quarta-feira, 15 de abril de 2015

Apresentando um catador da Amazônia ao restaurador de São Cristóvão e morando em cima de um antiquário e brechó no Maracanã

"O lixo de um homem é o tesouro de outro", provérbio popular norte-americano

Eu conheci o Virgílio Moura há alguns anos no escritório da Fibra, que produz o skate de bambu e faz um trabalho sério em ecodesign. Identifiquei-me com ele imediatamente, português de nascimento e morador do Pará, o Virgílio faz um lindo trabalho em madeira a partir de madeiras que encontra na rua e em projetos de manejo, não se define como marceneiro, xilólogo ou artesão e designer, mas como catador:

"Sou um catador, não derrubo árvores, nem serro madeira, todas as peças de minha autoria são realizadas a partir de sobras de processos de transformação da árvore em peças de madeira. Das sementes, cipós, raízes e galhos recolhidos dos processos de manejos florestais e das madeiras alternativas que são retiradas das podas das árvores urbanas nos quintais, praças e ruas da Cidade."

E não pense que Virgílio trabalha com galhinhos, já vi fotos dele cercado de toras imensas, do tamanho de um campo de futebol, árvores comprometidas que virariam entulho não fosse seu olhar. Pelo meu Facebook, Virgílio descobriu outro amigo, o Eraldo, proprietário de um Antiquário em São Cristóvão, bairro daqui do Rio, vizinho ao que moro, o Maracanã. Por sua vez, conheci o Eraldo por ter sido vizinha da namorada dele, Patrícia, proprietária de um antiquário e brechó em sociedade com sua irmã também aqui no Maracanã.

São Cristóvão, como a toda a Tijuca é um bairro antigo e centenário e por isso, sobraram muitas casas do início do século XX e algumas até do século XIX. São todas lindas e é de partir o coração ver quando alguma é posta abaixo para dar lugar a um edifício. Eu morei nos últimos 2 anos numa casa de rua, na verdade numa casa de rua desmembrada. Casa de rua é perigoso, casa de vila pode ter pouca privacidade - especialmente em vilas de casinhas contíguas. As vilas de casas grandes e de meio de terreno com quintal estão cada vez mais raras... Então, quando a veterinária dos meus cães disse que estava saindo de uma espécie de vila alternativa, que queria passar o imóvel adiante, eu fui ver e o tempo mostraria que vale a pena. Na hora, tive preconceito e pensei "É um puxado". Não era e a privacidade é indescritível, além de uma forma inteligente de manter essas casas imensas, geralmente encaradas como um elefante branco, de pé. Hoje, encaro como um sobrado, onde aluguei o andar de cima.
Foi nessa casa em que passei 2 anos sem gás por ter medo de botijão e então, tive que me virar com panela elétrica, grill, sanduicheira e até um forno solar - cozinhando tudo sem forno e fogão numa boa.

E por ter um brechó-antiquário no andar debaixo, ainda comprei tantas coisas lindas sem culpa nenhuma, bem baratinho e de segunda mão. Todos os copos antigos e bandejas de prata, que normalmente são dados em listas de casamento, comprei por uma merreca bem no andar de baixo, 100% reciclados.
E assim, conheci o Eraldo, que compraria todos os meus móveis para revender no Antiquário dele, quando saí desse sobrado e vim para um apartamento na mesma rua, dessa vez próprio. Graças a Deus.

O Antiquário-brechó da Patrícia e Isa aparece aqui em duas postagens, no guia de compras da Tijuca e cedendo generosamente o manequim que vestiu os crochês que Mafê me deu de presente e, na época eu obviamente não mencionei que morava no andar de cima.

Então, quando o Virgílio veio ao Rio, juntamos tudo isso na loja do Eraldo em São Cristóvão, que fica num ponto ótimo, ao lado do Pavilhão e do Adegão Português, bem pertinho do Museu de Astronomia, lugares que amo.



  
 




Os telefones brasileiros já tiveram apenas 6 algarismos!



O aparelho de televisão Panasonic é laranja e funciona perfeitamente.



O único piano de fórmica marmorizada azul que já vi.




Eraldo e Virgílio, sentado numa cadeira de barbeiro, tratando da vida.






O Antiquário e brechó das 2 irmãs, Patrícia e Isa, na mesma casa onde morei. Por 2 anos, subi essa escadinha lateral  de acesso ao segundo andar todos os dias. Essa imensa bola de ferro embaixo da escada servia para transportar escravos e aparecem várias iguaizinhas no filme "Gangues de Nova Iorque", expondo escravas brancas na festa do Teatro Chinês!




A mesinha das tentações armada pela Patrícia quase na calçada onde liquida peças menores e eu fiz a feira, é claro.





O prêmio desenvolvido pelo Virgílio para a Bienal de Marketing:




Outros trabalhos do Virgílio:






Site com trabalho do Virgílio: Blog do Virgílio Moura

Site do Antiquário do Eraldo: Brechó Antigo

Página no Facebook do Brechó e Antiquário da Patrícia e Isa: Novidades & Antiguidades, que também organiza incríveis leilões online, para você comprar tudo de pijama sem culpa e onde podem ser encontradas coisas incríveis como esse poster emoldurado do Festival de Woodstock por apenas R$20,00 - repare que, à época, o ingresso promocional para os três dias custou US$18,00!




Mais informação:
2 anos sem forno e fogão
Shopping dos Antiquários
A Sociedade das Agulhas
Skate e surf ainda mais verdes
Comprando orgânico, justo e local na Tijuca
Feiras de Sábado: móveis de segunda mão e antiquários
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A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
A casa sustentável é mais barata - parte 05 (eletrodomésticos vintage)

domingo, 12 de abril de 2015

Eucalipto transgênico, o que você precisa saber

EUCALIPTO TRANSGÊNICO – O QUE VOCÊ PRECISA SABER





“Eucalipto transgênico vai sugar água até que ela acabe”
Para Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo e ex-membro da CTNBio, aprovação de nova modalidade irá resultar em um grande consumo de água e impactos ambientais ainda não medidos
A votação sobre a liberação do plantio do eucalipto transgênico acontece nesta quinta-feira (9) na Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Adiada em março por conta de protestos das mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a aprovação do eucalipto preocupa especialistas, que consideram a modalidade um risco ao meio ambiente e a produtores.
Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo que já foi membro da CTNBio, afirma que “em cinco anos o eucalipto geneticamente modificado retiraria do solo o mesmo volume de água e nutrientes que o eucalipto tradicional levaria sete anos para incorporar.Uma lavoura sedenta será substituída, após cinco anos, por outra lavoura sedenta”.
Abaixo, confira a entrevista de Melgarejo à Agência Brasil de Fato, sobre o eucalipto transgênico e o papel da CTNBio na sociedade:

Uma noção muito difundida na sociedade hoje é que, se não existissem as florestas de eucaliptos das grandes empresas, não teríamos papel no Brasil. Isso é verdade?
Há um enorme exagero nesta afirmativa. E a distorção é ainda maior quando alguns formadores de opinião insistem que não existiriam livros e que o sistema educacional resultaria prejudicado, caso houvesse redução na produção de pasta de celulose.
A esmagadora maioria do produto destas indústrias não se destina a fazer papel, e sim embalagens, como caixas que jogamos fora quase imediatamente, cujo uso é mais restrito do que o do papel higiênico.
Onde não há reciclagem estas caixas servem para pouca coisa além de principiar fogo ou engrossar o lixo. O que essas empresas produzem alimenta cadeias de desperdício.

