis orgânicos da feira daqui do bairro, mais baratos do que os convencionais. Em gelatina de manga com maracujá também fica muito gostoso.













Vitamina de abacate em leite de coco com arroz orgânico. Eu gosto tanto de abacate que tenho uma postagem só para ele, "Abacate". Comecei fazendo a vitamina com leite de coco caseiro e não curti muito, um dia resolvi tentar com o orgânico e ficou uma coisa de bom. Para de vez em quando, porque é meio carinho e porque tetrapack não recicla. Uma opção mais sustentável e barata é a vitamina de abacate em suco de laranja, que vira mousse, se bem grossinha, e sorvete, se congelada - mas, tem que espremer as laranjas antes.













Suco de maçã, cenoura e gengibre na centrífuga, geladinho. Pode ser feito sem maçã também, só o sumo da cenoura com gengibre, delícia muito saudável. Centrífugas não são exatamente muito úteis, nem devem ser usadas para sucos, pois isolam muito açúcar e retém toda a fibra, que deve ser ingerida justamente para dar a sensação de saciedade, mas se tiver que fazer algo na centrífuga, que seja esse sumo de cenoura com gengibre, diluído em maçã, é o suco base da dieta vegana anticâncer do Gerson´s Institute, leia mais e assista ao documentário na postagem "Dying to Have Known (Morrendo por não saber)". Eu prefiro sem a maçã e, se pudesse, beberia um copão todo dia em jejum.



Os cães comem os bagaços, que eu não gostei quando tentei incorporar à massa de pão e refogando no feijão.








Suco verde orgânico com todos os vegetais possíveis das barracas ao lado na Feira de Orgânicos da Praça Afonso Pena, Tijuca. E uma bênção carioca, nossos carrinhos de água de coco fresca, onde vende-se meio litro a R$5,00.







O mate de torneirinha com ou sem limão feito a partir da erva-mate orgânica, vendido sem embalagens em copo de papelão que pode virar refil e ser reciclado, pelo mesmo preço dos concorrentes convencionais.


































Laranjada Americana, uma tradição carioca de torneirinha servida em copinhos antigos (foto deles).














Outras sugestões:


Mate gelado, mate gelado com limão ou batido com frutas mais aguadas como abacaxi e morango.

Chá de camomila geladochá de camomila gelado com limão ou suco da polpa do maracujá ou da casca do abacaxi (batido no liquidificador).

Hortelã fresca ou seca, também rendem chás refrescantes e simples.

Chá preto com laranja, quente ou frio. Com ou sem leite.

Chá de maçã gelado feito com maçã desidrata comprada a granel (e até aproveitando a casca da maçã que iria para o lixo), feito na panela com rapadura, gengibre, canela em pau e um cravinho. Colocar a rapadura no chá enquanto ele fica na infusão, garante uma consistência aliquorada que funciona para os chás de inverno.

Chá de morango com canela gelado
1 xícara de folhas frescas de morango
1 dedinho de gengibre
1 pau de canela
500ml de água

Chá de laranja, limão e tangerina, feito a partir das folhas, que normalmente acabam no lixo.
Seria a xepa da feira, não fosse Marisa, que há tantos anos trabalha na casa da Sueli, dar um destino. Ela faz assim:
As folhas do limão, que iriam para o lixo e normalmente são descartadas no chão do supermercado (ou da feira), ela lava bem, deixa secar à sombra e faz um chá com elas.
O chá é feito da mesma forma que qualquer chá, fervendo a água e colocando as folhas para fazer a infusão depois do fogo apagado.
Fica delicioso e pode ser feito igualmente com as folhas da laranja, tangerina e limão galego.

Há muitos anos, assisti a um dos programas da Nigela e ela fazia uma sopa de frutos do mar cujo caldo era aromatizado com folhas de limão, compradas congeladas e a quilo na Inglaterra. Ao logo do programa, ela cheirava a folha feliz da vida, dizendo que valia a pena o que se pagava por elas. Aqui é lixo, mas poderia ser um anti-gripal 100% natural e acessível a população carente.




Mais receitas:
Sangrias
Smoothies





Mais informação:
Como funcionam os aquíferos
Beber água pura não deveria ser caro

Quanta água existe de fato no planeta?
Consumo de água x aumento da população urbana
Como funciona uma estação de tratamento de água
Água mineral sendo vendida em tetrapack, que não recicla
Quando a sustentabilidade me deixou na mão 02: filtro de barro
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável