segunda-feira, 14 de abril de 2014

Páscoa em paz com o resto do mundo



"O mito é o nada que é tudo", Fernando Pessoa

Em 2010 e 2011, o blog trouxe postagens sobre a Páscoa, hoje fora do ar, que compilo juntas abaixo. Não por estarem desatualizadas, mas porque recebi tantas mensagens de mães defendendo coelhos como símbolo de fertilidade em solstícios, ovinhos pintados em casa simbolizando o renascimento, colombas pascais e outras tradições cujas origens não nos dizem nada, que resolvi reunir tudo numa postagem definitiva dando uma ótica monoteísta ao feriado, que por sinal é de origem judaica e agregou todos esses símbolos pagãos da mitologia nórdica e celta numa celebração que hoje não tem mais significado algum.

A propósito, ontem foi Domingo de Ramos e, além da maioria dos cristãos nem ter ideia do fato, não imaginam que o mesmo relaciona-se à Páscoa. Como tampouco sabem que a última ceia antes da crucificação de Jesus, era a comemoração da Páscoa (um jantar de Pessach que viria a tornar-se a nossa Quinta-feira Santa), pois Cristo era judeu de nascimento e ainda não havia sido crucificado. O que hoje oficializamos como eucaristia, foi a comemoração dias após a entrada triunfal em Jerusalém, onde Cristo teria sido recebido numa caminho de ramos pela população. A mesma população que, quando consultada dias depois, escolheu Barrabás, um ladrão violador de mulheres, à Jesus Cristo.








Você já está deixando o bacalhau de molho? Comprou um mundo de ovinhos?
O país inteirinho provavelmente sim, é a força da tradição.

O comércio nos inunda com ovinhos e afins. Paciência. 
Mas a Páscoa está aí e com ela o prato de peixe, os coelhinhos de estimação e uma série de outros hábitos que não sabemos bem quem começou, mas sabe como é, incorporamos por força da tradição.

A Páscoa comemora uma travessia (passagem = pessach) feita pelo povo judeu ao longo de 40 anos por um deserto, guiados por um profeta (Moisés) que os guiou - mas ele mesmo nunca chegou à terra prometida. Numa imensa prova de fé, Deus não os deixou na privação e providenciou fartamente o maná que caía do céu, mas que não podia ser armazenado.
Não tinha ovo de chocolate embalado em celofane com um mundo de açúcar e menos ainda bacalhau.
Moisés só abriu o mar em duas partes para seu "rebanho" atravessar, ninguém aproveitou para pescar nem foi avistado nenhum coelhinho pululando, até porque não há coelhos no deserto.

A propósito, coelho não põe ovo, nem de chocolate. A figura do coelho foi incorporada a um feriado judaico com 5.000 anos de tradição, pois na mitologia nórdica, o coelho, que é um animal tradicionalmente fértil, procriava durante os solstícios e então o mesmo é associado à lua desde o Antigo Egito.
Entendeu? Pois é, não faz muito sentido mesmo.
E não compre um coelhinho vivo para seu filho, o animal reproduz-se na velocidade da luz, não é urbano e, se abandonado, vira a presa das ratazanas de esgoto - veja os porquês dessa covardia  na postagem: Coelhos, o lado B da Páscoa insustentável.


É importante lembrar também que o bacalhau está sob risco de extinção. Nos últimos 30 anos, 70% da sua população mundial desapareceu. A Terra é incapaz de acompanhar ritmo atual de consumo de carnes e pescado e a Pesca Artesanal está sendo substituída sem nenhum critério pela Pesca Industrial, arrasando com áreas nativas de manguezal e levando comunidade pesqueiras tradicionais à falência e suicídio.

"Os oceanos não podem ser considerados uma despense inesgotável, estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD).
O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies.
No atual ritmo, a totalidade das espécies comerciais haverá desaparecido em 2050."

Para dar vazão a todo esse consumo, já estamos comendo golfinhos e tubarões salgados, como bacalhau.
Leia melhor sobre o assunto em The Cove Tubalhau, o contrassenso de Fernando de Noronha Pesca artesanal x Pesca Industrial



Já existem muitas empresas produzindo cacau e chocolate orgânico, incluindo ovos de páscoa inteiramente orgânicos, como anuncia Claudio Ushiwata, no Orgânicos do Brasil.

E é de se estranhar também porque só se faz chocolate de cacau e açúcar de cana, quando existem tantas outras alternativas na natureza, como o cupulate (chocolate do cupuaçu), a amarula e a alfarroba.
A monocultura só interessa ao produtor, leia melhor sobre esse assunto em outra postagem polêmica Soja é desnecessária.


O cupulate é tão importante quanto desconhecido, leia sobre ele no Wikipedia:

O cupulate é um alimento com gosto e textura semelhantes aos do chocolate
A diferença em relação ao chocolate é que na fabricação do cupulate não é utilizado o cacau (Theobroma cacao) mas o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), fruta típica da Amazônia.
O cupulate foi o nome dado no Brasil pela Embrapa em 1990 ao chocolate feito de cupuaçu. Nos últimos anos, empresa Asahi Foods, do Japão, foi acusada de biopirataria e de utilizar indevidamente o termo "cupulate" por meio de processos em diversos países do mundo. Com esses processos, a empresa foi obrigada a desistir do uso ilegal do nome "cupuaçu" e do termo "cupulate".
Eu sou grande fã da fruta, para ver outras receitas gostosas com cupuaçu, leia a postagem homônima Cupuaçu, com receita de mousse e geleia caseira, que por sinal combinam perfeitamente com chocolate meio amargo.