Quais são os impactos ambientais causados pelas plantações de eucalipto?
Elas geram desertos. Na forma em que são cultivadas para extração de celulose, constituem blocos enormes que são refratários a todas as formas de vida.
O sombreamento dificulta a proliferação de outras plantas e a escassez de alternativas de alimentos dificulta a sobrevivência de animais e insetos. A densidade de plantas provoca elevado volume de extração de água do subsolo.
A capa que cobre o solo retém a maior parte das águas da chuva, dificultando o reabastecimento dos lençóis freáticos.

De que forma esses impactos aumentariam com a aprovação do eucalipto transgênico? 
Segundo a empresa que detém as patentes, o eucalipto transgênico produz o mesmo volume de madeira que o não transgênico em menos tempo.
A rapidez de transformação de água, luz e nutrientes, em termos de eucalipto, seria aumentada em 30%.
Em outras palavras, em cinco anos o eucalipto GM (geneticamente modificado) retiraria do solo o mesmo volume de água e nutrientes que o eucalipto tradicional levaria sete anos para incorporar.
Evidentemente em situações de escassez de água o problema se agravaria. Os estudos mostram que na fase de crescimento as necessidades de água são maiores, estabilizando-se quando a árvore é adulta. Ora, estas florestas de eucaliptos são cortadas exatamente antes desta estabilização do consumo.
Uma lavoura sedenta será substituída, após cinco anos, por outra lavoura sedenta, que em cinco anos dará lugar a outra. As áreas com florestas de eucalipto serão bombas de sucção d’água, trabalhando em metabolismo acelerado até que acabe a água.

O cultivo de eucalipto transgênico pode comprometer a produção de alimentos no país?
Sim. A expansão de lavouras de eucalipto sobre áreas ocupadas com outras atividades, em especial nas áreas destinadas à produção de alimentos, pode reduzir a oferta de produtos ao consumo humano.
Isto ocorreu com a expansão das lavouras de cana, de soja, de algodão, e tende a se repetir em todas as monoculturas de exportação. Agricultores familiares envolvidos com a produção de alimentos são deslocados de suas atividades, o que repercutirá em redução na oferta de leite, mandioca, etc.
Ao contrário do que se afirma, o fato de se poder cultivar um eucalipto que cresce mais rápido não reduzirá a área ocupada com esta cultura. Ocorrerá o oposto. Ao se tornar uma atividade mais atraente sob o ponto de vista de retorno do capital investido, a área cultivada com ao eucalipto transgênico deverá crescer comparativamente ao que ocorreria em sua ausência.

Do ponto de vista do mercado, como falar que o eucalipto transgênico aumentará a produtividade, se apenas uma empresa detém as suas patentes?
Não haverá ganhos globais de produtividade. O clone mais produtivo, tendo um dono, só será utilizado por concessão desta empresa. A produtividade média não será alterada, a não ser que a empresa resolva permitir que seus concorrentes utilizem o mesmo material genético.
O dossiê da empresa afirma que a introdução de dois transgenes, um destinado a alterar a estrutura da celulose, alongando células, e outro que serve como marcador de seleção, teriam tornado o eucalipto mais produtivo.
É difícil aceitar esta afirmativa, porque os mesmos transgenes já haviam sido apresentados como modificadores da estrutura da madeira, sem impacto sobre a produtividade.
Aparentemente a empresa provocou a modificação inserindo aqueles transgenes sobre um clone mais produtivo, que por suas características próprias não dependeria da modificação para produzir maior volume de madeira em menor tempo.
Assim, a empresa poderia estar usando este fato (uma base mais produtiva) para forjar um discurso de que a transgenia aumenta a produtividade.
Um clone mais produtivo não dá direito de patente. Mas um eucalipto com um transgene patenteado por uma empresa confere a esta empresa direitos exclusivos sobre aquela planta.
Ganhos de produtividade são difíceis de obter, pois a produtividade é construída ao longo das relações que a planta estabelece com o ambiente, e depende de tantos fatores que não é possível aceitar o discurso desta empresa.

A preocupação com a produção e exportação de mel orgânico é grande. De que forma os produtores serão afetados, caso o eucalipto transgênico seja aprovado?
O pólen transgênico estará presente no mel, no própolis, na geleia real e em todos os seus derivados. No mercado de orgânicos isto é considerado inaceitável. Simples traços de material GM implicam rejeição, exclusão de qualquer produto.
O Brasil perderá acesso aos mercados de produtos orgânicos. Uma pena, pois hoje somos o principal produtor mundial de própolis verde e temos possibilidades enormes de crescimento em outras linhas de produtos.
A apicultura se mostra uma excelente alternativa de renda para a agricultura familiar e este mercado está em franco crescimento. Tudo isso será perdido.

Foram apresentados estudos que comprovam que o eucalipto transgênico é melhor economicamente e não causa danos ambientais à CTNBio? Se sim, que estudos foram esses?
Não. Os estudos são falhos, incompletos e insuficientes. Uma curiosidade ilustra a gravidade do tema. A CTNBio avalia os pedidos de liberação comercial com base em dossiês preparado pelas empresas.
O dossiê deve incluir laudos, pesquisas de laboratório, pareceres diversos e, principalmente, pesquisas de campo aprovadas pela CTNBio, onde serão levantados dados que garantirão a inexistência de danos para o ambiente, entre outras informações.
Não é surpreendente que a empresa tenha encaminhado seu pedido de liberação comercial antes de apresentar os resultados de boa parte dos estudos aprovados pela CTNBio para avaliação a campo do eucalipto transgênico? Alguns destes estudos ainda estão em andamento e seus resultados deixaram de ser necessários? Como isso é possível?
Faltam estudos sobre o consumo de água, os impactos em polinizadores, os danos ambientais e socioeconômicos a populações afetadas indiretamente pela expansão das lavouras de eucalipto.
Também é surpreendente a constatação de Paulo Kageyama [integrante da CTNBio e professor da Universidade de São Paulo contrário à liberação do eucalipto transgênico]: na avaliação de alguns membros da CTNBio, favoráveis ao pedido de liberação comercial do eucalipto GM, não foram incorporados nem considerados estudos adicionais aos apresentados pela própria empresa.

Por que a comissão aprova patentes transgênicas de forma rápida e sem estudos aprofundados? Que impactos os transgênicos causam para produtores e consumidores?
A discussão sobre transgênicos, em geral, é bem mais ampla do que sugere o caso do eucalipto. As lavouras de milho transgênico, que carregam proteínas inseticidas e são veículos para transporte de resíduos de herbicidas mereceriam avaliação detalhada.
Estas lavouras estão ampliando o volume de venenos aplicados no meio rural, com impacto sobre o solo, a água e as populações ali residentes. Mas não apenas isso. Os produtos destas lavouras são veículos que unem a aplicação de venenos à mesa dos brasileiros.
O cuscuz, o milho verde, a polenta, o pão estão levando resíduos de venenos até o prato de cada um de nós. O veneno na comida já é um impacto, e podemos esperar que haja impactos maiores.
Não sabemos o tamanho do problema. Sabemos apenas que não é possível afirmar, com seriedade, que os transgênicos e seus pacotes tecnológicos não fazem mal para a saúde. E podemos suspeitar que façam.
Não existem estudos epidemiológicos comparando populações que comem transgênicos com populações livres de transgênicos. Se houvesse empenho, seria fácil avaliar populações de ratos, porcos, galinhas, comendo rações com e sem transgênicos. 
Mas há um bloqueio que dificulta a realização destas análises. O único estudo de longo prazo realizado com este tipo de protocolo mostrou que ratos alimentados com o milho NK603, da Monsanto, começam a apresentar alterações cancerígenas após os 100-120 dias de consumo.
Vários estudos independentes, publicados em revistas cientificas especializadas, associam os pacotes tecnológicos das lavouras transgênicas e seus herbicidas ao aumento de câncer, a problemas neurológicos, a alterações na taxa de fertilidade e a alterações hormonais de diversos tipos.
E os impactos vão além disso. Não se trata apenas de uma questão de saúde pública. As implicações alcançam o tema da soberania nacional. Precisamos de sementes para plantar as safras de soja e milho, sementes que pertencem a meia dúzia de empresas. Se elas assim decidirem, podem ameaçar o país com desabastecimento.

Ao aprovar transgênicos dessa forma, os representantes da CTNBio seguem uma lógica do mercado ao invés do interesse da sociedade. Por que isso ocorre?
É difícil interpretar as razões que levam os membros da maioria, na CTNBio, a atribuir tamanha confiança aos escassos argumentos apresentados pelas empresas e, ao mesmo tempo, negar atenção a estudos reunidos na literatura independente, que contrariam as campanhas de marketing.
Existem membros ativos da comissão incondicionalmente a favor dos transgênicos, e uma maioria silenciosa que acompanha esses “líderes”, por confiança em suas posições e, em função disso, negando argumentos opostos.
Assim, quando membros que examinam um processo e argumentam que os estudos ali contidos são insuficientes, incompletos, falhos ou mesmo errados, a maioria – que não leu o processo – ignora aquelas afirmativas, dando preferência à fala de outro parecerista que, tendo lido o processo, se diz satisfeito com os argumentos ali contidos.
Não há confronto de argumentos. Não há choque de opiniões com prevalência de documentos e emergência de conscientização coletiva. Há um movimento de bloco, com resultados previsíveis, condicionado pela seleção dos membros da CTNBio.

Por que não há maior participação da sociedade nas reuniões da comissão?
As reuniões são realizadas em Brasilia, em salas pequenas. As plenárias, embora abertas ao público, implicam em custos de deslocamento e estadia que se fazem proibitivos para representações da sociedade civil.
Assim, apenas representantes das empresas monitoram o que se passa naquele ambiente, estimulando movimentos no interesse de seus objetivos.
Isto poderia ser mais equilibrado, utilizando mecanismo simples. Bastaria veicular ao vivo os debates da CTNBio, utilizando um canal aberto como a TV Senado, ou mesmo o Youtube. Não existem impedimentos técnicos para isso.
E, com transmissão ao vivo, os membros seriam mais cautelosos em relação aos argumentos que apresentam e aos desdobramentos de suas decisões.

Por que a decisão de aprovar transgênicos só cabe à CTNBio?
O caráter das decisões ali tomadas não deveria ser definitivo. A CTNBio deveria ser uma instância consultiva, subordinada à avaliação final de profissionais da área de riscos para a saúde, como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para o meio-ambiente, com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e o Ministério do Meio Ambiente. Considerando ainda questões agronômicas, com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e os riscos socioeconômicos, com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Não é aceitável que as decisões resultem de votos de membros que, na maioria das vezes, sequer leram os processos em avaliação e que não terão responsabilidades sobre as consequências de suas decisões.
O Brasil tem instâncias profissionais que devem estar acima dos pareceres da CTNBio, e não submetidas a eles.

A votação do eucalipto foi adiada em março por conta de mobilizações das mulheres do MST. Para que a CTNBio considere os interesses da sociedade, será preciso sempre pressionar e fiscalizar seu trabalho?
A sociedade tem o dever de pressionar e fiscalizar o trabalho de todas as agências do governo e a democracia só crescerá com isso.
Sem isso, os membros da CTNBio podem se sentir à vontade para decidir sobre a autorização de plantio de uma variedade transgênica sem levar em conta a planta modificada e suas conexões com o ambiente, avaliando apenas algum gene que tenha sido inserido e alguma proteína a ele associada.
A CTNBio, com certeza, se inclui entre as áreas críticas no que diz respeito a questões de biorrisco. As decisões ali tomadas têm implicações importantes para a saúde, o ambiente e não podem passar despercebidas, criando, no interesse de poucos, fatos consumados que afetarão a todos.
Felizmente, as mulheres camponesas, principais responsáveis pela Politica Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, chamaram atenção para esta questão do eucalipto, que também se estende ao milho, a soja, ao feijão, ao sorgo, à laranja, alface e a tantos outros produtos em fase de modificação transgênica.
Espero que seu exemplo seja seguido pelo Ministério Público Federal e por comissões de ética das categorias profissionais representadas dentro da CTNBio. Espero que a sociedade aproveite o momento para debater a forma de atuação da CTNBio e suas implicações para o Brasil


Inca se posiciona contra transgênicos e agrotóxicos
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou, no dia 8 de abril, documento com o posicionamento da entidade acerca dos agrotóxicos e ressalta os riscos da utilização de venenos agrícolas para a saúde animal e para o meio ambiente. Como solução, o Inca aponta a observação do Princípio da Precaução e o incentivo à agroecologia.
O Inca destaca o impacto da utilização de sementes transgênicas [que iniciou de forma criminosa, através do contrabando de material genético] nas lavouras.
“É importante destacar que a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil foi uma das responsáveis por colocar o país no primeiro lugar do ranking de consumo de agrotóxicos, uma vez que o cultivo dessas sementes geneticamente modificadas exigem o uso de grandes quantidades destes produtos.”
O documento cita, também, os últimos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos da Anvisa, que “revelaram amostras com resíduos de agrotóxicos em quantidades acima do limite máximo permitido e com a presença de substâncias químicas não autorizadas para o alimento pesquisado”.
“Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos ou plantas no ambiente rural e urbano. No Brasil, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em 2011 maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante 2″.


Considerações sobre o Eucalipto Transgênico H421 da FuturaGene/Suzano Papel e Celulose
por Paulo Yoshio Kageyama, professor titular da USP, agrônomo e doutor em genética