Syl Ribeiro escreveu lindamente sobre a alfarroba, leia também:
A alfarroba é um alimento saudável e de elevado valor nutritivo.
Contém vitamina B1 tanto quanto o aspargo ou morango, a mesma quantidade de niacina do feijão fava, lentilha e ervilha, e mais vitamina A do que a beringela, o aspargo e a beterraba. Possui ainda alto teor de vitamina B2, cálcio, magnésio e ferro, bem como um correto balanceamento de potássio e sódio.
A alfarroba não possui qualquer agente alergênico ou estimulante tais como a cafeína e teobromina presentes no cacau.
Mesmo embora ela apresente um alto teor de açúcares a alfarroba possui um baixo conteúdo calórico devido à quantidade quase imperceptível de lipídeos e alta quantidade de fibras naturais.
O efeito benéfico dessas fibras naturais na flora intestinal se dá pela proteção da membrana mucosa do intestino, bem como na redução significativa da incidência de diarréias indefinidas, desordens nutricionais e incidência de úlceras.
Estudos recentes mostraram que a alfarroba não contribui com nenhum tipo de glúten na ingestão de dieta e que possui propriedades antioxidantes.



Dicas de cardápios sustentáveis na postagem da Ceia de Natal, as sobremesas da Ceia (com chocolate), todas as receitas de bolos e tortas de chocolate (incluindo versão Floresta Negra) e um panetone integral de banana ou inhame que pode ser feito como Colomba Pascal, se isso é realmente importante na sua casa.

Se você é doido por chocolate ou tem filhos pequenos, pode fazer seus ovos em casa, com um bom chocolate meio amargo orgânico, rapadura, castanhas e frutas secas.
Observe que os grandes produtores de chocolate comercial usam o óleo de palma industrial em seus produtos, esse óleo de palma extraído do dendê está devastando florestas nativas inteiras no mundo todo, veja mais nas postagens: O mito do óleo de palma sustentável Dendê e a destruição de florestas nativas. Para quem não vive sem Nutella, há uma postagem exclusiva para Nutella caseira, ensinando a fazer sem açúcar nas mais diversas versões: crua, vegana, com leite, etc - mas sempre sem açúcar refinado.

Neide Rigo, do Come-se, fez lindos bombons de chocolate (sem açúcar) e recheou com um doce caseiro de bacuri, que pode ser feito com rapadura, como a geleia de cupuaçudamasco (ou qualquer fruta seca polpuda, figo também fica divino), frutas vermelhasgengibre e vinho quente que também combinam muito com chocolate.

Para um bombom (ou mesmo ovo) estilo "Nhá Benta", bata claras de ovos caipiras em neve. Junte gotas de limão para deixar mais durinha, as raspas da casca do limão para quebrar o gosto e cubra, já arrumado no bolo, com fios de melado ou geléias caseiras, já que a idéia é a cobertura branquinha e nevada e, adicionando melado e rapadura ao preparo, a mesma vai ficar escura. Para fazer suspiros coloridos, junte às claras em neve, geléias caseiras da cor escolhida, até em verde se usar a geleia de hortelã ou capim limão ou de chocolate, se juntar cacau em pó com melado. Esses suspiros coloridos e doces, são boa dica para cobrir bolos e tortas em geral, permitindo combinações coloridas.

A minha sugestão favorita é simples e pode ser feita na hora, frutas frescas e secas no espeto com calda de chocolate (branco ou amargo) e "crespinho" de castanhas (ou coco ralado), assim:
Faça uma calda de chocolate usando uma barra de chocolate meio amargo com creme de leite fresco e orgânico (ou de cabra-bufala), adoçado com pouca rapadura. Essa calda endurece depois que esfria, e pode ser feita com qualquer leite vegetal caseiro (cococastanhas ou pinhão) na metade da quantidade sugerida para o creme de leite, adoçando com melado inclusive. Sempre dá certo, pode substituir por chocolate branco e serve até para fazer os bombons de frutas secas
Basta dar um banho em qualquer fruta seca ou morango orgânico fresco com essa calda, passar em castanhas moídas ou coco ralado e esperar esfriar.
Banana passa, morango fresco, damasco, abacaxi, figo e pêssego (secos) são os melhores.



Para começar a construir novos símbolos, a partir de uma realidade nossa, de animais da fauna brasileira, animais muitas vezes ameaçados de extinção que não podem ser mantidos numa gaiolinha na área de serviço. A sugestão da Fundação SOS Mata Atlântica: Na compra de qualquer produto, ganhe um macaco de Páscoa em pelúcia!






E talvez o mais importante nisso tudo não seja o coelhinho que você vai deixar de comprar ou o ovinho que vai fazer em casa (não que ambos não sejam), mas mudar um pouco o modo de pensar e tentar incorporar novas tradições, com significados reais que não descabem para corredores de ovos industrializados e caríssimos dos hipermercados.
Eu sempre achei que a Páscoa combinava muito com um grande piquenique debaixo de uma árvore em flor, ainda comum nessa época do ano, cuja temperatura é excelente. O espaço público, cada vez mais raro, tem que ser melhor utilizado. Quem sabe depois da missa, da visita ao orfanato-asilo onde tantas crianças-idosos passam a Páscoa sozinhas...
Esse blog adora um trabalho voluntário, no Natal principalmente, a postagem Natal Sustentável traz muitas sugestões de como fugir do circuito: shopping lotado + supermercado entupido + comemorações esquisitas com gente idem.
E sim, frequentar qualquer templo religioso de qualquer linha nessa época pode trazer uma outra dimensão ao feriado, principalmente para as crianças, que vão acabar ganhando muitos ovinhos baratos e fazer dezenas de coelhinhos de papelão na escola, que vão acabar no lixo, é claro.



Sugestões de leitura: 

"O Evangelho segundo Jesus Cristo", José Saramago, ateu convicto e único escritor de língua portuguesa laureado com o Nobel de Literatura.

"O Jesus muçulmano", de Tarif Khalidi, Professor da cadeira Sir Thomaz Adams de Árabe, Diretor do Centro de Estudos Médio-Orientais e Islâmicos e membro do King´s College, Cambridge.
Para os muçulmanos, Jesus Cristo foi um grande profeta, mas apenas mais um que antecederia à Muhammad (ou Maomé)O Islã não enxerga Jesus Cristo como um salvador, mas apenas como mais um profeta dos muitos no Pentateuco, à maneira de Elias, Baruch, Amós, Isaías e Jeremias - que vieram justamente antecedendo Muhammad, que seria o enviado definitivo. 
Já para os judeus, o Messias ainda não chegou e as palavras de Jesus Cristo e Muhammad, assim como as de Buda, Confúcio e até Kardec, não significam nada. Não estranhe se os judeus (e romanos politeístas) não acharam a menor graça nesse novo Messias de uma mera seita de pescadores (como Jesus Cristo foi considerado). Pedro, que seria a pedra fundamental de um império de mais de 2000 anos, era pescador e Maria Madalena, prostituta.