Trata-se de mais um pedido de aprovação comercial de transgênico, agora do eucalipto, requerido pela FuturaGene/Suzano Papel e Celulose, visando ao aumento da produtividade de celulose e diminuindo o ciclo de corte de 7 para 4 ou 5 anos.
Esse pedido, segundo avaliação na audiência pública realizada e manifestações de diversos pesquisadores e instituições idôneas, não apresenta condições mínimas exigidas na análise de biossegurança para sua aprovação.
Sendo o eucalipto uma espécie perene, isso faz com que os problemas de impactos sobre o meio ambiente (água, biodiversidade e solos) e saúde humana (mel e pólen) sejam mais agravados ou desconhecidos quando comparados às culturas agrícolas já aprovadas.
Com relação aos impactos na água, a redução da rotação para 4 ou 5 anos, mantido o atual manejo silvicultural, segundo os maiores especialistas na área, geraria um impacto drástico nas microbacias que recebem essas plantações, agravando drasticamente a atual crise hídrica. A empresa não realizou esses estudos essenciais.
O potencial impacto na fauna de polinizadores (nativos e exóticos) também não foi devidamente estudado, levando em conta que o próprio estudo da empresa demonstra que o pólen do transgênico possui uma concentração muito maior do efeito da transgenia do que outros tecidos da planta, o que pode levar ao colapso das colmeias.
A produção e a exportação de mel no Brasil hoje são diretamente relacionadas ao cultivo do eucalipto, praticada principalmente por milhares de pequenos produtores que têm nessa atividade sua principal fonte de renda. São hoje cerca de 350 mil produtores de mel, sendo 80% deles orgânicos. Com a eventual liberação do eucalipto transgênico, e inevitável contaminação do mel, a exportação de mel orgânico será prejudicada pela não aceitação pelo mercado internacional.
Merece destaque o fato de que a empresa proponente já vem realizando a aplicação aérea de inseticidas no eucalipto, o que no caso dessa cultura arbórea, com cerca de 20 metros de copa, toma outra dimensão ambiental, que já vem afetando pequenos produtores vizinhos às áreas de monocultivo, principalmente na Bahia.
Também merece atenção o fato de que os estudos de campo, que deveriam dar base ao pedido de liberação comercial, em sua maior parte ainda não foram concluídos.
Mais estranho ainda seria o fato de que, em sendo importantes, tais estudos não precisem ser concluídos e isso seja aceito como normal, por membros da CTNBio.
Por último, cabe lembrar que o Brasil assumiu compromisso internacional de não liberar o plantio de arvores transgênicas antes de concluídos os estudos necessários, sobre sua segurança. Chama atenção que, além de não estudar organismos não-alvo, a Empresa não apresentou acompanhamento do ciclo completo destas árvores.
Na prática foram adotados protocolos válidos para o estudo de plantas anuais, como soja e milho, para examinar riscos associados a plantas perenes, que podem permanecer ativas no ambiente por meio século ou mais.


A posição do Greenpeace: Brasil avalia liberar eucalipto transgênico

Variedade desenvolvida pela FuturaGene / Suzano pode ser a primeira árvore transgênica plantada em todo mundo; estudos apresentados são insuficientes para garantir a segurança


O Greenpeace participou hoje da audiência pública sobre o eucalipto transgênico, realizada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). O encontro é parte do processo de liberação comercial da variedade de eucalipto geneticamente modificada da FuturaGene / Suzano Papel e Celulose, desenvolvida com o objetivo de produzir mais celulose em menos tempo.
A audiência contou com a participação de representantes das empresas envolvidas, membros da CTNBio, cientistas autônomos, representantes de Ministérios, apicultores e representantes de ONGs e movimentos sociais. Caso o pedido seja aprovado pela CTNBio, o Brasil será o primeiro país do mundo a plantar árvores transgênicas em escala comercial.
Se o uso indiscriminado de soja, milho e algodão transgênicos já é preocupante, o pedido de liberação comercial feito pela FuturaGene / Suzano polemiza a questão ainda mais. Árvores vivem por muito mais tempo e fazem parte de cadeias alimentares naturais e de ecossistemas complexos, e portanto representam ameaças ambientais de longo prazo para ecossistemas ricos em biodiversidade - ameaças que podem ser difíceis (se não impossíveis) de prever e avaliar. O escape de pólen ou semente de árvores de eucalipto geneticamente modificadas pode colocar em risco a vida natural.
    “Não é à toa que nenhum país do mundo tenha autorizado o plantio comercial de árvores transgênicas até hoje”, lembra Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de agricultura e alimentação do Greenpeace Brasil. “É importante que a CTNBio tenha realizado esta audiência pública, porque ficou ainda mais claro que a liberação desta variedade transgênica de eucalipto poderá trazer danos seríssimos para o meio ambiente, para a população e para a economia”, acrescenta ela.
    Durante a audiência, diversas intervenções pontuaram a insuficiência ou inadequação dos estudos apresentados pela FuturaGene / Suzano. Perguntada, a empresa declarou que não realizou, por exemplo, estudos específicos para comparar o consumo de água da variedade transgênica com a variedade convencional. Representante do Ministério do Meio Ambiente afirmou que não foram apresentados estudos de longa duração, e lembrou que os efeitos da soja e do milho transgênicos no médio e longo prazo não foram positivos. Destacou-se também que a Convenção de Biodiversidade, da qual o Brasil é signatário, recomenda cautela com relação a árvores geneticamente modificadas.
    O representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário alertou que os estudos realizados para avaliar os efeitos do eucalipto nas abelhas e na produção de mel são insatisfatórios, pois levaram em conta apenas cinco colmeias de uma única localidade. Cerca de 25% do mel produzido no Brasil vem do eucalipto, e a pesquisa apresentada pela FuturaGene / Suzano não avalia os aspectos nutricionais do mel produzido a partir de pólen trangênico, tampouco sua toxicidade ou alergenicidade.
    A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (ABEMEL) se mostrou preocupada com a possível liberação: como não há aprovação desta variedade em nenhum outro lugar do mundo, as exportações brasileiras de mel e própolis poderão ser afetadas, numa situação semelhante à ocorrida no México em 2011.
    “Com base nos estudos apresentados, não dá pra dizer que o mel produzido a partir destes eucaliptos é seguro para consumo”, alerta Gabriela. E questiona: “O que vai acontecer com os 350 mil apicultores brasileiros que dependem da produção de mel para sobreviver? E a produção orgânica de mel, própolis, pólen e geleia real? Liberar o eucalipto transgênico sem estas respostas é uma temeridade, uma irresponsabilidade”.
    Selo FSC
    Outra preocupação levantada foi a de que os critérios do FSC (Forest Stewardship Council) não aceitam variedades transgênicas para certificação florestal. A Assembleia Geral do FSC se reúne na Espanha, na próxima semana, e a Campanha Internacional para Parar Árvores Geneticamente Modificadas (CSGET, na sigla em inglês) irá apresentar uma carta, pedindo que o FSC se desvincule da Suzano caso a liberação do eucalipto transgênico seja aprovada no Brasil.

    Preste a ser aprovado, eucalipto transgênico trará mais danos ambientais
    Segundo Paulo Kageyama, integrante da CTNBio, medida é apressada e visa apenas interesses empresariais.

    O Brasil é um dos maiores produtores de celulose do mundo: estima-se que mais de 5 milhões de hectares sejam destinados à plantação de florestas de eucaliptos, que em 2014 fez com que seus produtores lucrassem 600 dólares por tonelada, atividade das mais rentáveis do setor.

    Diversos especialistas chamam a atenção para os danos ambientais que o plantio dessa commoditie causa. A começar pela destruição de toda uma biodiversidade e a substituição por uma única espécie.
    Outro ponto são as enormes quantidades de agrotóxicos utilizados no plantio, responsáveis pela extinção de insetos e animais benéficos como borboletas, besouros, joaninhas, abelhas, anfíbios, tatus, etc. Um destes agrotóxicos mais utilizados nas plantações de eucaliptos é o sulfluramida, fortemente cancerígenos e proibido pela Convenção de Estocolmo, subscrita pelo Brasil e por mais de 152 países.
    Mesmo assim, no próximo dia 5 de março, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) colocará em pauta a votação que libera o cultivo de eucalipto transgênicos no Brasil.
    Para Paulo Kageyama, integrante da CTNBio e professor da Universidade de São Paulo, “esse projeto não traz benefícios à comunidade como um todo, nem a própria eucaliptocultura e aos produtores de mel. Muitas empresas do setor já reconheceram que essa é uma liberação prematura. A única grande interessada e justamente a única empresa beneficiada por esse processo é a FuturaGene/Suzano”, afirma.
    Confira abaixo a entrevista:
    Mesmo sem as certificações necessárias, o H421 (sigla científica do eucalipto transgênico) foi aprovado para comercialização. Sendo assim, quais os riscos que ele representa para a saúde humana e para o meio ambiente?
    O eucalipto transgênico tem várias falhas, mas a principal dela é a contaminação do mel. O Brasil é um grande produtor de mel de eucalipto.
    Alguns setores tentam minimizar essa contaminação, mas não sabemos qual o real impacto disso. Isso sem contar com o uso de agrotóxicos em larga escala nos monocultivos. De tão nocivos ao ambiente e fortemente cancerígenos são de uso proibido por organismos internacionais.
    Sem falar na destruição do solo, do bioma nativo, desvio de nascentes, abertura de estradas clandestinas para manuseio das árvores; todos esses fatores afetam diretamente a saúde humana.