João 13, 34-35 ; quando da última Ceia em comemoração do Pessach judaico, a Passagem pelo deserto na fuga do Egito, que durou 40 anos. 

"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
  Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros."





A primeira foto é facebucana e até então sem autoria comprovada, já a charge acima é do cartunista Rucke e foi dificílima de ser encontrada, afinal quando se digita "Páscoa" e "Moyses" no Google Images, se encontra de tudo (principalmente pornografia com fantasias de coelhinho), exceto a travessia de um povo escravo para a liberdade. Tive que refinar a busca por "Mar Vermelho" para encontrar imagens afins com o tema. A última imagem é obviamente da SOS Mata Atlântica e devidamente linkada.



Mais informação:
Leonardo Boff
Você ainda come salmão?
Mousses e pudins de chocolate
De onde vem o atum da latinha?
O mito do óleo de palma sustentável
Comer peixe é mesmo muito saudável?
Bolos integrais e sem açúcar 02: chocolate
Tubalhau, o contrassenso de Fernando de Noronha
Coelhos de estimação, o lado B da Páscoa insustentável
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
Com 44% de ateus, Holanda transforma as igrejas em livrarias e cafés
Fazendo Nutella orgânica, sugar-free, vegana, crua ou como você quiser, em casa

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mais um condomínio de casas na árvore, dessa vez, no Canadá

Farrow Partnership Architects

Sailboat-inspired prefab treehouse villa hangs from the trees

As casas na árvore hoje podem ser tanto pré fabricada quanto inteiramente desenvolvidas em materiais reciclados em uma incrível variedade de formas e técnicas de construção. Mas construir uma casa na árvore que não prejudique a árvore, ou restringir o seu crescimento, muitas vezes significa prestar especial atenção à engenharia ou usando componentes personalizados, como um galho de Garnier.
O escritório de arquitetura com sede em Toronto, Farrow Partnership Architects, aborda este problema por enforcamento  curvilíneo da parte superior do tronco da árvore da sua casa na árvore, ao invés de pregar.



A casa na árvore Farrow Partnership Architects é uma estrutura simplificada, inspirado no " Samara " e o escritório irá pré-fabricar essas casas em três pedaços, usando madeira certificada pelo FSC e técnicas obtidos a partir de técnicas de construção veleiro .

Cada quadro será levantado e aparafusado ​​durante o inverno para minimizar a perturbação dos habitats de animais selvagens da floresta, que faz parte da Reserva da Biosfera da UNESCO, através de um " ombro de aço extremamente simples e sistema de cabo, que abraça o tronco da árvore ",  além de uma pitada de tradição japonesa :

Esta metodologia de construção é inspirada nas cordas guarda-chuva " yukitsuri" que suportam os galhos das árvores de pinheiros negros no Kenrokuen Garden em Kanazawa, Japão. Cabos estruturais de alta resistência em carbono, feitos de uma série de pequenos fios torcidos juntos como uma videira, formam cabos maiores, que estão ligados a espiral de hastes circulares. Essas varas estão ligadas à conexão de placas embutidas nas vigas de madeira.




O revestimento dessas casas na árvore são um pouco translúcidas, permitindo iluminação natural, mas também criando a impressão de lanternas à noite. Eles também são, aparentemente, de auto-limpeza:

Capotas de revestimento estão atreladas à estrutura de madeira e funcionam como as folhas de uma árvore, proporcionando sombra e conforto e neutralizando ativamente poluentes transportados pelo ar. As capotas são feitas de fibra de vidro revestidos com PTFE TiO2 não-tóxico e resistente ao fogo (dióxido de titânio). Os benefícios de auto-limpeza dessas capotas permitem que uma reação química de quebra da sujeira e outros materiais orgânicos através de uma reação química com os raios de sol UV, oxigênio e vapor de água presentes no ar .
Doze dessas casas na árvore irão formar uma pequena vila, haverá comodidades como banheiros de compostagem e reciclagem de águas cinzas de chuveiros, além de permitir aos ocupantes o conforto de desfrutar a vida ao ar livre.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Uma casa na árvore na Praia do Felix em Ubatuba (SP)



Geralmente, as notícias sobre casas nas árvores são estrangeiras, a própria casa na árvore de Frans Krajcberg, em Ilhéus (BA), chega a ser encarada como uma excentricidade artística. O urbanismo brasileiro infelizmente ainda não deu esse salto em direção aos condomínios e comunidades de casas nas árvores.
Hoje, a postagem traz um exemplo nacional bem sucedido. A cidade do Rio de Janeiro, onde moro, é definida pela Bossa Nova como o encontro do mar e da montanha, mas eu acho que essa casa na árvore paulista foi muito adiante no conceito.





A Casa na árvore da Praia do Félix, Ubatuba

A casa é apoiada em doze vigas de aço e seu acesso faz-se através de uma escada escorada a um deck de madeira. Por uma questão estética, a casa é envidraçada e abre-se para o mar. Um corredor em passarela aberto faz a ligação entre os espaços e há decks para contemplação da vista, reunir amigos ou mesmo fazer alongamento e meditação.
A privacidade é garantida pela mata fechada e alguns ambientes em parede fechada.