    Então o que está por trás do debate que envolve a liberação do plantio dos eucaliptos transgênicos no Brasil?
    É a primeira vez que se aprova o eucalipto transgênico. Essa busca pela primazia do domínio é o que faz essa aprovação sair a qualquer custo, mesmo com todas as falhas apresentadas. A valorização da biotecnologia para domínio comercial de um produto transgênico que é único no mundo.
    Temos muitas criticas a esse processo tecnológico, que não traz benefícios à comunidade como um todo, à própria eucaliptocultura, aos produtores de mel e etc. Muitas empresas do setor já reconheceram que essa é uma liberação prematura. A única grande interessada e justamente a única empresa beneficiada por esse processo é a FuturaGene/Suzano.

    Hoje, 80% do mel brasileiro é certificado como orgânico. A liberação do eucalipto transgênico tende a interromper essa lógica. Qual o prejuízo que isso representa para o setor apicultores brasileiros?
    Os critérios do Forest Stewardship Council (FSC) não aceitam variedades transgênicas para certificação florestal. Só no ano passado, o Brasil produziu 16 mil toneladas de mel de eucalipto. A produção será contaminada após a liberação do transgênico.
    Alguns setores tentam minimizar essa contaminação, mas ainda não sabemos qual o real impacto disso. Mas já sabemos que isso representará um desastre para a apicultura brasileira.

    O Brasil é o principal consumidor de agrotóxicos do mundo. Há alguma relação entre os eucaliptos transgênicos e os agrotóxicos? De que maneira eles podem contribuir com o aumento do uso de venenos agrícolas?
    Em uma plantação de eucaliptos quase não se encontra biodiversidade. Não há sobrevida de insetos, animais.
    São usados em grande escala agrotóxicos à base de glifosato e de sulfluramida. Com o aumento em grande escala do monocultivo, mais o decréscimo no tempo de produção, o aumento na utilização de agrotóxicos é evidente.

    Ao plantar eucaliptos que utilizam esses agrotóxicos, o Brasil passa por cima da Convenção de Estocolmo. Vale lembrar que o texto foi aprovado pelo país em 2004. Isso não é um contrassenso?
    Sim, sem dúvida. O Brasil referendou o documento em 2004 e em 2006, na 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (Cop-8), que foi sediada Curitiba. O documento apresentado na época exigia análise de risco, regulamentação, entre outros pontos para comercialização.
    Caso essas exigências não fossem cumpridas, o projeto de aprovação do H421 ficaria como moratório. Não é o que estamos vendo acontecer. É uma posição, no mínimo, ambígua do Brasil.  
     
    Estima-se que, em média, cada árvore de eucalipto absorva cerca de 30 litros de água potável ao dia. Com a atual crise da água enfrentada pelo país, o que essa aprovação representa para o nosso sistema hídrico defasado?
    O principal especialista da Esalq afirmou pessoalmente que o maior consumo de água acontece nos primeiros quatro anos de plantio.
    O eucalipto transgênico tem o seu processo de crescimento encurtado. Ou seja, entre o plantio e a colheita é quando ocorre o maior consumo de água pela árvore.
    Com a crise hídrica que enfrentamos não só no Brasil, mas no mundo, é um erro, um contrassenso a liberação da comercialização do eucalipto transgênico.



    sexta-feira, 10 de abril de 2015

    Prós e contras do agave orgânico

    Eu nunca comprei agave, achava caríssimo aquele frasquinho plástico e por preferir comprar localmente, nunca me animei. Aos que buscam alternativas orgânicas caríssimas e do outro lado do mundo, um lembrete: não existe sustentabilidade na dieta além dos 150km. Se o que você come, vem de muito longe, deixa de ser sustentável pela pegada de carbono no impacto.

    Pior, a partir do momento em que determinado alimento é encarado como a panaceia, criam-se indústrias acerca e o que era um produto natural da agricultura familiar vira um substrato industrial que devastou áreas nativas e movimenta cartéis com viés verde e engajado.

    Aqui no blog, você encontra muitas receitas, de cheesecake a mousse de chocolate, sorvete de cupuaçu e tortas Floresta Negra totalmente sem sacarose do açúcar branco, todas feitas em melado de cana, rapadura e, às vezes, geleias cruas de frutas secas (a pasta de frutas secas hidratada, mais comum em tâmaras) ou pûres de frutas assadas (mais comum em banana e maçã). E só, nada de mel de abelhas, frutose, adoçantes sintéticos e produtos tidos como milagrosos.
    Eu adoro maple syrup, o xarope de bordo, mas não costumo usar para cozinhar porque é caríssimo, como o açúcar de coco também é. Ambos são deliciosos e muito recomendados em substituição, mas impraticáveis do ponto de vista financeiro na hora de bater um bolo que pediria 2 xícaras de qualquer um dos dois.

    Existem ainda fontes de malte de cerais, como a cevada e o arroz, muito tradicionais principalmente no Oriente e até agora, sem críticas. Mas não são produtos exatamente fáceis de serem encontrados no Brasil. E daí, nós voltamos ao ponto inicial, comprar localmente o que é sazonal e da agricultura familiar. Se você mora em estado com forte colonização japonesa, onde o Amazake (mel de arroz integral com consistência de pudim) é facílimo de ser encontrado na feirinha da agricultura familiar, receita trazida de navio e passada de geração em geração, ótimo! Eu não tive essa sorte, infelizmente.

    O texto abaixo foi retirado de um blog, o que não é prática minha, mas o único que encontrei em português criticando abertamente o agave que, como tantos outros, foi catapultado à condição de alimento da moda há alguns anos e, pelo visto, não cumpre o que promete. O artigo, apesar de curto, traz muitas referências de sites estrangeiros e pode ser mais uma visão. Veja também os links em inglês que seguem depois, todos foram retirados de sites médicos.






    Agave, mais areia nos olhos dos vegetarianos, vegans e consumidores

    De vez em quando a industria alimentícia, através dos seus lobbyes tenta jogar areia para os olhos dos vegetarianos e vegans. Já aqui falei da soja e dos seus malefícios. A lista de problemas causados pela soja é demasiado grande para considerar a mesma como alimento seguro. Nos últimos anos, principalmente nos EUA foi introduzido um novo tipo de adoçante, o agave -  a comunidade crudívora foi uma das afectadas ao começar a consumir o suposto xarope de agave cru, principalmente os vegans mais extremistas que não querem usar mel. Sabe-se agora que o agave é proveniente da mesma industria que produz a tequila e alguns autores como David Wolfe refere envolvimentos da própria máfia na venda deste produto. 