Mais informação:
Casas na árvore
Frans Krajcberg
Green Roof Penthouse
As casas na árvore de Pete Nelson
Alexandra Meyn construiu sua casa na árvore por US$400,00
Finca Bellavista: uma comunidade sustentável de casas em árvores
A maior casa na árvore foi construída em madeira reciclada, tem mais de 3.000m e custou menos de R$20.000,00


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Cold Pot: O ar condicionado natural que refresca ambientes com o poder de evaporação da terracota

A Permacultura é pródiga em reaproveitamento de barro e argila, a começar por edificações inteiras em adobe. Uma técnica muito antiga de armazenamento de alimentos em locais sem eletricidade, é acondicionar os alimentos dentro de um vaso de barro e acondicionar então esse vaso dentro de outro maior com água (ou terra-areia molhada), mantendo assim a temperatura interna do vaso menor muito baixa. Seria um "frigobarro" para situações de emergência. Funciona sem reclamações, apesar de não ser indicado para carnes, sorvetes e comidas preparadas (arroz, feijão, etc) por mais de uma noite. Mas frutas, verduras e legumes duram semanas, ficam até com aspecto melhor, já que não desidratam como na geladeira convencional.

Hábitos brasileiros: filtros de barro com velas de filtração em argila para filtra água que será armazenada em moringas igualmente de barro para uma água potável e sempre geladinha.

Aqui no blog, você encontra uma geladeira indiana inteira em barro que também funciona sem eletricidade, no fundo é uma caixa térmica que segue o princípio das moringas de barro, armazenar água-comida aproveitando da capacidade de resfriamento da argila. Um sonho meu de consumo, até pela beleza da mesma com sua portinha de vidro, mostrando as muitas frutas e verduras lindamente acondicionados no fresquinho. Veja mais na postagem: Geladeira indiana em barro, sem gás nem eletricidade, por apenas R$ 135,00

O Manual do Arquiteto descalço, que também mereceu postagem exclusiva aqui no blog com direito a link para download em meu slideshare pessoal, "Manual do Arquiteto Descalço", também sugere o uso de barro combinado à água para resfriamento de ambientes. Baseando em observações de antigas edificações da África Saariana, o autor sugere deixar moringas de barro cheias nas varandas e sobrados, já que o vento levado pelas janelas abertas seria resfriado a partir desse climatizador, reduzindo então a temperatura do cômodo em até 2 graus Celsius. É ver para crer e eu nunca paguei para ver, já que não tenho varandas nem moringas imensas. Como todo brasileiro de cidade grande, morei a maior parte da minha vida em edifícios envidraçados com arquitetura de estufa, os menos indicados a um país tropical.

O exemplo abaixo, que já está sendo chamado de "bio ar condicionado" usa pouca eletricidade por demandar um pequeno ventilador de ar, uma ventoinha na verdade, mas mesmo assim é uma evolução em termos de economia de energia e matéria prima dos metais normalmente exigidos pelos aparelhos de ar condicionado convencionais.





Ar natural condicionado esfria com o poder de terracota e evaporação

Usar barro para refrescar naturalmente é um método de baixa tecnologia que tem sido conhecido e usado há séculos. Apesar do barro ter se popularizado no projeto da geladeira indiana, o Cold Pot do designer suíço Thibault Faverie é um condicionador de ar natural e simples que usa o poder de evaporação da argila para arrefecer as temperaturas de uma forma eficiente em termos de energia de baixa tecnologia .




Criado durante sua estadia na Universidade de Arte e Design de Lausanne, Faverie explica como funciona:




Cold Pot é uma panela em terracota inspirada pelo sistema natural para baixar gradualmente a temperatura do ar através do processo de evaporação. Com base no "bio ar condicionado", a superfície porosa da terracota atua como uma troca de calor; que absorve a água a partir do interior e envia a mesma para a superfície exterior. Em contato com o ar, a água evapora. A mudança de um estado líquido para um gasoso resulta no resfriamento do objeto e, conseqüentemente, do tubo de alumínio interno, onde o ar circula.




Assim, além da função de resfriamento por evaporação, o tubo interior contém "fatias " de refrigeração em alumínio que são atiçadas por um pequeno ventilador elétrico. O ar quente entra através de uma grande boca de abertura no fundo do pote e é refrigerado a medida que passa através do dispositivo interior. O Cold Pot é de baixa manutenção, usando apenas dois litros de água para reduzir a temperatura ambiente abaixo dos 10 graus Celsius, de acordo com o designer.




Embora, provavelmente não irá arrefecer espaços muito grandes, o Cold Pot é uma engenhoca sem frescuras, mas também um projeto eficaz inspirado em métodos tradicionais.
Mais informação a respeito no site da Thibault Faverie.





Mais informação:
A Revolução dos Cocos
Manual do Arquiteto Descalço
O El Nagual em Santo Aleixo, RJ
3 dias bioconstruindo em Santa Teresa
Michael Reynolds, Garbage Warrior: a bioarquitetura do Novo México
Biblioteca online básica sobre Permacultura, bioconstrução e agroecologia
Geladeira indiana em barro, sem gás nem eletricidade, por apenas R$ 135,00
Sem obsolescência programada e com garantia de 25 anos, mas não se encontra em lugar nenhum

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 10: Os Parques Aquáticos Júlio De Lamare e Maria Lenk



Eu sou nadadora no Parque Aquático Júlio De Lamare. Não é novidade que nadei por 20 anos e também que moro na Tijuca, no Maracanã especificamente, e que a rua onde moro deságua justamente na estátua do Bellini, então é muito natural que eu pratique o esporte onde me destaco na piscina pública mais próxima de minha casa, a 5 minutos de caminhada para ser mais exata. Eu adoro morar nessa região, onde já morei basicamente no mesmo quarteirão em outras 2 ocasiões. Nadar no Parque Aquático Júlio De La Mare, localizado dentro do Complexo Esportivo do Maracanã, era um sonho antigo, dos tempos em que eu nem sabia que aquela piscina era pública e a creditava privilégio das competições e Mundialitos de Natação.

Já morando aqui de volta, acompanhei como todo mundo a briga pelo Maracanã, a desocupação da Aldeia Maracanã, as questões indígenas, a possível demolição da Escola Municipal Friedenreich (que não aconteceria), o sucateamento do Complexo de Atletismo Célio de Barros e a devolução do Parque Aquático contíguo.
Hoje, a Aldeia indígena não é mais realidade, mas o prédio, que é tombado e escapou por pouco de virar um estacionamento, continua de pé e cercado para evitar reocupação. Quando ainda era um espaço ocupado, estive lá em 2 ocasiões.
Nunca me senti exatamente à vontade para escrever sobre o assunto, porque acho que existem outros desdobramentos e, por isso, seria melhor esperar para depois da Copa. Tampouco me senti à vontade para participar dos muitos eventos no local, houve até casamento oficializado pelo Pajé e os estudantes da UERJ, Universidade Estadual vizinha, fizeram de lá um quartel general. Já havia gente demais mais qualificada do que eu cobrindo o que pareceu a mim um acampamento universitário, para perda dos reais moradores.
Longe desse blog criticar uma ocupação urbana, mas em muitos aspectos, a Aldeia Maracanã não era uma aldeia indígena em sua essência, e sim uma ocupação urbana relativamente recente, de cultura parcialmente indígena e com moradores de empregos convencionais, com e sem ascendência indígena.
E o país inteiro pode assistir pela televisão o Bope invadindo uma comunidade com características de aldeia indígena e encostando um fuzil na cabeça de um índio ajoelhado.

Entretanto, as vitórias em relação ao Parque Aquático e Escola Municipal foram sendo conquistadas e notificadas pela mídia, que dizia o mesmo sobre o Complexo de Atletismo, o que não procede.
Matéria do jornal O Globo, de 05/02/14, atesta que a pista encontra-se em local de abandono e que só a partir dessa data, a mesma seria reformada pelo consórcio Maracanã S.A.: O Globo, de 05/02/14: Governo recua e a Maracanã S/A fará reforma do Célio de Barros, e até agora essa reforma ainda não começou.

Porém, em novembro do ano passado, li no jornal que o Júlio De Lamare abria inscrições para a população depois de muita briga dos nadadores e funcionários com a FIFA pela manutenção do espaço, como foi notificado pelo próprio Governo do Estado: RJ.GOV.BR, 04/11/13: Parque Aquático Júlio De Lamare é reaberto
No dia seguinte, estava lá de maiô, touca, óculos, identidade, comprovante de residência e atestado médico em mãos e, ao contrário do que imaginava, não estava tão fora de forma assim e fui classificada como nível 3 num total de 4. A postagem começa com a imagem da minha carteirinha, ainda nadando no meio da manhã. Mudei de dia e horário no início desse ano, aproveito para preservar minha privacidade omitindo o atual.

Minha alegria (e a dos demais) duraria pouco, dia 15 de abril, a FIFA exigiu o Parque Aquático para a Copa. Não entendi os porquês desse abuso e fui conversar com os funcionários da casa, que são servidores concursados e nada ganham com essa politicagem. Soube de fonte mais do que confiável que a FIFA não sossegou enquanto não tomou esse complexo de piscinas públicas, único do Rio com especificações para as Equipes Olímpicas de Saltos Ornamentais e de Nado Sincronizado, que treinam e competem sem qualquer patrocínio obviamente. Afirmaram que não há a menor necessidade de desapropriar um Complexo de Natação para uma Copa do Mundo, que nem durante os Jogos Pan-americanos, o uso das piscinas foi solicitado, que o estacionamento exclusivo do Parque Aquático foi acoplado pelo Consórcio Maracanã S.A. e onde havia acesso, foi levantado um muro isolando e que o Complexo de Atletismo, que custou milhões, havia virado um canteiro de obras e isso impedia centenas de atletas de treinar.
Perguntei pelo Parque Aquático Maria Lenk, construído para o Pan ao custo de outros milhões, e obtive como resposta que o mesmo não atendia as especificações técnicas e ninguém podia treinar lá.
Ainda ouvi a mesma ladainha: "O brasileiro assiste Olimpíada e fica reclamando que nossos atletas não trazem medalha, que só tem vitória no futebol, esses meninos não tem nem onde treinar, quanto mais patrocínio."





Abaixo, 2 comunicados, ambos Ofícios pregados na parede de um prédio público de livre circulação, podem ser fotografados por qualquer um. O primeiro, da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos solicitando o uso dos trampolins e piscinas de profundidade às equipes de Nado Sincronizado para a Copa do Mundo de Nado Sincronizado, a ocorrer em Outubro deste ano em Quebec, Canadá.
O segundo documento é uma solicitação do Governo do Estado solicitando o Complexo, que será então administrado pela FIFA. Observe que não é citada uma data de devolução por parte da FIFA e que ambos os documentos têm uma diferença inferior a uma semana.
Eu não conheço o Presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Sr. Coaracy Nunes Filho, mas no lugar dele, estaria me sentindo feita de idiota - como por sinal estão os nadadores e funcionários do Parque Aquático Júlio De La Mare.












Abaixo, fotos do Complexo Júlio De La Mare assim que o mesmo foi devolvido à população, em novembro do ano passado, quando comecei a nadar nessa piscina.














O tal acesso ao antigo estacionamento do Complexo Aquático lacrado e separado do Consórcio Maracanã S.A.