    O público mais informado deixou de consumir açúcar refinado e xarope de milho para passar a consumir agave com a ilusão de que o mesmo seria saudável. O agave tradicional era feito de yuca ou a planta do agave. O agave vendido comercialmente é feito do amido da raiz de uma espécie de ananás. Este amido é semelhante ao do milho ou do arroz e um hidrato de carbono complexo chamado inulina que é feita de cadeias de frutose. Tecnicamente a inulina é uma fibra altamente indigesta. O processo de produção do "néctar" de agave actual é semelhante ao da produção do xarope de milho (o adoçante mais usado pela industria de bebidas gaseificadas como a Coca-Cola, por ex.), que tem sofrido imensas críticas pelos prejuízos á saúde. É um processo enzimático e químico que transforma o amido em frutose  altamente concentrada. As enzimas são modificadas geneticamente. São usados ainda ácidos cáusticos, clarificantes e químicos filtrantes. O resultado é um concentrado de frutose refinada e inulina. Existem dois tipos de coloração do agave, claro e escuro. 

    O agave escuro é resultado de um erro de preparação em que o mesmo é queimado, mas mesmo assim vendido como se fosse proveniente de origem artesanal para justificar a cor. O agave é rico em saponinas. Saponinas que são abortivas pois estimulam o fluir do sangue para o útero. São esteroides tóxicos, capazes de destruir as células vermelhas do sangue. As saponinas são usadas como veneno para peixes. A industria descreve a saponina do agave como  benéfica. 

    Uma das principais companhias distribuidoras do xarope de agave "cru", a Madhava, deixou de poder vender o produto por não poder garantir a qualidade do mesmo. Embora com um índice glicêmico baixo o xarope de agave pode provocar complicações variadas. Retirada de minerais do organismo, inflamação do figado, endurecimento das artérias, pressão arterial alta, doenças cardiovasculares e obesidade. 

    Outras complicações e efeitos secundários: 
    Síndrome Metabólica 
    Ácido Úrico 
    Problemas de resistência insulínica 
    Problemas sérios de efeitos secundários em diabéticos 
    Pode produzir ainda diarreia e vômitos 
    Deve ser evitado por grávidas ou gestantes. 

    Estes adoçantes foram introduzidos no mercado pura e simplesmente para produzir lucro, aproveitando-se da desinformação do publico que preocupado com o açúcar, aspartame e outros adoçantes correntes, procurava uma alternativa saudável. A FDA teve que intervir junto do maior comerciante de agave nos EUA, a Western Commerce Corporation da Califórnia,  por este estar a adulterar o agave com xarope de milho altamente concentrado, incluindo o agave considerado biológico. A empresa foi fechada. A informação das etiquetas do agave nem estão conforme as regulações das agências responsáveis pela alimentação, incluindo a FDA. Em Portugal o agave é denominado "Geleia de Agave" e vendido pela Provida 


    Referencias:
    http://ecopypaste.blogspot.com/2010/02/agave-nectar-worse-than-we-thought.html 
    http://www.answers.com/topic/saponin http://www.westonaprice.org/Agave-Ne...e-Thought.html http://renegadehealth.com/blog/2008/11/25/is-there-corn-syrup-in-agave-nectar/ http://renegadehealth.com/blog/2009/08/14/agave-re-revisited-more-on-raw-agave-high-fructose-corn-syrup-and-how-fructose-effects-the-liver/




    Outros links, sites médicos, recomendo mais:
    http://www.webmd.com/diet/the-truth-about-agave
    http://www.foodrenegade.com/agave-nectar-good-or-bad/
    http://blog.doctoroz.com/dr-oz-blog/agave-why-we-were-wrong
    http://www.globalhealingcenter.com/natural-health/is-agave-nectar-safe/
    http://www.drweil.com/drw/u/QAA401166/Whats-Wrong-with-Agave-Nectar.html
    http://www.huffingtonpost.com/dr-jonny-bowden/debunking-the-blue-agave_b_450144.html
    http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2010/03/30/beware-of-the-agave-nectar-health-food.aspx




    Mais informação:
    Não contém glúten
    Adoçantes naturais
    Soja é desnecessário
    O mundo é o que você come
    Leites Vegetais x Leite animal

    Mel de abelhas x melado de cana
    Geleias de frutas secas sem açúcar
    Os 10 piores alimentos para a saúde
    Mamãe não passou açúcar em mim!

    "10 empresas controlam 85% dos alimentos”
    O lado duro da rapadura (e cães também bebem garapa)

    quarta-feira, 8 de abril de 2015

    Quando o telhado verde vira lei



    Recentemente a França, a cidade dinamarquesa de Copenhagen e a canadense Toronto aprovaram leis que tornam os telhados verdes obrigatórios. Há alguns anos, eu já havia compartilhado artigos sobre a obrigatoriedade de telhados verdes na capital do Líbano e os telhados verdes que vinham surgindo espontaneamente na Suíça, ambas estão fora do ar num processo natural de enxugamento que venho fazendo no blog. Antes do Facebook, era necessário fazer postagens sobre qualquer novo assunto, os blogs eram atualizados todos os dias, algumas vezes mais de uma vez ao dia. Hoje, não é mais necessário e é preferível acumular os mesmos artigos em uma única postagem e deixar novidades avulsas para as redes sociais.

    Telhados verdes, seja em hortas urbanas ou em área de painéis fotovoltaicos são estratégicos e substituem de forma muito mais produtiva uma laje do que a prática que andou em voga há alguns anos de pintar as mesmas de branco com a intenção de refletir o calor ao invés de absorver, o que reduziria a temperatura da edificação em até 2 graus.

    Abaixo, seguem muitos artigos de sites e portais sérios abordando o assunto na visão dos especialistas e como a prática só traz benefícios:


    5 motivos para você deixar seu telhado vivo!

    O telhado verde é sem dúvida o tema mais comentado quando falamos em arquitetura sustentável e vem interessando muita gente nesses últimos tempos em que a consciência ambiental se torna cada vez mais comum. Esse conceito, que causa em muitos a sensação de novidade, já foi pensado há bastante tempo, mais precisamente no Egito antigo, porém, definido como conceito arquitetônico apenas em 1920, pelo arquiteto francês, Le Corbusier.
    O arquiteto modernista Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier, foi quem desenvolveu a ideia de terraços jardins, com a intenção de compensar a pegada ambiental causada pela construção no terreno e proporcionar uma maior qualidade de vida as pessoas através de áreas de lazer verdes.

    O conceito era tão importante que passou a ser considerado um dos 5 pontos fundamentais da nova arquitetura e com sua grande difusão, o terraço jardim serviu de influencia para vários outros arquitetos. No Brasil, foi utilizado por Lucio Costa no projeto do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de janeiro, atual sede do MEC (Ministério da Educação).

    Para Le Corbusier, as cidades modernas encontravam-se asfixiadas, sem áreas verdes suficientes, não contribuindo para uma boa qualidade de vida dos cidadãos. Então, propôs que todas as construções tivessem seu próprio terraço-jardim. Com quase um século de existência, o conceito de telhado verde desenvolvido por Le Corbusier é mais atual do que nunca. Em tempos de crise ambiental, cada um pode fazer sua parte colaborando para sua comunidade e o planeta.

    Para te incentivar a deixar sua casa mais verde, selecionamos 5 motivos que vão fazer você querer transformar o seu telhado em um “organismo” vivo.

    Motivo 1: Os telhados verdes purificam o ar
    Com uma cobertura coberta por vegetação, sua casa, além ter sua pegada ambiental reduzida, contribui para a limpeza do ar absorvendo gás carbônico e liberando oxigênio.


    Motivo 2: Sua casa mais fresca
    Os telhados verdes funcionam como um controlador térmico fazendo com que o calor gerado pela insolação seja reduzido consideravelmente. Ou seja, um telhado verde funciona como um ar condicionado natural.


    Motivo 3: Captação de água da chuva
    Por ser coberto por vegetação e uma camada de terra, o telhado verde possui uma grande capacidade de retenção de água da chuva. Com a ajuda de um coletor (aprenda a fazer aqui), essa água pode ser reaproveitada de várias maneiras.


    Motivo 4: Isolamento acústico
    Além de ser um purificador de ar, o telhado verde ainda contribui para o conforto interno da residência reduzindo a poluição sonora gerada pelo ruído de carros e outros veículos.


    Motivo 5: A biodiversidade no telhado da sua casa
    Além dos motivos listados à cima, os telhados verdes contribuem para a manutenção da biodiversidade. Segundo estudos realizados pelas universidades Barnard College, Columbia University, Fordham e Universidade do Colorado, as coberturas com vegetação abrigam centenas de espécies de fungos além de aves, esquilos e outros animais.


    Uso de telhado verde pode reduzir impactos de ilhas de calor

    Pesquisador comparou dois edifícios em São Paulo

    São Paulo – O uso do telhado verde pode ser um instrumento importante para reduzir os impactos de ilhas das calor formadas especialmente em grandes centros urbanos, indica estudo da Universidade de São Paulo (USP). Ao comparar dois prédios da capital paulista, um com área verde e outro com laje de concreto, o geógrafo Humberto Catuzzo verificou que a temperatura no topo do edifício com jardim ficou até 5,3 graus Celsius (°C) mais baixa. Também houve ganho de 15,7% em relação à umidade relativa do ar.

    “Se imaginarmos que está fazendo 25°C no prédio com telhado verde e, no de concreto, 30°C, isso faz uma grande diferença dentro daquele microclima”, disse o pesquisador e autor da tese de doutorado com esse tema. Catuzzo destacou que não é possível definir exatamente o impacto que a iniciativa teria, se fosse expandida, mas observou que as diferenças de temperatura e umidade constatadas na experiência foram muito significativas. “Poderia melhorar a questão climática ou ambiental daquela região central”, ressaltou.

    Os edifícios analisados foram o Conde Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, e o Mercantil/Finasa, na Rua Líbero Badaró, cuja laje é de concreto. Os dois prédios, localizados na margem direita do Vale do Anhangabaú, foram escolhidos por estarem sujeitos a condições atmosféricas e de insolação semelhantes. No topo dos edifícios foram instalados sensores a 1,5 metro do chão (padrão internacional), que, durante um ano e 11 dias, mediram a temperatura e a umidade relativa do ar na área dos dois telhados.

    De acordo com Catuzzo, a ilha de calor existente no centro de São Paulo eleva em até 10°C a temperatura na região durante o verão. “O concreto, o pavimento, a grande circulação de veículos fazem com que essa área tenha um aquecimento maior em relação a outras”, disse. O uso de telhados ecológicos solucionaria também o problema da falta de espaços no centro que pudessem abrigar áreas verdes.

    No estudo, Catuzzo comparou os dados do prédio da prefeitura com as informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesse caso, o telhado verde, mesmo estando em área central, apresentou menor aquecimento e maior umidade relativa do ar. A variação mais significativa foi 3,2°C mais frio e 21,7% mais úmido.

    Segundo o pesquisador, essas áreas absorvem cerca de 30% da luz irradiada pelo sol. “Parte [da energia] é retida pelas plantas, até pela questão da fotossíntese, e uma menor quantidade de calor é emitida de novo para a atmosfera”, disse Catuzzo à Agência Brasil. Sem a vegetação, o concreto recebe a energia solar, fica aquecido e emite novamente calor, ou seja, está aquecendo ainda mais.

    Além do ganho em termos climáticos, o telhado verde pode contribuir para a redução do uso de energia. “Aumenta-se o conforto térmico no interior dos edifícios e, consequentemente, reduz-se o uso do ar-condicionado”, exemplificou Catuzzo. Também melhora o escoamento pluvial, que é fundamental especialmente para uma cidade que sofre com enchentes. “A água da chuva escoa mais lentamente para as galerias.”

    Para o geógrafo, a expansão do uso desse tipo de telhado pode ajudar na formação de corredores ecológicos nas grandes cidades, interligando várias coberturas às áreas preservadas, como praças e parques. “No 14° andar de um prédio, existe vida. São pássaros, como sabiás e bem-te-vis. Há todo um ecossistema, mesmo que reduzido, funcionando perfeitamente. Ver a cidade mais verde significaria ganho de qualidade ambiental para a comunidade como um todo.”

    A instalação de um telhado verde, no entanto, não pode ser feita sem cálculos para verificação de qual o modelo mais adequado de acordo com as condições estruturais do prédio. “O da prefeitura, por exemplo, é um telhado verde intensivo, que tem um peso maior, com árvores de porte médio a alto”, explicou Catuzzo. Existem outros tipos de cobertura vegetal, como a extensiva, com o uso de grama; e a semi-intensiva, com plantas de porte arbustivo, além da grama.



    Telhados ecológicos

    Os telhados ecológicos e os jardins nos telhados existem há milhares de anos, lembra dos jardins suspensos da Babilônia (uma das sete maravilhas do mundo)? Usavam um elaborado sistema de irrigação para criar um jardim paradisíaco com terraço ao lado de fora da atual Bagdá. Europeus do norte já escolheram telhados tradicionais de grama para isolar as casas. Hoje em dia, os telhados ecológicos são predominantes ou obrigatórios em algumas partes da Europa. Na Alemanha, 14% de todos os telhados são ecológicos. Uma vista aérea da maioria das áreas urbanas apresenta uma variedade de coberturas de asfalto, alcatrão preto e cascalho. O calor irradia de telhados escuros e a água passa pelas superfícies duras e, de preferência, impermeáveis. Existe uma nova tendência que quebra a monotonia dos telhados comuns: as coberturas ecológicas. Há muito tempo populares na Europa, elas começaram a atrair a atenção de proprietários de imóveis, comércios e, até mesmo, de cidades como uma maneira interessante de promover o ambientalismo enquanto resolvem os problemas dos telhados convencionais.

    Por que usar telhados ecológicos?
    1.Por que eles substituem uma infra-estrutura pesada por uma que não só é mais eficiente como também é mais bonita e útil;
    2. As coberturas ecológicas servem de refúgio para as pessoas que trabalham em escritórios, e são lugares para plantar jardins ou para que as pessoas que moram em prédios possam relaxar;
    3. Mesmo onde eles não são acessíveis, criam belas vistas aéreas para os vizinhos ao redor e são lugares isolados e seguros para animais selvagens;
    4. Reduzem os custos de energia com isolamento natural;
    5. Absorvem a água da chuva, diminuindo a necessidade de sistemas de drenagem complexos e caros;
    6. Aumentam a qualidade do ar (numa escala mais alta) e ajudam a reduzir o efeito da Ilha de Calor Urbana (um fenômeno em que o crescimento das cidades e dos subúrbios faz que o calor seja absorvido e armazenado);
    7. Esses telhados duram mais do que os convencionais.