Caros Amigos: Vai ter Copa. Não vai ter Copa

Com aprovação recorde à época da escolha do Brasil, críticas ao evento crescem cada vez mais. Remoções, altos custos, prazos estourados são problemas graves, mas há também muitos interesses e distorções nessa discussão
Os telões espalhados pelas capitais do País e as torcidas comemorando a escolha do Brasil para sede da Copa em outubro de 2007 contrastam-se com os cartazes cobrando educação padrão Fifa, saúde padrão Fifa nas manifestações recentes. É comum também o embate dos grupos Vai ter Copa com o movimento Não Vai ter Copa. Até por conta de toda essa polêmica, a aprovação ao evento vem declinando. Segundo o instituto Datafolha, em 2008, 79% da população apoiava o mundial no Brasil. Em fevereiro deste ano, a maioria ainda é favorável, com 52% de aprovação, mas num patamar bem menor. Boa parte desse decréscimo pode ser atribuída a remoções de populações mais pobres nos locais das sedes, como os exemplos que serão relatados nesta matéria, a estouro do orçamento dos estádios e das obras no entorno e de mobilidade, além dos privilégios à Fifa e seus parceiros. Mas há também muita torcida, de um lado e outro, pelo sucesso ou fracasso do evento, e a influência que isso terá no processo eleitoral deste ano. E milhões de pessoas na fila na espera de um ingresso.
Para esta matéria Caros Amigos mobilizou repórteres em diversas cidades e entrevistou pessoas de todas as regiões para fazer um retrato acurado do que vem ocorrendo nas sedes da Copa e contribuir para aprofundar o debate. Porque a discussão enviesada e com dados errados não ajuda em nada. Por exemplo, as palavras de ordem de educação e saúde de padrão Fifa não são mais que isso, palavras de ordem. É só comparar, por exemplo, os valores de cada coisa. Segundo a última matriz de responsabilidade, documento oficial que lista todos os recursos para a Copa, de estádios a obras de locomoção, a conta estava em R$ 25,6 bilhões nos sete anos desde o anúncio da escolha do Brasil. Nas três instâncias de governo, o Brasil investe mais de R$ 200 bilhões em educação e outros R$ 200 bilhões em saúde a cada ano. Para ter ideia, gastamos menos de 500 dólares per capita ano. Os Estados Unidos investem 3,7 mil dólares por pessoa. Para elevar a pelo menos mil dólares por pessoa/ano, o que precisamos fazer, teríamos de dobrar os gastos atuais. Coisa de mais de R$ 200 bilhões. Copa ou não Copa, nesse caso, representa pouco. O debate sobre o “legado da Copa” é discutível. Vendido pelos defensores dos grandes eventos como uma possibilidade de mudar o País, esse discurso caiu em desuso e nem poderia ser diferente. Quem muda um País é sua sociedade, seus cidadãos, não um megaevento, seja Copa, seja Olimpíada. E há críticas sérias. Os estádios eram para custar pouco mais de R$ 2 bilhões em valores atualizados das projeções de 2007. Hoje, os custos já estão na casa de R$ 8 bilhões e muitos terão pouca utilidade depois do evento. Outra crítica pesada é em relação ao papel da Fifa, uma empresa privada e milionária, ligada a diversos escândalos que vende pacotes fechados da Copa do Mundo. O País aceita todas as imposições ou fica sem o evento.



Suécia desiste de Olímpicos de 2022 para não gastar dinheiro dos contribuintes

O governo apresentou três argumentos para justificar a decisão: a cidade de Estocolmo tem outras prioridades, seria gasto demasiado dinheiro e um eventual prejuízo com a organização dos Jogos teria que ser coberto com o dinheiro dos contribuintes.












Mais informação:
Um país em obras
Quem são os proprietários do Brasil?
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 01: Zona Portuária
Ocupe o mundo, tudo é uma Zona Autônoma Temporária
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 07: o que foi feito da Vila do Pan
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 04: Formula Indy em Porto Alegre
Ei reaça, vaza dessa marcha! (E vai dar teu Golpe de Estado em outro lugar)
Basta de demolir, Arquitetura da Gentrificação, aumento das passagens, mega eventos, desfavelização virtual, otimização de escolas públicas e onde você entra nessa história toda

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Hortas Orgânicas nas Favelas da Maré

Dica dos amigos do Sítio dos Herdeiros

O projeto Hortas Cariocas, presente em mais de 30 favelas da cidade, já apareceu aqui na postagem "Comprando orgânico, local e justo na Tijuca", justamente por ter pelo menos uma horta popular no Borel. E a Rede Maré de Sabores aparece em quase todas as postagens sobre a RIO+20, mas a foto da barraquinha deles na Cúpula dos Povos pode ser encontrada na postagem "RIO+20: de trazer na bolsa e na barriga".


Para acompanhar a ocupação militar na visão dos próprios moradores: MaréVive






Hortas Orgânicas nas Favelas da Maré
Frutos do projeto Hortas Cariocas, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente – que está presente em 30 favelas e na rede municipal de ensino – as hortas orgânicas da Vila Olímpica da Maré e do Ciep Samora Machel ensinam as crianças a ter uma alimentação saudável e a plantar seus próprios alimentos

O jornal Maré de Notícias publicou reportagem sobre hortas comunitárias na Maré. Elas são fruto do projeto Hortas Cariocas, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que está presente em 30 favelas e na rede municipal de ensino. A produção é dividida entre as escolas, creches municipais e moradores, e parte do lucro da produção que é comercializada é utilizada em melhorias na horta.