    As camadas de um telhado ecológico precisam, como as de qualquer outro telhado, favorecer a drenagem e proteger a construção dos elementos da natureza por meio de uma membrana à prova d’água. Elas também precisam, no entanto, criar uma área de crescimento e oferecer apoio, irrigação e barreiras para a proteção das raízes, ao mesmo tempo que se mantêm o mais leve possível.

    Existem dois tipos de telhados ecológicos:

    1. Intensivos são basicamente parques elevados. Conseguem sustentar arbustos, árvores, passagens e bancos com suas camadas para suporte estrutural complexo, irrigação, drenagem e proteção das raízes. Existem apenas por seus benefícios ambientais e não funcionam como jardins de cobertura acessíveis. A média de crescimento de 0,31 m, ou mais, é necessária para um telhado ecológico intensivo cria um peso de 36 a 68 kg por 0,09 m²;

    2. Extensivos são relativamente leves, com o peso de 7 a 23 kg por 0,09 m². Sustentam uma cobertura de solo nativo forte que exige pouca manutenção.

    Não é novidade, cada dia as cidades ficam mais quentes, o planeta passa por um aquecimento, as mudanças climáticas, arquitetura e impermeabilização do solo causam a ICU (Ilha de Calor Urbana). O fenômeno cria uma ilha térmica onde a temperatura pode variar até +10 graus Celsius, nas cidade de clima frio esse fenômeno se torna benéfico, pois as ilhas de calor se formam a noite, reduzindo a necessidade de sistemas de aquecimento. Entretanto em regiões tropicais a ICU se forma durante o dia, o que não é bom, pois aumenta e muito a necessidade de ar-condicionado nas casas ou prédios.

    A instalação de um telhado ecológico começa em U$ 88,00/m², infelizmente bem superior aos U$ 13,00/m² do telhado convencional, mas deixando de lado os fatores econômicos os benefícios são enormes.
    Os telhados ecológicos, são uma ótima solução para reduzir a temperatura interna, um telhado convencional pode ter em sua superfície 32 graus Celsius ACIMA da temperatura do ar, ao passo que os telhados ecológicos podem ficar até mais frios. Depois de preparar o telhado ou laje, são fixados os módulos que necessitam de irrigação manual ou as lâminas que garantem um suprimento de água ao telhado.

    Os benefícios dos telhados ecológicos estão encorajando proprietários de imóveis, comércios e cidades preocupadas com o meio ambiente a construírem coberturas ecológicas. Esses telhados evitam que a água escoe e que o esgoto transborde. A vegetação e o solo agem como esponjas, absorvendo e filtrando a água que normalmente formaria goteiras e encheria ruas poluídas e sistemas de esgoto sobrecarregados. As plantas do telhado ecológico removem as partículas do ar, produzem oxigênio e oferecem sombra. Usam energia calorífica durante a evapotranspiração, processo natural que resfria o ar à medida que a água evapora das folhas da planta. A evapotranspiração e a sombra produzidas pelas plantas ajudam a eliminar o efeito da Ilha de Calor Urbana criado pelo excesso de superfícies reflexivas e impermeáveis nas cidades e nos subúrbios. Se os telhados ecológicos se tornarem uma iniciativa comum nas construções, as cidades podem reduzir os efeitos incômodos das Ilhas de Calor Urbanas.



    Há mais de mil anos, vikings já faziam casas com "telhado verde"

    Vilas inteiras eram construídas com pedras e madeira, recobertas por vegetação

    Quando pensamos em vikings, a primeira imagem que nos vem a cabeça é a de um exército de guerreiros ferozes usando armas e capacetes com chifres. Mas você sabia que esses famosos escandinavos também foram grandes construtores de telhados verdes?

    As fotos que vemos são reconstituições do que seria a arquitetura sustentável viking praticada muitos séculos antes da utilização de terraços jardins na arquitetura moderna ou dos parâmetros de sustentabilidade do certificado Leed. As edificações tradicionais ficam localizadas em L’Anse aux Meadows ("Caverna das águas vivas", em tradução livre), no extremo norte da ilha de Terra Nova, no Canadá. O vilarejo é um sítio arqueológico declarado como patrimônio mundial pela Unesco em 1978, que reúne alguns exemplos de como as cidades do povo nórdico eram formadas.

    L’Anse aux Meadows, que quase pode passar despercebida aos olhos de um observador (devido à camuflagem natural), já foi uma pequena cidadela movimentada com oito edificações construídas pelos vikings cerca de cinco séculos antes da chegada de Cristóvão Colombo ao continente americano. Como as construções originais datam um período muito antigo, foram erguidas reconstruções a partir de estudos históricos e arqueológicos, e vestígios encontrados no local. Segundo essas pesquisas, as casas eram feitas com pedras e madeiras locais e seus telhados eram cobertos por vegetação gramínea, que servia como um isolante natural.

    Atualmente, o sítio é aberto a visitação e, dentro das casas, são expostos objetos utilizados pelos vikings.





    Pelo mundo:
    A Lei de telhados verdes em Toronto
    "Parede viva" em Londres prende a poluição
    Peixes e hortaliças crescem nos tetos da Basileia
    Projeto de lei em Beirute transforma tetos em jardins
    Telhado verde é obrigatório em Copenhage e Toronto
    Copenhague é segunda cidade no mundo a tornar obrigatórios os telhados verdesSaiba porque a França obriga que novos edifícios tenham jardins nos seus telhados
    Cinza pelo verde: Jardins suspensos e telhados verdes popularizam-se na Argentina
    Telhados verdes e/ou painéis solares serão obrigatórios na França Telhados verdes e/ou painéis solares serão obrigatórios na França



    Aqui pelo Brasil:
    Telhados verdes em expansão em Porto Alegre
    Telhado Verde pode ser obrigatório por lei em SP
    Empresas adotam o conceito do telhado verde em suas construções
    Telhados verdes serão implantados em casas do morro Dona Marta
    Teto verde obrigatório para novas habitações com mais de 4 pavimentos no Recife


    Para quem vai começar:
    Top 30 Flowers For Bees
    8 maneiras de fazer um jardim vertical
    6 espécies de plantas ideais para um telhado verde
    Estudos buscam aprimorar a funcionalidade de tetos verdes
    Francês viaja o mundo construindo jardins verticais nas cidades
    Five awesome plants that attract beneficial insects to your garden




    Mais informação aqui no blog:
    Green Roof Penthouse
    Algumas hortas urbanas pelo mundo
    TOP5: fazendas urbanas novaiorquinas
    O projeto de aquecedor solar na Mangueira
    "Minha Casa Minha Vida" terá energia solar
    A alternativa venezuelana à fome: hortas urbanas
    Crise faz gregos criarem sociedades alternativas do século 21
    A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
    Biblioteca online básica sobre Permacultura, bioconstrução e agroecologia
    A casa sustentável é mais barata - parte 15 (Aquecedor solar de baixo custo a R$35,00)



    A primeira imagem da postagem é do telhado verde da Universidade de Cingapura, que já foi considerado o mais bonito do mundo, mas me deixa pensando em como fazer o mesmo no Pavilhão de São Cristóvão e a segunda é de uma singela casinha hobbit nas Faroe Island.