Os alunos que visitam o projeto aprendem sobre alimentação saudável e a plantar seu próprio alimento. Eles também são incentivados a levar mudas para iniciar suas próprias hortas em casa.
Da horta para o prato
Bertália, alfavaca, cidreira, coentro, jabuticaba, maracujá – tudo cultivado aqui na Maré
Produtos orgânicos são caros e não são encontrados na favela? Os moradores da Maré não têm mais desculpa e já podem se alimentar com produtos saudáveis. Maria Euzete da Costa Pequeno e Antonio Roberto Gomes da Rocha, ambos moradores da Baixa do Sapateiro, cuidam do projeto Hortas Cariocas da Vila Olímpica da Maré (VOM).
Junto com a professora da oficina naturista, Débora Matos, eles recebem alunos do 1º ao 3º ano das escolas públicas da região e lhes apresentam o processo de cultivo das hortaliças. Para Débora, o contato das crianças
com a horta já apresenta resultado. Algumas já trocam biscoitos por frutas e aprenderam que tomate não dá em árvore. A oficina naturalista é uma atividade do projeto Educar Pelo Esporte, parceria entre a Petrobras e a prefeitura do Rio de Janeiro. “Mostramos às crianças como lidar com a terra. Na horta a gente planta e colhe os frutos. Falamos sobre alimentação saudável, sobre os tipos de espécies e folhas. Estimulamos também que eles levem mudas para plantar em casa”, explica Débora.
Maria Euzete diz que mexer com a terra é uma terapia. Ela sonha com uma horta grande para poder vender a preço de custo para o morador. “Uma vez, a professora Débora falou para as crianças me perguntarem Bertália, alfavaca, cidreira, coentro, jabuticaba, maracujá – tudo cultivado aqui na Maré sobre a horta; me senti muito importante. No final, as crianças estavam me chamando de professora. Todo mundo me abraçou e me beijou”,
conta, toda sorridente.
Antonio, por sua vez, traz o conhecimento de quem trabalhou com a terra desde criança. “Na Paraíba (de onde veio) não tinha essas coisas de adubo orgânico, era esterco de vaca. Aqui tivemos que cercar porque as crianças pisam no canteiro, fica cheio de marca de pé na terra, sem contar que acabam arrancando as plantas”, revela ele, pedindo mais consciência para a garotada.
Helio da Silva, morador da Vila do João, começou como encarregado da horta e hoje é jardineiro da VOM. Ele sente saudade de mexer com as frutas e verduras, mas cita a falta de material para melhorar a horta. “Precisamos do sombrite (tela de proteção) em cima da horta porque esse sol acaba com as plantas. Além disso, sementes, mudas, terra e garrafa pet também ajudam a acelerar o trabalho”, recomenda ele.
Gostou? Pode levar pra casa!
O projeto da VOM existe há 3 anos, mas ainda não é uma horta comunitária, embora este seja o objetivo. Já a que funciona no Ciep Samora Machel, em frente à VOM, distribui o que produz para a escola, prefeitura e moradores. José Maria, que cuida da horta, não cobra nada, mas aceita ajuda de quem puder doar sementes, terra ou dinheiro para que ele possa comprar material.
O Hortas Cariocas é um projeto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e está presente em 30 comunidades e na rede municipal de ensino. Parte do que é produzido é dividido entre as escolas, creches municipais e moradores, podendo ser comercializado. Parte do lucro é reinvestido na própria horta.
Os alunos visitam o projeto e aprendem sobre alimentação saudável. Eles plantam e colhem o seu próprio alimento e levam algumas mudas com objetivo de iniciar uma pequena horta em casa.


segunda-feira, 31 de março de 2014

Há 50 anos, o dia que durou 21 anos (e mais 50 filmes).

































O Dia que Durou 21 Anos é um documentário brasileiro, dirigido por Camilo Galli Tavares 
(Cidade do México, 1971), sobre a participação do governo dos Estados Unidos na preparação, 
desde 1962, do golpe de estado de 1964, no Brasil.

O filme tem como ponto de partida a crise provocada pela renúncia do presidente Jânio Quadros,
em agosto de 1961, e prossegue até o ano de 1969, com o sequestro do então embaixador dos 
Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, por grupos armados. Em troca de sua libertação,
15 presos políticos são soltos e posteriormente banidos do país. Um deles, o jornalista 
Flávio Tavares27 meses depois de se radicar na Cidade do México, seria pai de Camilo, 
o cineasta cujo nome é uma homenagem ao padre católico guerrilheiro colombiano Camilo 
Torres, morto em 1966.
O Dia que Durou 21 Anos produzido pela PEQUI FILMES estreou nos cinemas brasileiros em 29 
de março de 2013 e teve também uma versão para televisão, exibida anteriormente, dividida em 
três episódios de 26 minutos cada.

Inicialmente, o filme fora concebido para contar a história do pai do diretor, o jornalista 
Flávio Tavares, militante da oposição ao regime militar de 1964. Porém, ao ter notícia da existência 
de um fabuloso acervo documental sobre a deposição do presidente João Goulart que os Estados 
Unidos vêm franqueando ao público desde os anos 1970, Camilo Tavares mudou seus planos e 
decidiu abordar a participação do governo norte-americano na conspiração que resultou em uma 
ditadura de 21 anos (1964 a 1985) no Brasil.

O diretor se beneficiou de três volumosos pacotes de documentos, com divulgação autorizada pelo 
governo doEstados Unidos, sendo que uma parte fora obtida pelo repórter Marcos Sá Corrêa e 
condensada no seu livro 1964 Visto e Comentado pela Casa Branca, de 1977. Havia também as 
gravações sonoras, liberadas para o público em 1999, pela Biblioteca Presidencial Lyndon Baines 
Johnson, e os papéis e áudios difundidos em 2004 pela organização não governamental The 
National Security Archive. Além disso, o cineasta buscou mais informações em outras bibliotecas 
que conservam a memória de dois presidentes norte-americanos – John Kennedy (1961-1963) e 
Lyndon Johnson (1963-1969) – e em emissoras de televisão dos Estados Unidos.


Prêmios:
  • St Tropez International Film Festival (França) Melhor Documentário Estrangeiro
  • 22° Arizona International Film Festival (EUA) Prêmio Especial do Júri
  • 29° Long Island Film Festival (EUA) Prêmio Especial do Júri
  • Melhor Documentário Brasileiro 2013 - APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte)

Fonte: Wikipedia





O Dia que Durou 21 anos from Nóslen Salem on Vimeo.





Mais 49 filmes sugeridos pela Justiça Global:

1. O desafio (1965), Paulo César Sarraceni
http://www.youtube.com/watch?v=qD8O13DsbE4
2. Manhã cinzenta (1968), Olney São Paulo
https://www.youtube.com/watch?v=kA34LXfwBlc
3. Brazil: A Report on Torture (1971), de Haskell Wexler e Saul Landau.
https://www.youtube.com/watch?v=nBUTvK0jWfM
4. O Bom Burguês (1979), Oswaldo Caldeira (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=2a5PMshfugY
5. Paula: a história de uma subversiva (1979), F. Ramalho Jr.
http://www.youtube.com/watch?v=pv2ke8UmvGc
6. Eles Não Usam Black-Tie (1981), Leon Hirszman
https://www.youtube.com/watch?v=Uzl2K1bDRog
7. Pra frente, Brasil (1982), Roberto Farias
http://www.youtube.com/watch?v=rzj1_bD3BDI
8. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho
https://www.youtube.com/watch?v=VJ0rKjLlR0c
9. Nunca Fomos tão Felizes (1984), Murilo Sales
http://www.youtube.com/watch?v=IPAAa8uMrps
10. Jango (1984), Silvio Tendler
https://www.youtube.com/watch?v=1O4SZQZ-ikk
11. Que Bom Te Ver Viva (1989,), Lucia Murat
http://www.youtube.com/watch?v=RSYUXUSALKU
12. Kuarup (1989), Ruy Guerra
https://www.youtube.com/watch?v=ByISRJPjo18
13. Corpo em Delito (1990), Nuno César Abreu
https://www.youtube.com/watch?v=XD7JpE3J078
14. ABC da greve (1990), Leon Hirszman
http://www.youtube.com/watch?v=lcQcBY_qvFQ&feature=youtu.be
15. Lamarca (1994), Sérgio Resende
https://www.youtube.com/watch?v=Wy1g8kRMD5Q
16. O Que É Isso, Companheiro? (1997), Bruno Barreto
https://www.youtube.com/watch?v=9_ODe6ar7ag
18. Dois Córregos (1998), Carlos Reichenbach
https://www.youtube.com/watch?v=Nwd1XHnG2eY
19. Barra 68 Sem Perder a Ternura (2001), Vladimir Carvalho.
https://www.youtube.com/results?search_query=barra+68&sm=3
20. Cabra cega (2004), Toni Ventura
https://www.youtube.com/watch?v=Kjq5wz8k2C8
21. Araguaya :a Conspiração do Silêncio (2004) Ronaldo Duque
https://www.youtube.com/watch?v=SKagL2WmH-0
23. Memórias clandestinas (2004), Maria Thereza Azevedo
https://www.youtube.com/watch?v=j0wW2DCnN9o
24. Peões (2004), Eduardo Coutinho
https://www.youtube.com/watch?v=JEde0T13kF8
25.Memória política: Vera Silva Magalhães (2004), TV Câmara
http://www.youtube.com/watch?v=KswterhahX4&feature=youtu.be
26. Tempo de resistência (2005), André Ristun
https://www.youtube.com/watch?v=7o8z0L7t6pw
27. Vlado: 30 anos depois (2005), João Batista de Andrade
https://www.youtube.com/watch?v=pB8XCSwyOeU
28. O ano em que meus pais saíram de férias (2006), Cao Hamburguer
http://www.youtube.com/watch?v=fnrhYwuxaTs
29. Zuzu Angel (2006), Sérgio Resende
http://www.youtube.com/watch?v=duCoCVG2tt8
30. Hércules 56 (2006), Silvio Da-Rin
http://www.youtube.com/watch?v=xxPNQfNpkOo
31. Batismo de sangue (2007), Helvécio Ratton
https://www.youtube.com/watch?v=YPaycJ8ij3s
32. Brizola: Tempos de luta (2007), Tabajara Ruas
https://www.youtube.com/watch?v=NYoRqu20XW0
33. Memória Para Uso Diário (2007), Beth Formaggini
https://www.youtube.com/watch?v=Ys4781EYPBU
34. Caparaó (2007), Flavio Frederico
https://www.youtube.com/watch?v=qGlbHfG8aGA
35. Cidadão Boilesen (2009), Chaim Litewski
https://www.youtube.com/watch?v=yGxIA90xXeY
36. Em teu nome (2009), Paulo Nascimento (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=qNG3vdSYhnU
37. Perdão, Mister Fiel (2009) Jorge Oliveira (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=WVRwU7lL9zA
38. Diário de uma busca (2011), Flávia Castro (trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=CoGhWTGS8CU
39. Uma longa viagem (2011), Lucia Murat (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=FCKdZDIWzEk
40. Dossiê Jango (2012), Paulo Henrique Fontenelle
https://www.youtube.com/watch?v=K6a6fjZKjkw#t=15
41. Marighella (2012), de Isa Grinspum Ferraz
http://www.youtube.com/watch?v=7Mw386dVhcY]
42. Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor: BRASIL (2012).Lúcio de Castro/ESPNhttp://www.youtube.com/watch?v=cViE1fZ3tzA
43. Memórias do Chumbo - Argentina (2012). Lúcio de Castro/ESPN
http://www.youtube.com/watch?v=cCb_UjiskbA
44. Memórias do Chumbo - Uruguai (2012), Lúcio de Castro/ESPN
https://www.youtube.com/watch?v=PBB6YQEbSwg
45. Memórias do Chumbo - Chile (2012), Lúcio de Castro/ESPN
https://www.youtube.com/watch?v=jsoL-tQQuX4
46. Cara ou coroa (2012), Ugo Giorgetti
https://www.youtube.com/watch?v=44MNkZbOd7w
47. Repare bem (2012), Maria de Medeiros (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=-NOXy98mGTI
48. A memória que me contam (2012), de Lúcia Murat
http://migre.me/hwmYm
49. Em busca de Iara (2013), Carlos Frederico ((Trailer -Nos cinemas desde 27 de março)
https://www.youtube.com/watch?v=6mAJEQST8ZU

+ 1, sugestão minha: "O beijo da mulher aranha", de Hector Babenco, que deu o único Oscar a um desconhecido Willian Hurt, em 1985. 
O casting do filme: José Lewgoy, Willian Hurt, Raul Julia, Sonia Braga, Milton GonçalvesMiriam Pires, Miguel FalabellaNuno Leal MaiaFernando TorresHerson Capri, Patricio BissoDenise Dumont, Ana Maria BragaAntônio PetrinWilson Grey e Cláudio Curi 
Curiosidade: Willian Hurt e Raul Julia, que tornariam-se 2 estrelas, eram desconhecidos e fizeram o filme de graça, só ganhando as passagens e hospedagem no Brasil, adoraram a experiência, que sempre relembraram com carinho e a palavra "saudade".
https://www.youtube.com/watch?v=TghpXAPkAZg



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